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Vol. 101. Issue 4.
(July - August 2026)
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Vol. 101. Issue 4.
(July - August 2026)
Cartas ‐ Dermatopatologia
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Carcinoma linfoepitelioma‐símile com manifestação cutânea exuberante: correlação clinicopatológica em um caso agressivo

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Alice Brandão Menezes Rochaa,
Corresponding author
alicecurso96@gmail.com

Autor para correspondência.
, Airton Kenji Motizukib, Renata Mie Oyama Okajimaa, Josie Eiras Bisi dos Santosa, Matheus Fonseca Barbosab
a Ambulatório de Dermatologia Prof. Miguel Saraty de Oliveira, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde II, Universidade do Estado do Pará, Belém, PA, Brasil
b Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém, PA, Brasil
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Prezado Editor,

Carcinomas linfoepiteliais (CLE) são tumores malignos raros e pouco diferenciados, caracterizados por padrão histológico típico de intenso infiltrado linfoplasmocitário reativo associado a células epiteliais neoplásicas.1–3 Embora classicamente descritos na nasofaringe, esses tumores podem surgir em outros órgãos, como glândulas salivares (em especial, a parótida e submandibular), timo, amígdalas e colo do útero. A manifestação cutânea primária ou secundária dessa neoplasia é extremamente incomum e pouco documentada na literatura.1–3

Paciente do sexo masculino, de 75 anos, com história de edema e dor em região mandibular direita havia cerca de um ano, evoluindo com lesões nodulares que apresentaram crescimento progressivo, estendendo‐se para região cervical anterior e posterior e tórax anterior e posterior, sem evidências clínicas de comprometimento nasofaríngeo. Relatava ainda perda ponderal, astenia e inapetência. Ao exame dermatológico, observavam‐se placas e nódulos eritêmato‐violáceos, infiltrados, com superfície brilhante e contornos irregulares na região mandibular, cervical anterior e posterior e tórax anterior e posterior, com linfonodomegalia cervical e axilar associados (fig. 1A e B).

Figura 1.

Carcinoma linfoepitelioma‐símile. Placa eritêmato‐violácea infiltrada, de superfície brilhante estendendo‐se desde a região mandibular até o tórax anterior e posterior à direita.

Foi realizada biopsia cutânea, cujo exame histopatológico evidenciou neoplasia maligna de padrão epitelioide invasivo, associada a intenso infiltrado linfocitário (fig. 2); tecido celular subcutâneo não representado na amostra. Diante desses achados, foi indicada a realização de estudo imuno‐histoquímico. Este, por sua vez, demonstrou positividade para AE1/AE3, EMA, EP4 (focal), p40 (fraco), além de negatividade para CD45, RA, S100, CK7, CK20 e CD30, favorecendo o diagnóstico de carcinoma linfoepiteliom‐símile (CLES). Ressalta‐se que o CD45 evidenciou positividade apenas no infiltrado linfocitário reacional, permanecendo negativo nas células neoplásicas epiteliais, achado compatível com a predominância linfocitária característica do infiltrado dessa neoplasia (fig. 3). Além disso, a amostra demostrou positividade difusa para EBER pelo método de hibridização in situ.

Figura 2.

Características histopatológicas do carcinoma linfoepitelioma‐símile. (A) Neoplasia intradérmica de crescimento expansivo, sem conexão com a epiderme e localizada, principalmente, na derme. (B–C) Neoplasia epitelioide maligna, com intenso infiltrado inflamatório predominantemente linfocitário. (D) Células epiteliais malignas com núcleos pleomórficos, nucléolos evidentes e mitoses atípicas(Hematoxilina & eosina; A: 40×, B–C: 100×, D: 400×).

Figura 3.

Análise imuno‐histoquímica demonstrando positividade para EMA (A, 400×), p40 (B, 400×), CD45 (C, 400×) e hibridização in situ por EBER (D, 400×).

Foram solicitados exames de imagem para investigação de sítio primário, e o paciente foi encaminhado para internação de urgência, pois apresentava comprometimento importante do estado geral. Entretanto, evoluiu a óbito em menos de uma semana após o atendimento inicial.

O CLE ocorre mais frequentemente na nasofaringe, embora também tenha sido descrito em outros sítios anatômicos, como glândulas salivares e estômago. O acometimento cutâneo é raro e pouco documentado na literatura, geralmente denominado lymphoepithelioma‐like carcinoma quando localizado em regiões extranasofaríngeas.1–3 Quando presentes, as manifestações cutâneas acometem geralmente a região de cabeça e pescoço, manifestando‐se como nódulos, placas ou pápulas eritematosas, com evolução progressiva ao longo de meses.4

A participação do vírus Epstein‐Barr (EBV) na patogênese do CLE cutâneo ainda não está completamente estabelecida; essa associação é mais bem descrita nos carcinomas originados da via aérea superior.2,5 Do ponto de vista histopatológico, observa‐se proliferação de células epiteliais malignas, com núcleos grandes e vesiculosos e nucléolos evidentes, imersas em infiltrado inflamatório reacional denso, composto predominantemente por linfócitos‐T e, ocasionalmente, plasmócitos. Esse padrão pode suscitar hipótese diagnóstica inicial de linfoma, além de outros diagnósticos diferenciais, como tumor de células dendríticas foliculares e carcinoma de Merkel.2 Nesse contexto, a imuno‐histoquímica é fundamental para confirmar a origem epitelial da neoplasia e excluir diagnósticos diferenciais, como linfomas (CD45 positivo) e melanomas (S100 positivo). No presente caso, a positividade para AE1/AE3 e EMA, associada à negatividade para CD45 nas células neoplásicas, confirma o diagnóstico de CLE.

