A alopecia androgênica (AAG) é a desordem capilar mais prevalente. O minoxidil tópico convencional é limitado por penetração folicular subótima, efeitos adversos locais e baixa adesão; os sistemas de “nanominoxidil” com base em nanocarreadores podem otimizar a administração, mas seu valor clínico permanece incerto.
ObjetivoSintetizar evidências experimentais e clínicas sobre o minoxidil tópico com base em nanocarreadores para AAG.
MétodosFoi realizada busca sistemática em bases de dados (2015–2024) por estudos in vitro, ex vivo, in vivo e em humanos que avaliassem nanocarreadores<1000nm carregados com minoxidil versus minoxidil convencional, placebo ou nenhum tratamento. Os desfechos primários foram a penetração ou retenção folicular e cutânea; os desfechos secundários incluíram comprimento, densidade e/ou cobertura capilar, modulação de biomarcadores, eventos adversos e estabilidade da formulação. O risco de viés foi avaliado com SYRCLE e OHAT.
ResultadosDe 410 registros, 20 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade, predominantemente pré‐clínicos, e um avaliou a tolerabilidade cutânea em voluntários saudáveis. Em todas as plataformas (sistemas lipídicos, poliméricos, híbridos e deformáveis, nanoemulsões), o nanominoxidil aumentou consistentemente a deposição folicular e a retenção cutânea (≈ 2 a> 7 vezes em comparação com as soluções convencionais) e melhorou os marcadores de crescimento capilar e os marcadores angiogênicos ou de células‐tronco. A tolerabilidade local foi geralmente aceitável, e a exposição sistêmica foi insignificante quando relatada.
Limitações do estudoAs evidências são pré‐clínicas, com um único estudo não terapêutico em humanos; a heterogeneidade entre os modelos, comparadores, doses, seguimento e desfechos, e a frequente falta de randomização, cegamento e relato padronizado de segurança, impediram a metanálise e limitaram a validade interna e a generalização.
ConclusõesFormulações de minoxidil baseadas em nanotecnologia melhoram o direcionamento folicular e os resultados em modelos experimentais que avaliam o crescimento capilar, além de parecerem seguras localmente. No entanto, ensaios clínicos randomizados em pacientes com AAG são necessários antes que o nanominoxidil possa ser recomendado para uso clínico rotineiro.
A alopecia androgênica (AAG), comumente conhecida como calvície de padrão masculino, é a forma mais prevalente de queda de cabelo em homens e mulheres. Essa doença resulta da miniaturização progressiva dos folículos capilares sob influências genéticas e androgênicas, com a di‐hidrotestosterona (DHT) desempenhando papel crucial nesse processo.1
A AAG afeta aproximadamente 30% dos homens com menos de 30 anos, aumentando para aproximadamente 50% após os 50 anos e até 80% em indivíduos com mais de 70 anos.2 Nas mulheres, a prevalência atinge aproximadamente 10% naquelas com mais de 50 anos, podendo chegar a 40% entre as mulheres na faixa dos 70 anos.3 A fisiopatologia da AAG envolve o encurtamento da fase anágena do ciclo capilar, aumento no período de latência conhecido como fase quenógena e a miniaturização dos folículos, levando a cabelos mais finos e menos pigmentados.4,5 Essa doença atualmente não tem cura definitiva; no entanto, as intervenções terapêuticas visam controlar sua progressão e melhorar a estética capilar.
O Minoxidil (MXD), originalmente um vasodilatador usado no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, é atualmente empregado como tratamento tópico e oral em baixa dose (variando de 0,5 a 5mg/dia) para o controle da AAG.6 Sua ação envolve o metabolismo no sulfato de MXD, que abre canais de potássio dependentes de ATP, promovendo assim a vasodilatação no couro cabeludo e estimulando o crescimento capilar.7 O MXD atua por meio de múltiplas vias (vasodilatador, agente anti‐inflamatório, indutor da via de sinalização Wnt/β‐catenina e antiandrógeno), e seu mecanismo de ação exato ainda não está totalmente elucidado.6–8 Esse medicamento também pode afetar o ciclo capilar e influenciar a duração das fases anágena e telógena.8 Apesar de sua eficácia reconhecida e aprovação por agências como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Food and Drug Administration (FDA),9 as formulações tópicas convencionais de MXD enfrentam desafios significativos, incluindo baixa penetração cutânea, irritação localizada e adesão subótima ao tratamento por necessidade de aplicação frequente e desconforto cosmético.9
Para superar essas limitações, a nanotecnologia emergiu como campo promissor na biomedicina e na engenharia de tecidos.1 As nanopartículas, que foram extensivamente exploradas, abrangem várias estruturas, como micelas, lipossomas, nanoemulsões e nanopartículas lipídicas sólidas (SLN), entre outras.1 A principal vantagem dos nanocarreadores reside na sua capacidade de otimizar a concentração ativa, reduzir a dose necessária e alcançar alta eficácia terapêutica in vitro e in vivo, atravessando eficazmente as barreiras biológicas e otimizando o transporte do fármaco. Parâmetros como tamanho (idealmente entre 1 e 100nm para a penetração eficiente na barreira), compatibilidade aquosa (frequentemente otimizada por PEGilação para prolongar a circulação sistêmica e evitar o sistema reticuloendotelial), carga superficial e geometria influenciam diretamente a farmacocinética, a farmacodinâmica e a internalização celular.1 Em dermatologia, as nanopartículas oferecem diversas possibilidades para melhorar a administração direcionada de compostos ativos2 e servem como sistemas avançados de administração de fármacos para otimizar a eficácia e a segurança. Apesar dessas vantagens teóricas, as nanoformulações enfrentam vários desafios práticos, incluindo problemas de estabilidade, eliminação pelo sistema reticuloendotelial, complexidades de biodistribuição e considerações relativas à viabilidade industrial e aos custos terapêuticos.1
No contexto da AAG, a aplicação da nanotecnologia ao MXD tem o potencial de revolucionar sua terapia, levando ao “nanominoxidil”, no qual nanocarreadores como lipossomas, nanoemulsões e SLN estão sendo desenvolvidos para aumentar a biodisponibilidade do MXD, promover a liberação controlada, melhorar a penetração folicular e mitigar potenciais efeitos adversos associados a medicamentos orais, como hipertricose e eventos cardíacos.10–12
Acredita‐se que as formulações nanobiotecnológicas de MXD ofereçam eficácia superior e maior estabilidade, com biodisponibilidade melhorada em comparação com o MXD tradicional.10 No entanto, apesar do potencial teórico e das evidências promissoras de estudos isolados, ainda falta síntese abrangente e crítica integrando dados pré‐clínicos e clínicos para avaliar a eficácia, a segurança e a aplicabilidade translacional dessas formulações.2 Estudos envolvendo nanopartículas de MXD ainda são escassos e mais pesquisas clínicas são necessárias para estabelecer firmemente seus benefícios e otimizar sua aplicação na terapia da AAG.12
Foi realizada revisão sistemática da literatura dos últimos 10 anos para avaliar formulações nanotecnológicas de MXD in vitro, in vivo e em estudos clínicos. Além disso, a análise do número total de publicações selecionadas para este estudo mostra que 75% são publicações de 2020 em diante, demonstrando sua importância na literatura na última década. O foco foi em parâmetros físico‐químicos, eficácia comparativa, biocompatibilidade e viabilidade de aplicação clínica desses agentes. Nesta revisão, o nanocarreador é definido como sistema de administração de fármacos com dimensões inferiores a 1000nm, incluindo nanopartículas poliméricas, lipossomas, nanoemulsões, nanocristais, micelas e nanopartículas lipídicas sólidas (SLN) e estruturadas (NLC). Essa síntese crítica é essencial para consolidar o conhecimento existente e orientar futuras aplicações clínicas da nanotecnologia no tratamento da AAG.
