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Vol. 101. Issue 5. (In progress)
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Vol. 101. Issue 5. (In progress)
(September - October 2026)
Cartas ‐ Caso clínico
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Características dermatoscópicas de endometriose cutânea em cicatriz de cesariana

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Şule Yıldız Sağcan Tercana,
Corresponding author
sule9635sagcan@gmail.com

Autor para correspondência.
, Ergün Tercanb, Peyker Temizc, Can Tercand, Muhammet Canbuluta, Cemal Bilaça
a Departamento de Dermatologia e Venereologia, Manisa Celal Bayar University, Manisa, Turquia
b Manisa Merkezefendi State Hospital, Manisa, Turquia
c Departamento de Patologia, Manisa Celal Bayar University, Manisa, Turquia
d Başaksehir Çam and Sakura City Hospital, Istambul, Turquia
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Prezado Editor,

A endometriose caracteriza‐se pela presença e pelo crescimento de tecido endometrial glandular e/ou estromal fora da cavidade uterina, afetando mais comumente as estruturas pélvicas; no entanto, manifestações extrapélvicas também foram descritas.1

Apresenta‐se aqui um caso de endometriose cutânea que se desenvolveu em uma cicatriz de cesariana e destacam‐se suas características dermatoscópicas distintas.

A paciente de 29 anos, com fototipo de pele III de Fitzpatrick, compareceu à clínica de dermatologia com lesão tumoral surgida em cicatriz de cesariana; não apresentava outras comorbidades nem histórico de doenças dermatológicas. Ela havia sido submetida a duas cesarianas – a mais recente quatro anos antes –, sem complicações pós‐operatórias. Dois anos após o último procedimento, notou o surgimento de uma pequena lesão nodular dolorosa na linha média da cicatriz cirúrgica, a qual aumentou progressivamente de tamanho ao longo de seis meses.

Ao exame clínico, a lesão media aproximadamente 1,5×2cm e apresentava‐se como massa nodular firme e bem delimitada, com superfície levemente elevada e irregular, exibindo coloração azul‐acinzentada na cicatriz da cesariana (fig. 1). O exame dermatoscópico (fig. 2) revelou fundo predominantemente sem estrutura, variando de acastanhado a pálido, contendo múltiplas massas de coloração violácea a vermelho‐escuro e tamanhos variados. Observaram‐se numerosos vasos puntiformes, alguns cercados por áreas esbranquiçadas sem estrutura, resultando em arranjo reticular sutil. A lesão apresentava superfície plana, sem projeções papilomatosas. Havia zonas sem estruturas, pálidas e esparsas, e descamação superficial mínima. Não foram identificados rede pigmentar ou outros critérios dermatoscópicos sugestivos de lesão melanocítica. Após questionamento adicional, a paciente relatou sangramento cíclico na lesão, correlacionado ao seu ciclo menstrual.

Figura 1.

Fotografia clínica mostrando lesão nodular bem delimitada, de coloração cinza‐azulada, localizada na linha média da cicatriz de cesariana.

Figura 2.

Imagem dermatoscópica mostrando fundo acastanhado sem estruturas (estrela azul) com massas de coloração variando do violáceo ao vermelho‐escuro (seta preta), vasos predominantemente puntiformes e áreas esbranquiçadas sem estruturas (círculo amarelo; luz polarizada, 10×).

Realizou‐se biopsia excisional, e o exame histopatológico confirmou o diagnóstico de endometriose cutânea (fig. 3). Avaliações por ultrassonografia e ressonância magnética não revelaram outras patologias além da lesão descrita. A paciente foi encaminhada ao serviço de ginecologia e tratada com sucesso por meio de excisão cirúrgica completa.

Figura 3.

Glândulas endometriais circundadas por estroma endometrial na derme (Hematoxilina & eosina, 400×).