A expressão difusa de EBER sugere associação com EBV e reforça a possibilidade de origem na via aérea superior, uma vez que essa relação é classicamente descrita nos carcinomas linfoepiteliais nasofaríngeos, menos frequente nos casos primariamente cutâneos. Adicionalmente, a apresentação clínica exuberante, associada à linfonodomegalia e ao comprometimento sistêmico, levanta fortemente a hipótese de doença metastática. Embora o exame histopatológico não tenha evidenciado células tumorais no interior dos vasos sanguíneos representados, a amostra obtida por biopsia corresponde à área limitada em relação à extensão clínica da lesão, o que restringe conclusões definitivas quanto à origem do tumor. Não foram identificadas evidências clínicas de acometimento nasofaríngeo no momento da avaliação; entretanto, em função do óbito precoce do paciente, não foi possível completar a investigação sistêmica por métodos de imagem, configurando limitação relevante do caso e impedindo a determinação inequívoca do sítio primário da neoplasia.

O tratamento do CLE envolve, principalmente, a ressecção cirúrgica ampla, podendo ser associada à radioterapia em casos de recidiva ou metástases linfonodais.4 Considerando sua ampla variabilidade clínica e raridade das manifestações cutâneas, destaca‐se a importância do exame histopatológico e do estudo imunohistoquímico para a confirmação diagnóstica. A solicitação precoce desses exames pelo dermatologista é essencial para reduzir atrasos diagnósticos e viabilizar intervenções terapêuticas adequadas, minimizando o risco de desfechos desfavoráveis.

ORCID ID

Renata Mie Oyama Okajima: 0000‐0003‐2168‐5515

Josie Eiras Bisi dos Santos: 0000‐0001‐8512‐3920

Matheus Fonseca Barbosa: 0009‐0009‐8114‐5159

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Alice Brandão Menezes Rocha: Redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; aprovação final da versão final do manuscrito.

Airton Kenji Motizuki: Redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; obtenção, análise e interpretação dos dados; revisão crítica da literatura; aprovação final da versão final do manuscrito.

Renata Mie Oyama Okajima: Redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; aprovação final da versão final do manuscrito.

Josie Eiras Bisi dos Santos: Redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; aprovação final da versão final do manuscrito.

Matheus Fonseca Barbosa: Redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; obtenção, análise e interpretação dos dados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Disponibilidade de dados de pesquisa

Não se aplica.

Conflito de interesses

Nenhum.

Editor

Neusa Yuriko Sakai Valente

Referências
[1]
J.Y. Chan, E.W. Wong, S.K. Ng, A.C. Vlantis.
Non‐nasopharyngeal head and neck lymphoepithelioma‐like carcinoma in the United States: a population‐based study.
Head Neck., 38 (2016), pp. E1294-E1300
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C.C. Oliveira, V.C. Nóbrega, M.E.A. Marques.
Lymphoepithelioma‐like carcinoma of the skin.
An Bras Dermatol., 93 (2018), pp. 256-258
[3]
Y.J. Kim, H.S. Hong, S.H. Jeong, E.H. Lee, M.J. Jung.
Lymphoepithelial carcinoma of the salivary glands.
Medicine (Baltimore)., 96 (2017), pp. e6115
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T.M. Gille, E.F. Miles, A.O. Mitchell.
Lymphoepithelioma‐like carcinoma of the skin treated with wide local excision and chemoradiation therapy: a case report and review of the literature.
Case Rep Oncol Med., 2012 (2012), pp. 241816
[5]
J.H. Lee, S.H. Kim, S.H. Han, J.S. An, E.S. Lee, Y.S. Kim.
Clinicopathological and molecular characteristics of Epstein‐Barr virus‐associated gastric carcinoma: a meta‐analysis.
J Gastroenterol Hepatol., 24 (2009), pp. 354-365

Como citar este artigo: Rocha ABM, Motizuki AK, Okajima RMO, Santos JEB, Barbosa MF. Exuberant cutaneous lymphoepithelioma‐like carcinoma: clinicopathological correlation in an aggressive case. An Bras Dermatol. 2026;101:501412.

Trabalho realizado no Ambulatório de Dermatologia Prof. Miguel Saraty de Oliveira, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde II, Universidade do Estado do Pará, Belém, PA, Brasil.

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