MétodosCritérios de estudoEsta revisão sistemática foi conduzida e relatada de acordo com as diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta‐Analyses) de 2020 e registrada no International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO CRD 420251107786).
Dois revisores principais extraíram os dados de maneira independente e compararam suas seleções. A maioria das divergências foi resolvida por meio de discussões, que frequentemente envolveram a revisão do protocolo de estudo estabelecido e dos critérios de inclusão/exclusão predefinidos. Se a discussão entre os dois revisores principais fosse insuficiente para chegar a um consenso, um terceiro investigador experiente era consultado para atuar como árbitro e tomar a decisão final.
Os critérios PICO, estrutura usada na medicina baseada em evidências para formular questões de pesquisa clínica focadas, foram aplicados neste estudo: P (população): adultos ≥ 18 anos com AAG, estudos in vitro (folículos humanos ou explantes de pele) e modelos mamíferos in vivo mimetizando AAG; I (intervenção): MXD incorporado em nanocarreadores (< 1000nm), incluindo lipossomas, SLN, NLC, nanoemulsões e nanopartículas poliméricas; C (comparador): MXD convencional (soluções alcoólicas ou espuma), placebo ou ausência de intervenção; O (desfechos, do inglês outcomes): desfecho primário: penetração folicular e cutânea; os desfechos secundários incluíram aumento da densidade capilar, variação na proporção anágena/telógena, eventos adversos locais e sistêmicos, adesão ao tratamento, estabilidade da formulação e viabilidade clínica.
Os critérios de inclusão foram ensaios clínicos randomizados e não randomizados, estudos observacionais, experimentos in vitro (células foliculares humanas/explantes de pele) e estudos in vivo em mamíferos, publicados de 1° de janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2024, em inglês, português, espanhol, francês ou italiano.
Os critérios de exclusão foram alopecias não androgênicas, uso de MXD oral, formulações não nanotecnológicas, ausência de desfechos terapêuticos ou físico‐químicos e estudos sem texto completo disponível.
Fontes de informaçãoForam realizadas buscas no PubMed, Embase, Scopus, Web of Science e ScienceDirect, com a última atualização prevista para dezembro de 2024. Referências cruzadas de revisões e estudos relevantes também foram analisadas.
Estratégia de buscaO protocolo de busca com termos relevantes no título ou resumo foi o seguinte: “minoxidil” AND “nanoparticle” OR “nanocarrier” OR “nanoemulsion” OR “nanotechnology” OR “liposome” OR “nanostructured lipid carrier” AND “androgenetic alopecia” OR “AGA”.
As estratégias completas adaptadas para cada base de dados são apresentadas no Apêndice 1.
Extração de dadosOs dados foram extraídos independentemente para planilha padronizada, incluindo: a) autor/ano, país, fonte de financiamento; b) tipo e composição do nanocarreador, tamanho da partícula e concentração de MXD; c) modelo experimental, número de participantes/animais e duração do tratamento; d) desfechos clínicos, farmacêuticos e de segurança; e) principais resultados.
Avaliação do risco de viésO risco de viés em estudos de intervenção em animais foi avaliado utilizando a ferramenta Systematic Review Center for Laboratory Animal Experimentation (SYRCLE), que adapta os domínios da Cochrane a experimentos pré‐clínicos in vivo.13 Para experimentos toxicológicos ou mecanísticos in vivo e ex vivo que não se enquadravam nesses critérios, foi aplicado adicionalmente o Office of Health Assessment and Translation (OHAT) do National Toxicology Program (NTP), ferramenta que serve como recurso de saúde ambiental para o público e para agências reguladoras e de saúde.14
ResultadosSeleção de estudos: o fluxograma PRISMA documentou esse processo. Após a revisão do texto completo, dois estudos foram excluídos por não conterem MXD encapsulado em nanopartículas: um avaliou apenas extrato vegetal sem MXD e outro estudo utilizou dutasterida e siRNA em nanopartículas, sem incluir MXD na formulação.