Endometriose cutânea define‐se pela implantação ectópica de tecido endometrial glandular e/ou estromal na pele e representa manifestação rara, correspondendo a menos de 1% de todos os sítios de endometriose ectópica. Classifica‐se convencionalmente em endometriose cutânea primária, que se desenvolve na ausência de procedimentos cirúrgicos prévios, e endometriose cutânea secundária, que surge mais frequentemente associada a cirurgias abdominais anteriores.2 A endometriose em cicatriz cirúrgica decorrente de cesariana tem sido relatada com frequência crescente nos últimos anos, tendência amplamente atribuída ao aumento do número de partos por cesariana.3

A contaminação intraoperatória é reconhecida como fator importante na patogênese da endometriose em cicatriz de cesariana, particularmente quando materiais utilizados no fechamento uterino são posteriormente empregados nas camadas da parede abdominal, propiciando a transferência de células endometriais.4 As estratégias preventivas envolvem, principalmente, a manutenção de uma separação rigorosa dos materiais cirúrgicos entre os planos teciduais, evitando a reutilização de instrumentos e realizando a irrigação minuciosa do campo operatório antes do fechamento.5,6

Nesse contexto, a endometriose surgida em cicatriz de cesariana deve ser considerada no diagnóstico diferencial de lesões em cicatrizes cirúrgicas, incluindo granuloma, hematoma, hérnia incisional, formação de queloide e neoplasia maligna.2,7

A dermatoscopia fornece informações complementares na avaliação da endometriose cutânea, embora as características dermatoscópicas observadas possam variar dependendo de fatores como localização da lesão, profundidade, características histológicas e fototipo da paciente, o que pode dificultar o reconhecimento de padrão dermatoscópico consistente.8

Os achados dermatoscópicos de endometriose cutânea em cicatriz de cesariana relatados anteriormente são escassos. Tognetti et al.9 descreveram linhas arboriformes pigmentadas, estruturas granulares sobre fundo cinza, pontos brilhantes e elementos acastanhados em alvo; nenhum desses achados foi observado no presente caso. Da mesma maneira, a lesão relatada por Jaimie et al., caracterizada por pigmentação avermelhada homogênea e sem estruturas definidas, além de áreas sem estrutura acastanhadas, diferiu dos presentes achados tanto clínica quanto dermatoscopicamente.10

Embora Costa et al.8 tenham relatado projeções polipoides eritêmato‐violáceas com manchas arredondadas castanho‐claras e alterações cíclicas relacionadas à fase menstrual, a presente lesão não apresentava projeções papilomatosas; em vez disso, exibia múltiplas massas de coloração violácea a vermelho‐escuro sobre um fundo predominantemente acastanhado a pálido, sem estrutura. Observaram‐se também numerosos vasos puntiformes, alguns parcialmente circundados por áreas esbranquiçadas sem estrutura, resultando em um arranjo reticular sutil, o que parece ser consistente com o padrão descrito por Yang et al.11, caracterizado principalmente por vasos puntiformes envoltos por uma rede reticular branca.

Este relato de caso contribui para a literatura limitada sobre as características dermatoscópicas da endometriose cutânea e reforça a raridade dessa condição.

ORCID ID

Ergün Tercan: 0000‐0001‐5537‐3857

Peyker Temiz: 0000‐0001‐6308‐0157

Can Tercan: 0000‐0003‐1325‐6294

Muhammet Canbulut: 0009‐0005‐0664‐3765

Cemal Bilaç: 0000‐0001‐8850‐2168

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Şule Yıldız Sağcan Tercan: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica da literatura, análise e interpretação; participação efetiva na orientação da pesquisa; revisão crítica do manuscrito, elaboração e redação do manuscrito.

Ergün Tercan: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica do manuscrito, elaboração e redação do manuscrito.

Peyker Temiz: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica do manuscrito.

Can Tercan: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica do manuscrito.

Muhammet Canbulut: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica do manuscrito.

Cemal Bilaç: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica do manuscrito.

Disponibilidade de dados de pesquisa

Não se aplica.

Conflito de interesses

Nenhum.

Editor

Neusa Yuriko Sakai Valente

Referências
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Como citar este artigo: Sağcan Tercan SY, Tercan E, Temiz P, Tercan C, Canbulut M, Bilaç C. Dermoscopic features of cutaneous endometriosis arising in a caesarean section. An Bras Dermatol. 2026;101. https://doi.org/10.1016/j.abd.2026.501440

Trabalho realizado no Departamento de Dermatologia e Venereologia, Manisa Celal Bayar University, Manisa, Turquia.

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