Sociedade Brasileira de Dermatolodia

Anais Brasileiros de Dermatologia

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ISSN-e 1806-4841

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Volume 28 Número 1




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Trabalhos originais

Considerações sôbre as micoses causadas pelo Microsporum gypseum


A. PADILHA GONÇALVES

Trabalho do Departamento de Dermatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro (Diretor: Prof. J. Ramos e Silva), apresentado na sessão de 25-6-52 da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sifilografia (Rio de Janeiro).

Correspondência:
Av. Atauifo de Paiva, 1.079 (Rio)

 

Resumo

Apesar de ubiquitárias, são relativamente pouco frequentes as micoses produzidas pelo Microsporum gypseum. No Brasil, haviam sido relatados, até agora, 5 casos dessa natureza. No presente estudo, são descritos mais 8 casos novos: 5 de dermatofitoses circinadas, 2 de quério e 1 de tinha tonsurante. Conquanto nas observações iniciais, de micoses produzidas pelo M. gypseum, tenha sido descrita a formação de escútulas fávicas ("godets"), em nenhum dos doentes vistos por mim foram essas lesões constatadas. O M. gypseum mostra tendência a produzir reações inflamatórias acentuadas, surgindo quadros de quério, lesões crostosas impetiginóides, foliculites supuradas, e formando-se vesículas e pústulas, maiores e mais numerosas do que em lesões correspondentes habitualmente causadas por outros dermatófitos. Entretanto, clinicamente nada há de característico que permita suspeitar ser o M. gypseum o agente causal. A cura de todos os pacientes foi fácilmente obtida com o tratamento apropriado a cada tipo de micose. De 1941 para cá, em 135 amostras de dermatófitos por mim isolados, 68 foram de Microsporum canis, 8 de M. gypseum. Nenhuma vez isolei o Microsporum Andounini. Reunindo com outras estatísticas, chega-se à conclusão de que o M. gypseum representa cêrca de 4% dos fungos do gênero Microsporum e 1,4 % do total de dermatófitos isolados no Brasil. Nas escamas, o M. gypseum apresenta-se como um filamento miceliano septado, indistinguível dos demais dermatófitos. Nos pêlos, quando, o parasitismo atinge a fase completa final, o aspeto é o habitual do gênero Microsporum. Entretanto, talvez por terem, via de regra, as lesões, evolução rápida, muitas vêzes encontram-se tipos de parasitismo correspondentes às fases iniciais de invasão dos micrósporos, descritas por Sabouraud e semelhantes ao de um tricófito endotrix ou ectotrix e mesmo ao do produtor do favo, o que pode induzir a erros. Sob a luz de Wood, os cabelos parasitados apresentam a fluorescência esverdeada, característica do Microsporum, o que auxilia no diagnóstico diferencial etiológico. As culturas são características: granulosas, pulverulentas, de côr ocre, com pequena franja periférica esbranquiçada. Quando mais velhas, ficam esmaecidas, amareladas, e surgem sulcos quasi sempre radiados. Microscópicamente, como no M. canis, abundam os fusos, encontrando-se ainda aleurias, micélio em raquete, claridósporos e órgãos nodulares. CONCLUSÕES 1) São raras as micoses determinadas pelo Microsporum gypseum; no Brasil, são conhecidos, até agora, apenas 13 casos, dos quais 8 foram por mim observados, e relatados neste estudo. 2) Dos 8 casos agora descritos, 5 são de dermatofitose circinada, 2 de quério e 1 de tinha tonsurante. Nesses doentes, nada foi visto que lembrasse o favo. Não se conhecem, até hoje, casos de foliculites et perifolliculites capitis abscendens et suffodiens, originados pelo M. gypseum. 3) O M. gypseum, nos casos por mim observados, revelou tendência a causar micoses com manifestações inflamatórias mais acentuadas que o comum; por outro lado, não ofereceram maiores problemas terapêuticos, pois os pacientes curaram-se com relativa facilidade. 4) Reunindo algumas estatísticas brasileiras, é possível estabelecer em cêrea de 4 % a frequncia relativa das micoses produzidas pelo M. gypseum, em comparação com as que são causadas pelo gênero Microsporum, e em cêrca de 1,4% em comparação com todos os dermatófitos. 5) Nos pêlos invadidos, o M. gypseum apresenta tanto o aspeto clássico do parasitismo dos micrósporos, em sua fase completa, como também, com certa frequência, aspetos semelhantes a um tricófito endotrix ou ectotrix, ou ao causador do favo típico, o que pode levar a enganos. Êsses aspetos atípicos parecem corresponder às fases iniciais do parasitismo dos micrósporos, descritas por Sabouraud. 6) Os pêlos parasitados pelo M. gypseum, examinados sob a luz de Wood, mostram uma fluorescência esverdeada, igual à dos outros micrósporos. O exame, com o auxílio da luz de Wood, pode ser de grande utilidade para o diagnóstico diferencial etiológico, sobretudo quando os pêlos parasitados apresentam aspetos semelhantes aos dos tricófitos. 7) Os caracteres macroscópicos das culturas do M. gypseum são típicos. Microscópicamente, as culturas são indistinguíveis das do M. canis; porém, como as dêste, apresentam ligeiras diferenças com as do M. Audouini.

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