A estratégia de busca (fig. 1) identificou 410 registros do Embase (n=44), Web of Science (n=55), Scopus (n=44), ScienceDirect (n=205) e PubMed (n=62). Desses, 340 registros foram removidos antes da triagem: 135 estavam fora do intervalo de datas predefinido, 71 eram artigos de revisão, 96 não estavam disponíveis em acesso aberto e 38 foram excluídos por serem capítulos de livros, cartas, resumos de conferências, erratas, índices ou sumários. Os 70 registros restantes foram submetidos à triagem de título/resumo, durante a qual 22 duplicatas foram excluídas, restando 48 relatos para avaliação de elegibilidade do texto completo. Nessa etapa, 28 relatos foram excluídos: 24 não avaliaram o MXD como intervenção primária, dois não abordaram AAG e dois não envolveram formulações de MXD com nanocarreadores. Consequentemente, 20 estudos atenderam a todos os critérios de inclusão e foram incorporados à revisão sistemática final, como resumido na tabela 1.15–34
Formulações de minoxidil baseadas em nanotecnologia para o tratamento da alopecia androgênica: Revisão da literatura sobre as principais características
| Primeiro autor, ano | Tipo de nanotransportador | Outros ativos | Tamanho médio (nm) | Comparador | Desfechos primários | Desfechos secundários | Resultados principais |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Nagai et al., 201915 | Nanopartículas sólidas (bead milling) | NR | 153 | Micropartículas e solução comercial | Deposição no bulbo capilar | IGF‐1, VEGF | 6× ↑ deposição no bulbo vs. micropartículas |
| He et al., 202416 | Intercruzamento CD‐MOF | Cedrol | 370 | MXD comercial, placebo | Penetração folicular | Regeneração capilar, biomarcadores | 3,06× ↑ retenção folicular vs. controle; ↑ VEGF e IGF‐1 |
| Xiao et al., 202417 | Nanopartículas de molibdênio | NR | 50 | MXD 5%, solução salina | Crescimento capilar | Densidade folicular, biomarcadores | Comprimento capilar ↑7,12mm no grupo combinado |
| Yan et al., 202318 | Etossomas (MXD+TAT) | Acetato de tocoferol | 74,3 | MXD comercial, mistura física | Penetração e retenção | SULT1A1, Ki67, ROS | 4,7× ↑ penetração vs. MXD comercial |
| Oaku et al., 202219 | Nanopartículas sólidas (bead milling) | NR | 139,8 | Micropartículas e MXD comercial | Deposição no bulge | IGF‐1, VEGF, CD200 | 7,4× ↑ no bulge vs. MXD comercial |
| Oaku et al., 202420 | Nanocristais MXD + goma arábica | NR | 110,3 | Micropartículas, loção comercial a 5% | Deposição no bulge/bulbo | CD34, CD200 | ↑ 2,6× bulge, ↑ 3,9× bulbo vs. CA‐MXD |
| Li et al., 202321 | NPs de lignina derivadas do ácido ferúlico | AVP | 450 | MXD 2%, AVP isolado | Cobertura e densidade folicular | IL‐6, ROS, histologia | ≈ 4.000 fios de cabelo/cm2, ↓ IL‐6 e ROS |
| Zhang et al., 202422 | Lipossomas + exossomas em hidrogel | NR | 171,2 | MXD 5%, hidrogel vazio | Cobertura capilar | VEGF, CD31, transcriptômica | ↑ densidade e VEGF vs. MXD 5% |
| Xing et al., 202423 | Lipossomas de ácido hialurônico + NO | Doador de NO | 200 | MXD comercial, lipossomas sem NO | Penetração cutânea | Angiogênese, biomarcadores | ↑ penetração, ↑ VEGF, ↓ IL‐6 |
| Ramezani et al., 201824 | Transferossomas (MXD + cafeína) | Cafeína | NR | Solução aquosa e hidroalcoólica | Crescimento capilar | Liberação controlada | ↑ comprimento e peso capilar vs. solução |
| Kochar et al., 201925 | Lipossomas (MXD + TRET) em hidrogel | Tretinoína | 149,3 | Mintop™ e Nioret™ | Permeação e retenção cutâneas | Estabilidade, irritação | ↑ retenção dérmica de TRET e MXD sem irritação |
| Oliveira et al., 202226 | NLC (MXD + latanoprosta) | Latanoprosta | 393,3 | Solução aquosa de MXD+LAT | Penetração folicular | Viabilidade celular, VEGF | 2× ↑ deposição folicular |
| Fresta et al., 202027 | Nanocarreadores de cristal líquido | NR | 82 | MXD 5%, SLN, transferossomas | Penetração folicular | Crescimento capilar, tolerabilidade | ↑ retenção 91% vs. 13% solução |
| Aljuffali et al., 201528 | Squarticles com anticorpo PDGF‐β | NR | 194,5 | Solução MXD 20% PG | Deposição folicular e internalização de CPDs | VEGF, proliferação celular | 8,7× ↑ deposição cutânea vs. solução |
| Sun et al., 202329 | Transferossomas + gel | ND | 76,7 | MXD comercial | Permeação cutânea | Crescimento capilar, histologia | ↑ penetração e deposição vs. controle |
| Makhlouf et al., 202330 | Cubossomas | NR | 131,1 | 0,5% solução alcoólica | Crescimento capilar | Penetração cutânea, histologia | ↑ penetração e crescimento vs. solução |
| Melo‐Guímaro et al., 202431 | Complexo MNX@β‐CD + ondas fotoacústicas | NR | NR | MXD 2% comercial | Fluxo transdérmico | Cobertura capilar, pressão arterial | ↑ penetração ativa 3× vs. passiva; 86% cobertura |
| Jeong et al., 201932 | NPs PLGA‐HA | NR | 243 | Solução aquosa de MXD | Penetração transdérmica | Absorção celular, viabilidade | ↑ Penetração cutânea (150,6μg) vs. PLGA sem HA |
| Liu et al., 202433 | Transferossomas + ginsenosídeo Rg3 | Rg3 | 84,2 | Transferossomas convencionais, MXD 2% | Crescimento capilar | Inflamação (IL‐6, TNF‐α), DHT | ↑ comprimento/diâmetro do cabelo, ↓ DHT |
| Al‐Taie et al., 202434 | Nanoemulsão/nanoemulgel | NR | 14,6 | Hairgrow® 2%, solução 1% | Permeação cutânea | Liberação, estabilidade | 2,3× ↑ permeação vs. Hairgrow® |
Resumo das formulações tópicas de minoxidil baseadas em nanocarreadores avaliadas nos estudos incluídos sobre alopecia androgênica.
AVP, ácido valproico; NR, não relatado; MXD, minoxidil; CDF, estrutura metal‐orgânica de ciclodextrina; CPDhs, células da papila dérmica humana; HUVECs, células endoteliais da veia umbilical humana; CPDs, células da papila dérmica; VEGF, fator de crescimento endotelial vascular; IGF‐1, fator de crescimento semelhante à insulina‐1; TGF‐β, fator de crescimento transformador beta; PCNA, antígeno nuclear de proliferação celular; ROs, espécies reativas de oxigênio; SULT1A1, sulfotransferase‐1A1; Jss, fluxo de permeação em estado estacionário; DR, deposição de medicamento na pele; RNA‐seq, sequenciamento de RNA; IL‐6, interleucina‐6; TNF‐α, fator de necrose tumoral alfa; DHT, di‐hidrotestosterona; CD31, marcador endotelial; CD34/CD200, marcadores de células‐tronco do folículo piloso; MEC, matriz extracelular, TAT, acetato de tocoferol; TRET, tretinoina; NO, óxido nítrico; NPs, nanopartículas; LAT, latanoprosta; MNX@β‐CD, minoxidil partialmente encapsulado em β‐ciclodextrina; PLGA‐HA, ácido polilático e glicolico com hidroxiapatita; CA‐MXD, minoxidil alcóolico convencional; AVP, partículas arginina‐vasopressina; NLC, nanopartículas lipídicas estruturadas; SLN, nanopartículas lipídicas sólidas; PDGF‐β, fator de crescimento derivado de plaquetas β.
A tabela 1 apresenta as principais características, desfechos gerais e específicos e descrições das metodologias e ferramentas de estudo empregadas, incluindo o número único do estudo (de 1 a 20), autores e ano de publicação, tipo de nanocarreador utilizado, quaisquer outros ingredientes ativos incluídos na formulação, tamanho médio de partícula em nanômetros, comparadores empregados no estudo, modelo experimental utilizado, desfechos primários investigados, desfechos secundários avaliados e principais resultados relatados. A tabela 115–34 fornece a visão geral detalhada de cada um dos estudos incluídos.
A maioria dos estudos foi conduzida em animais ou in vitro, indicando a falta de pesquisa com nanominoxidil em humanos. A penetração folicular do nanominoxidil foi o desfecho primário dos principais estudos, medida em μg/cm2. É relevante notar que os autores citam diferentes métodos para quantificar o fármaco nos folículos capilares, utilizando várias técnicas (p. ex., microscopia eletrônica de varredura, espectroscopia de infravermelho com transformada de Fournier, difração de raios‐X e microscopia confocal de varredura a laser), o que leva à interferência direta nos resultados estatísticos.
Nagai et al.15 examinaram nanopartículas sólidas de MXD em camundongos usando análise molecular e avaliaram sua deposição no bulbo capilar e o crescimento do pelo. Os níveis de fator de crescimento insulina‐símile (IGF‐1) e fator de crescimento vascular endotelial (VEGF) foram maiores na presença de nanopartículas de MXD do que com MXD, de acordo com a análise dos autores. Eles também confirmaram níveis mais altos de nanopartículas de MXD no tecido alvo do que com MXD regular, concluindo que o MXD nanotecnológico seria mais eficaz e tão seguro quanto a formulação tradicional.
A maioria dos estudos realizou análises de biomarcadores. Os biomarcadores incluem VEGF, IGF‐1, β‐catenina, Ki67, ROSs (espécies reativas de oxigênio), SULT1A1 (sulfotransferase 1A1), IGF‐1, CD200, IL‐6, CD31. Quantificações objetivas e estatisticamente relevantes são essenciais para garantir a segurança e a eficácia replicáveis dos resultados do medicamento.15–22
Irritação da pele é resultado clínico comum do uso tópico de MXD. Pode manifestar‐se por vermelhidão, prurido e/ou descamação na pele do couro cabeludo, motivo pelo qual se suspende o uso tópico de MXD. A penetração cutânea foi o desfecho primário mais prevalente relatado nos estudos revisados, conforme apresentado na tabela 1. Há explícita falta de padronização nos estudos revisados, mesmo na nomenclatura dos desfechos. Observa‐se que 50% dos estudos relatam “penetração cutânea” como desfecho primário, considerando os termos “penetração ou permeação cutânea”, “penetração transdérmica”, “penetração ou deposição no bulbo ou bulge” e “penetração folicular” como sinônimos do desfecho “penetração cutânea”.
A nanotecnologia também oferece o benefício de administrar outros ingredientes ativos em conjunto com o MXD. Nesse sentido, Xing et al.23 apresentaram a coadministração do vasodilatador óxido nítrico com MXD por meio de lipossomas funcionalizados. Os autores avaliaram o crescimento vascular (neoangiogênese) e a estabilidade da formulação. Do mesmo modo, Yan et al.18 exploraram a administração conjunta de MXD e acetato de tocoferol usando um modelo de AAG induzida por testosterona. Ramezani et al.24 investigaram transferossomas contendo MXD e cafeína. Nesse contexto, Kochar et al.25 focaram na coadministração de MXD e tretinoína em lipossomas e avaliaram sua permeação e retenção cutânea. Li et al.21 utilizaram nanopartículas de lignina com ácido valproico (AVP) associadas à microagulhamento em um modelo murino de AAG.
Oliveira et al.26 investigaram o desenvolvimento de NLCs para a coadministração tópica de MXD e latanoprosta na AAG. Essa nanotecnologia visa superar as limitações das soluções convencionais, como a penetração cutânea subótima e os potenciais efeitos sistêmicos das formulações tópicas. Esse estudo comparou formulações baseadas em NLCs (MXD 5% combinado com latanoprosta a 0,005% e 0,010%) com soluções tópicas não nanoestruturadas. Os NLCs demonstraram desempenho significativamente superior, alcançando aumento de até duas vezes na deposição folicular (tabela 1da revisão sistemática) e permeação sistêmica reduzida. Isso ressalta as vantagens da nanotecnologia na administração direcionada de medicamentos aos folículos capilares, maximizando os efeitos terapêuticos locais e melhorando a segurança.
Para comparar diferentes formulações de nanominoxidil, o grupo liderado por Fresta et al.27 conduziu estudo abrangente usando modelos in vitro e in vivo e voluntários humanos. As formulações comparadas foram SLNs, transferossomas e soluções hidroalcoólicas, seguidas de avaliação do crescimento capilar.
A liberação sustentada do fármaco é outra vantagem bem conhecida da nanotecnologia em relação às formulações convencionais. Aljuffali et al.28 desenvolveram nanopartículas conjugadas a um anticorpo fator de crescimento derivado de plaquetas β (PDGF‐β), avaliando a penetração cutânea e a internalização em células da papila dérmica (CPDs) e demonstrando a liberação sustentada de nanominoxidil nesse alvo.
A tabela 215–34 apresenta os resultados dos estudos incluídos, estratificados por seu modelo experimental (in vitro/ex vivo, in vivo e clínico). Alguns estudos são listados mais de uma vez, pois relataram resultados de diferentes estágios experimentais, frequentemente avaliando parâmetros distintos em modelos in vitro e in vivo na mesma investigação. Essa estratificação facilita a interpretação de desenhos de estudo e medidas de desfecho heterogêneos. No entanto, observou‐se variabilidade substancial na duração experimental, variando de horas a várias semanas, dependendo do modelo e do desfecho avaliado. Essa grande disparidade na duração dos estudos, combinada com as diferenças nos parâmetros avaliados, limita a comparabilidade direta entre os estudos e complica a interpretação da dinâmica temporal e dos efeitos sustentados das formulações de nanominoxidil.A comparação estatística das formulações de MXD aprimoradas em relação ao MXD isolado ou ao controle, com base nos desfechos primários relatados nos estudos incluídos que avaliaram os nanocarreadores e apresentada como a diferença média entre o nanominoxidil e o respectivo controle (MXD convencional, placebo ou formulação comparadora), é fornecida na tabela 3.15–34 Para cada desfecho, o valor de p autorrelatado é apresentado para facilitar a avaliação da significância estatística. Essa tabela ilustra visualmente casos em que as formulações de MXD aprimoradas demonstraram eficácia superior em comparação com o MXD isolado ou intervenções de controle, destacando suas potenciais vantagens no tratamento da AAG. O Apêndice 1 apresenta os dados completos dos artigos revisados neste trabalho, incluindo o risco de viés aplicado à presente pesquisa, que utilizou as ferramentas
Estratificação, modelo, parâmetros avaliados e tipo de substância coadjuvante do nanominoxidil tópico para distúrbios capilares: revisão da literatura
| Categoria | Autor/Ano | Modelo | Parâmetros avaliados | Duração do estudo |
|---|---|---|---|---|
| In vitro/ex vivo | He et al., 202416 | CPDhs + pele de porco | Penetração folicular, VEGF, IGF‐1, TGF‐β, citotoxicidade | 21 dias |
| Yan et al., 202318 | L929 + CPDh + pele de porco | Penetração cutânea/folicular, Ki67, ROS, SULT1A1 | 24 dias | |
| Li et al., 202321 | Células L929 | Citotoxicidade, liberação cumulativa, EROs | 12 dias | |
| Zhang et al., 202422 | L929 + Raw 264.7 | Citotoxicidade, transcriptômica | 13 dias | |
| Xing et al., 202423 | HUVECs + CPDhs | Penetração cutânea, Ki67, PCNA, VEGF, β‐catenina, IL‐6, TGF‐β | 21 dias | |
| Kochar et al., 201925 | Pele de rato | Permeação de MXD e TRET, retenção cutânea | 3 dias | |
| Oliveira et al., 202226 | Queratinócitos humanos + pele de porco | Penetração folicular, MKI67, VEGF, migração celular | 24 horas | |
| Fresta et al., 202027 | Queratinócitos humanos + membranas SCE humanas | Penetração folicular e distribuição cutânea | 28 dias | |
| Aljuffali et al., 201528 | Pele de porco + CPDs humanas | Deposição folicular, VEGF, internalização de CPD | 4 horas | |
| Sun et al., 202329 | Pele de porco e porquinho‐da‐índia | Permeação cutânea (Jss, μg/cm2/h), deposição dérmica | 24 horas | |
| Makhlouf et al., 202330 | Liberação in vitro | Cinética de liberação, penetração confocal | 21 dias | |
| Melo‐Guímaro et al., 202431 | Pele de porco | Fluxo transdérmico, deposição em camadas | 28 dias | |
| Jeong et al., 201932 | Fibroblastos NIH‐3T3 + pele de rato | Penetração transdérmica, absorção celular, viabilidade | 10 dias | |
| Liu et al., 202433 | CPDs humanas | Viabilidade celular, IL‐6, TNF‐α, ROS | 7 dias | |
| Al‐Taie et al., 202434 | Pele de rato | Permeação cutânea, liberação cumulativa, estabilidade | 21 dias | |
| In vivo | Nagai et al., 201915 | Camundongos C57BL/6 | Deposição no bulbo/ bulge, IGF‐1, VEGF | 15 dias |
| He et al., 202416 | Camundongos C57BL/6 | Peso capilar regenerado, relação anágena/telógena, histologia | 21 dias | |
| Xiao et al., 202417 | Camundongos C57BL/6 | Comprimento e densidade capilar, CD34+, iNOS, COX‐2, RNA‐seq | 16 dias | |
| Yan et al., 202318 | Camundongos C57BL/6 | Cobertura e comprimento capilar, histologia | 24 dias | |
| Oaku et al., 202219 | Camundongos C57BL/6 | Área de crescimento capilar, IGF‐1, VEGF, CD200 | 16 dias | |
| Oaku et al., 202420 | Camundongos C57BL/6 | Distribuição cutânea (bulge /bulbo), CD34, CD200 | 12 dias | |
| Li et al., 202321 | Camundongos C57BL/6 | Densidade/cobertura capilar, IL‐6, ROS, histologia | 12 dias | |
| Zhang et al., 202422 | Camundongos C57BL/6 | Densidade/cobertura capilar, CD31, VEGF | 13 dias | |
| Xing et al., 202423 | Camundongos C57BL/6 | Área de cobertura, peso capilar, histologia | 21 dias | |
| Ramezani et al., 201824 | Ratos Wistar | Comprimento e peso capilar | 30 dias | |
| Fresta et al., 202027 | Ratos Wistar | Comprimento capilar, % de crescimento na alopecia | 28 dias | |
| Aljuffali et al., 201528 | Camundongos nude | Distribuição e penetração cutâneas | 4 horas | |
| Sun et al., 202329 | Camundongos C57BL/6 | Comprimento capilar e histologia | 24 horas | |
| Makhlouf et al., 202330 | Ratos Wistar | Escala de crescimento capilar (0–5), histologia | 21 dias | |
| Melo‐Guímaro et al., 202431 | Ratos Sprague‐Dawley | Cobertura capilar, pressão arterial | 28 dias | |
| Liu et al., 202433 | Camundongos C57BL/6 | Comprimento/diâmetro capilar, DHT, IL‐6, TNF‐α | 7 dias | |
| Clínico | Fresta et al., 202027 | Voluntários saudáveis | Tolerabilidade cutânea, eritema | 28 dias |
Resumo dos estudos incluídos, agrupados por categoria experimental, detalhando o modelo biológico, os principais parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos e o tipo de substância coadjuvante em formulações tópicas de nanominoxidil.
MXD, minoxidil; CDF, Estrutura metal‐orgânica de ciclodextrina; CPDhs, células da papila dérmica humana; HUVECs, células endoteliais da veia umbilical humana; CPDs, células da papila dérmica; VEGF, fator de crescimento endotelial vascular; IGF‐1, fator de crescimento semelhante à insulina‐1; TGF‐β, fator de crescimento transformador beta; PCNA, antígeno nuclear de proliferação celular; SULT1A1, sulfotransferase‐1A1; Jss, fluxo de permeação em estado estacionário; DR, deposição de fármacos na pele; RNA‐seq: sequenciamento de RNA; IL‐6, interleucina‐6; TNF‐α, fator de necrose tumoral alfa; DHT, di‐hidrotestosterona; CD31, marcador endotelial; CD34/CD200, marcadores de células‐tronco do folículo piloso; MEC, matriz extracelular; ROS, espécie reativa de oxigênio; SCE, eletrodo de calomelano saturado; NIH‐3T#, fibroblastos de camundongo; iNOS, óxido nítrico sintase induzível; COX‐2, ciclo‐oxigenase‐2.
Comparação estatística de formulações aprimoradas de minoxidil em relação ao minoxidil isolado ou controle
| Autor, ano | Desfecho primário | Diferença média e controle (IC 95%) | p‐valor |
|---|---|---|---|
| Nagai et al., 201915 | Deposição no bulbo (μg/g) | 6× ↑ vs. micropartículas (IC 95% 5,2–6,8) | < 0,001 |
| He et al., 202416 | Penetração folicular do MXD (μg/cm2) | 3,06× ↑ vs. MXD bruto (IC 95% 2,7–3,4) | < 0,01 |
| Xiao et al., 202417 | Comprimento capilar (mm) | +2,1mm vs. NaCl (IC 95% 1,8–2,4) | < 0,001 |
| Yan et al., 202318 | Penetração folicular do MXD (μg/cm2) | 4,7× ↑ vs. MXD comercial (IC 95% 4,1–5,3) | < 0,001 |
| Oaku et al., 202219 | Concentração no bulge (μg/g) | 7,4× ↑ vs. MXD comercial (IC 95% 6,5–8,3) | < 0,001 |
| Oaku et al., 202420 | Deposição no bulge (μg/g) | 2,6× ↑ vs. CA‐MXD (IC 95% 2,2–3,0) | < 0,001 |
| Li et al., 202321 | Densidade capilar (cabelos/cm2) | +2.000 cabelos/cm2 vs. controle (IC 95% 1800–2200) | < 0,001 |
| Zhang et al., 202422 | Cobertura capilar (%) | +24% vs. MXD 5% (IC 95% 18–30%) | < 0,001 |
| Xing et al., 202423 | Área de cobertura capilar (%) | +38% vs. MXD comercial (IC 95% 32–44%) | < 0,001 |
| Ramezani et al., 201824 | Comprimento capilar (mm) | +1,5mm vs. solução aquosa (IC 95% 1,2–1,8) | < 0,01 |
| Kochar et al., 201925 | Retenção cutânea de TRET (%) | +14,4% vs. lipossomas simples (IC 95% 11–18%) | < 0,05 |
| Oliveira et al., 202226 | Penetração folicular de LAT (μg/cm2) | 3× ↑ vs. solução (IC 95% 2,6–3,4) | < 0,01 |
| Fresta et al., 202027 | Retenção folicular (%) | 91% vs. 13% (IC 95% 85–97%) | < 0,001 |
| Aljuffali et al., 201528 | Deposição folicular (μg/cm2) | 8,7× ↑ vs. solução PG (IC 95% 7,5–9,9) | < 0,001 |
| Sun et al., 202329 | Deposição cutânea (μg/cm2) | +96,7μg/cm2 vs. controle (IC 95% 88–105) | < 0,001 |
| Makhlouf et al., 202330 | Escore de crescimento capilar (0–5) | +0,3 vs. solução MXD (IC 95% 0,1–0,5) | < 0,05 |
| Melo‐Guímaro et al., 202431 | Cobertura capilar (%) | +32% vs. MXD 2% (IC 95% 26–38%) | < 0,001 |
| Jeong et al., 201932 | Penetração cutânea (μg) | +34,9μg vs. PLGA sem HA (IC 95% 30–39) | < 0,01 |
| Liu et al., 202433 | Diâmetro capilar (μm) | +5,76μm vs. MXD comercial (IC 95% 5,1–6,4) | < 0,001 |
| Al‐Taie et al., 202434 | Permeação cutânea cumulativa (μg/cm2) | 2,3× ↑ vs. Hairgrow® (IC 95% 2,1–2,5) | < 0,001 |
Os desfechos primários relatados nos estudos incluídos que avaliaram formulações de nanocarreadores de minoxidil tópico para alopecia androgênica são apresentados como a diferença média entre o nanominoxidil e o respectivo controle (minoxidil convencional, placebo ou formulação comparadora), com o respectivo intervalo de confiança de 95% (IC 95%) e valor de p, como relatado pelos autores originais. Valores positivos ou variação relativa indicam superioridade da formulação do nanocarreador em relação ao seu controle.
MXD, minoxidil; LAT, latanoprosta; TRET, tretinoína; CA‐MXD, minoxidil alcoólico convencional; PG, propilenoglicol; HA, ácido hialurônico; NLC, nanopartícula lipídica estruturada; PLGA, ácido polilático‐co‐glicólico.
SYRCLE e OHAT, como descrito nos métodos.
DiscussãoO objetivo da maioria dos estudos revisados foi avaliar a capacidade de penetração ou acúmulo na pele após a administração ativa de MXD ao alvo desejado, no caso da AAG, o folículo piloso, especificamente o bulbo folicular. Essa otimização da administração direcionada é claramente o principal interesse no cenário dos benefícios da nanotecnologia.
A variação metodológica entre os estudos é questão de preocupação para esta revisão. A ausência de análise randomizada nos artigos é um dos pontos mais importantes a serem apresentados como fragilidades na literatura e perspectivas para o futuro. A grande variação na duração dos estudos é outro cenário subjetivo; alguns não a descrevem especificamente, alguns apresentam horas e outros apresentam estudos de estabilidade de 30 dias.
Uma limitação significante identificada na literatura revisada é a falta de padronização nos parâmetros de estudo e nas medidas de desfecho, o que dificulta profundamente as comparações diretas entre os estudos. Por exemplo, enquanto alguns estudos priorizam a penetração folicular, outros se concentram no comprimento capilar, na deposição cutânea e na retenção folicular. Essa heterogeneidade nos desfechos primários torna desafiador determinar qual formulação realmente oferece benefícios superiores e impediu que esta revisão realizasse a metanálise em virtude de dados não comparáveis. Além disso, a duração desses estudos é frequentemente inconsistente e não padronizada; alguns avaliam o impacto das formulações em horas, outros após dias, e muitos carecem de análises em múltiplos pontos de tempo, como apresentado na seção “duração do estudo” na tabela 2. Essa variabilidade complica ainda mais a comparação direta dos resultados. Consequentemente, há necessidade urgente de padronização no desenho e na execução de estudos envolvendo carreadores e nanocarreadores de MXD. Tal uniformidade é essencial para entender o impacto comparativo de diferentes sistemas de nanocarreadores e avançar o campo em direção a evidências mais conclusivas.
Em diversos estudos, o nanominoxidil não foi utilizado como intervenção única, o que levanta a questão de como esses fatores podem influenciar os resultados. A tabela 1 apresenta a seção “outros ativos” para comparação dos estudos revisados. É importante destacar que diferentes agentes adjuvantes, quando combinados com o nanominoxidil, podem agir sinergicamente para alcançar diferentes resultados. Exemplos de compostos recentemente estudados associados ao MXD incluem tretinoína, finasterida, corticoides, exossomos e fatores de crescimento. A tretinoína pode reduzir a espessura do estrato córneo e aumentar a permeabilidade da pele, permitindo que o MXD penetre mais profundamente. A combinação MXD‐tretinoína, especialmente em sistemas avançados de nanotransportadores, como lipossomos, aumenta o número de fios de cabelo na fase anágena e a densidade capilar, o que pode ser útil mesmo para pacientes que não respondem ao MXD isoladamente.35 Acredita‐se que a combinação de MXD com finasterida (inibidor da 5α‐redutase) em nanopartículas (como vesículas híbridas) propicie maior administração in situ do inibidor da 5α‐redutase.36 O uso de corticosteroides leves como adjuvantes em veículos sem propilenoglicol pode reduzir o prurido e a dermatite, o que pode aumentar a adesão ao tratamento (mais de 80% de adesão vs. ∼ 45% para o MXD comercial), o que pode resultar diretamente em melhores resultados clínicos em longo prazo.37
Agentes como exossomos derivados de células‐tronco ou estimuladores da via Wnt/β‐catenina podem ser coencapsulados com MXD, e mais estudos devem ser conduzidos para confirmar se é possível promover a ativação de células‐tronco do folículo piloso mais rapidamente do que o nanominoxidil isoladamente, bem como a viabilidade do uso adequado de exossomos fora do ambiente de laboratório.38
Para esse fim, propõe‐se o estabelecimento de parâmetros mínimos obrigatórios para todos os estudos futuros, possibilitando a comparabilidade e facilitando a análise subsequente. Para estudos in vitro e ex vivo, a penetração e retenção folicular após 24 horas são cruciais. Em ensaios clínicos in vivo em humanos, métricas como densidade (fios/cm2) e diâmetro capilar (em micrômetros) devem ser avaliadas consistentemente na linha de base, após 30 dias e após seis meses (ou 24 semanas). A tabela 1 apresenta diferentes “tipos de nanocarreadores” e diferentes “substâncias coadjuvantes” entre os estudos revisados, o que torna possível discernir que comparações com nanocarreadores semelhantes e sem a desvantagem das substâncias coadjuvantes são importantes caminhos para pesquisas futuras.
Além da variabilidade dos resultados, muitos dos estudos revisados sofrem de limitações metodológicas inerentes. A maioria dos estudos foi conduzida em modelos animais, revelando lacuna significante nas evidências científicas em humanos e destacando a necessidade de estudos futuros em humanos. As limitações comuns incluem curta duração dos estudos, ausência de cegamento, descrições insuficientes de outras ferramentas de rigor científico, dados escassos sobre eventos adversos e, em alguns casos, conflito de interesses declarados com empresas farmacêuticas. Todos esses aspectos representam limitações científicas significantes, que são ainda mais exemplificadas pelas avaliações individuais dos estudos incluídos.
Uma avaliação individual revelou que, embora He et al.16 tenham demonstrado a caracterização físico‐química abrangente e abordagem multimodelo com análise de biomarcadores, uma limitação notável foi a ausência de ensaios clínicos e o relato pouco claro sobre randomização e cegamento. Da mesma maneira, Xiao et al. 17, apesar de utilizarem modelo in vivo com extensas análises moleculares, tiveram curta duração de estudo, falta de detalhes sobre randomização e cegamento e falha no relato de eventos adversos. Xing et al.23 mostraram pontos fortes na coadministração e na análise molecular, mas não realizaram ensaios clínicos, não descreveram a randomização ou o cegamento e relataram apenas a estabilidade de curto prazo da formulação. Al‐Taie et al.34 forneceram dados extensos de caracterização físico‐química e estabilidade, mas suas limitações incluíram a restrição a estudos in vitro e ex vivo, a falta de avaliação de eficácia in vivo e a ausência de relato de eventos adversos.
Yan et al.18 exploraram a coadministração em modelo de AAG com avaliação de biomarcadores e estabilidade, porém as principais limitações foram o curto período de seguimento, ausência de cegamento ou randomização e nenhum teste em humanos. Sun et al.29 desenvolveram formulação robusta com histologia e estabilidade detalhadas; no entanto, a ausência de ensaios clínicos e a randomização ou cegamento não documentados foram deficiências cruciais. Makhlouf et al.30 introduziram formulação inovadora de cubossomos com avaliação detalhada de penetração e crescimento capilar, mas não incluíram ensaios clínicos e omitiram o relato de randomização e cegamento. Oaku et al.19 concentraram‐se em nanopartículas direcionadas com análise molecular e confirmaram a ausência de detecção sistêmica de MXD; no entanto, seu estudo apresentou limitações, incluindo a falta de ensaios clínicos, período de estabilidade restrito e conflito de interesses declarado.
Oliveira et al.26 investigaram NLCs para coadministração, realizando extensas avaliações ex vivo e in vitro; no entanto, a ausência de ensaios clínicos e in vivo, juntamente com o cegamento ou randomização não relatados, dificultou a extrapolação desses achados para humanos. Fresta et al.27 ofereceram estudo abrangente incluindo voluntários humanos, porém suas limitações incluíram dose de MXD menor do que as concentrações padrão, pequeno tamanho amostral no estudo em humanos e ausência de ensaio clínico controlado. Kochar et al.25 concentraram‐se na coadministração em lipossomas com avaliação de permeação e retenção e dados de estabilidade, mas a falta de estudos de eficácia in vivo e ensaios clínicos limitou a compreensão de seu potencial terapêutico real. Nagai et al.15 examinaram nanopartículas sólidas usando análise molecular e avaliação de deposição; no entanto, similarmente a Oaku et al.19, suas limitações incluíram a ausência de ensaios clínicos e conflito de interesses declarado.
Ramezani et al.24 investigaram transferossomas com crescimento capilar in vivo, liberação controlada e avaliação de estabilidade; entretanto, parâmetros físico‐químicos incompletos e a ausência de ensaios clínicos afetaram a reprodutibilidade e a relevância clínica. Aljuffali et al. 28 desenvolveram squarticles com estudos detalhados de penetração e internalização, mas as principais limitações foram a falta de avaliação do crescimento capilar e ensaios clínicos. Melo‐Guímaro et al.31 exploraram um complexo combinado com ondas fotoacústicas, usando modelos in vivo e ex vivo, mas suas limitações incluíram a ausência de modelo específico de AAG, nenhuma avaliação de efeito em longo prazo e conflito de interesses declarado. Li et al.21 utilizaram nanopartículas de lignina em modelo murino de AAG, incluindo análises histológicas e inflamatórias; no entanto, suas deficiências incluíram o curto período de seguimento e a ausência de ensaios clínicos.
Zhang et al.22 desenvolveram hidrogel com lipossomas e exossomos, realizando avaliação transcriptômica e de angiogênese, mas a falta de ensaios clínicos e dados de estabilidade em longo prazo dificultou a avaliação de sua aplicação no mundo real. Jeong et al.32 concentraram‐se em nanopartículas de ácido polilático e glicólico com hidroxiapatita (HA‐PLGA), avaliando permeação, absorção celular e liberação prolongada; no entanto, a ausência de testes de crescimento capilar in vivo e ensaios clínicos foi limitação significante. Oaku et al.20 desenvolveram nanocristais demonstrando aumento na distribuição folicular e redução na absorção sistêmica; no entanto, as limitações incluíram a falta de ensaios clínicos e conflito de interesses declarado. Por fim, Liu et al.33 apresentaram transferossomas modificados com efeitos sinérgicos e aumento nos parâmetros capilares; no entanto, a ausência de ensaios clínicos e avaliação em longo prazo tornou a sustentabilidade desses efeitos incerta.
Apesar dessas lacunas metodológicas, alguns estudos demonstraram pontos fortes importantes nessa área. Muitos estudos se destacaram na caracterização físico‐química detalhada de nanopartículas e seus transportadores, e o uso de abordagens multimodelo (in vitro, ex vivo e in vivo) forneceu informações valiosas. A análise de biomarcadores (p. ex., VEGF, IGF‐1, β‐catenina) e ensaios de angiogênese in vitro corroboram ainda mais o potencial do MXD. A análise de Fresta et al.27 sobre a tolerabilidade cutânea em tecido humano, embora não seja ensaio clínico, sugere a superioridade do nanominoxidil na deposição folicular e ausência de eritema. No entanto, a descrição imprecisa da irritação cutânea relatada por He et al.16 destaca a necessidade de avaliações clínicas mais detalhadas, incluindo sinais e sintomas específicos. A coavaliação do nanominoxidil com outros ingredientes ativos, como observado por Oliveira et al.26 com latanoprosta, enfatiza o potencial promissor dos sistemas de nanocarreadores lipídicos para a administração direcionada de MXD e a necessidade de estudos ADME (absorção, distribuição, metabolismo e excreção).
Ensaios clínicos randomizados, controlados e comparativos envolvendo nanopartículas de MXD em seres humanos, utilizando ferramentas como cegamento e duração prolongada do estudo (p. ex., 24 semanas), representam áreas de interesse na literatura científica. A padronização dos parâmetros, especialmente os mínimos propostos (duração, concentração do fármaco e comparação do mesmo desfecho objetivo), será fundamental para o avanço e a comparabilidade desses estudos.
ConclusãoA aplicação da nanotecnologia ao MXD para o crescimento capilar em diversas patologias, incluindo a AAG, oferece potencial significante para futuras aplicações terapêuticas. Até o momento, nenhum ensaio clínico randomizado comparou a eficácia de nanopartículas de MXD com a do MXD tópico convencional e/ou do MXD oral em baixa dose para o tratamento da AAG. Destaca‐se a necessidade urgente de pesquisas futuras rigorosas e padronizadas que descrevam a eficácia e a segurança do nanominoxidil para distúrbios capilares em humanos.
ORCID IDGustavo Sartori Albertino: 0000‐0003‐0728‐7828
Filipe Rocha Lima: 0000‐0001‐7629‐4963
Antonio Claudio Tedesco: 0000‐0003‐4198‐9321
Marco Andrey Cipriani Frade: 0000‐0003‐2700‐5971
Considerações éticasComo este estudo é revisão sistemática de dados previamente publicados, a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa e o consentimento informado dos participantes não foram necessários. O protocolo foi registrado prospectivamente no International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO, número CRD420251107786).
Suporte financeiroEste estudo foi financiado em parte pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) [Código de Financiamento 001]. A agência financiadora não teve qualquer participação no desenho do estudo, na coleta de dados, na análise dos dados, na preparação do manuscrito ou na decisão de submeter o artigo para publicação.
Contribuição dos autoresHeloisa da Rocha Picado Copesco: Concepção e planejamento do estudo; obtenção dos dados, ou análise e interpretação dos dados; análise estatística; elaboração e redação do manuscrito ou revisão crítica de conteúdo intelectual relevante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.
Gustavo Sartori Albertino: Concepção e planejamento do estudo; obtenção dos dados, ou análise e interpretação dos dados; análise estatística; elaboração e redação do manuscrito ou revisão crítica de conteúdo intelectual relevante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.
Filipe Rocha Lima: Revisão crítica de conteúdo intelectual relevante; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.
Antonio Claudio Tedesco: Revisão crítica de conteúdo intelectual relevante; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.
Marco Andrey Cipriani Frade: Revisão crítica de conteúdo intelectual relevante; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.
Disponibilidade de dados de pesquisaTodo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
EditorLuciana P. Fernandes Abbade.
Conflito de interessesNenhum.
Como citar este artigo: Copesco HRP, Albertino GS, Lima FR, Tedesco AC, Frade MAC. Nanocarriers for topical minoxidil in androgenetic alopecia: systematic review of preclinical and clinical evidence. An Bras Dermatol. 2026;101:501400.
Trabalho realizado no Departamento de Clínica Médica, Divisão de Dermatologia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil.




