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Vol. 101. Issue 3.
(May - June 2026)
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Vol. 101. Issue 3.
(May - June 2026)
Cartas ‐ Terapia
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Tratamento bem‐sucedido de mucinose folicular primária refratária com tofacitinibe

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Yu‐Lian Li, Sheng Fang
Corresponding author
fangshengderm@163.com

Autor para correspondência.
Departamento de Dermatologia, The First Affiliated Hospital, Chongqing Medical University, Chongqing, China
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Prezado Editor,

A mucinose folicular (MF), mucinose cutânea rara, é caracterizada por placas eritematosas infiltradas com proeminência folicular. Não há consenso sobre o tratamento da MF. As opções terapêuticas atuais incluem corticosteroides tópicos de potência leve a moderada, antibióticos tópicos e orais, retinoides, dapsona, sulfacetamida, imiquimode, pentoxifilina, pimecrolimus, psoraleno com ultravioleta A (PUVA) e mostarda nitrogenada.1 Evidências emergentes sugerem que o tofacitinibe pode ser eficaz para mucinoses cutâneas, com eficácia relatada tanto no mixedema pré‐tibial quanto na mucinose papulonodular refratária.2,3 Aqui, relata‐se o caso de uma paciente com MF refratária tratada com sucesso com tofacitinibe.

Paciente do sexo feminino, de 55 anos, compareceu à clínica de dermatologia com histórico de quatro meses de placa facial esquerda. A paciente negou qualquer aplicação tópica, ingestão de medicamentos ou fotossensibilidade. Seu histórico sistêmico e familiar não apresentava particularidades. O exame físico demonstrou uma placa edematosa, eritematosa e mal delimitada na região bucinadora esquerda (fig. 1A). Não foram observadas outras manifestações cutâneas. De acordo com as características clínicas e histopatológicas, a paciente foi diagnosticada com mucinose folicular primária (MFP). O tratamento inicial com hidroxicloroquina (200mg, duas vezes/dia) e corticosteroides tópicos de alta potência (pomada de propionato de clobetasol 0,05%) não resultou em melhora clínica após oito semanas de terapia. Iniciou‐se então a monoterapia com tofacitinibe 5mg, duas vezes/dia. Após três meses de tratamento, observou‐se melhora clínica significante, manifestada pela resolução completa das lesões cutâneas (fig. 1B). Não houve recidiva durante o período de seguimento de três meses após a suspensão do tratamento. O exame histopatológico revelou o acúmulo de mucina nos folículos pilossebáceos e glândulas sebáceas, com infiltrados perifoliculares de linfócitos e eosinófilos observados (fig. 2A). A coloração com azul de Alcian confirmou a deposição de mucina no epitélio folicular (fig. 2B). A análise imuno‐histoquímica demonstrou que os linfócitos eram positivos para antígeno comum leucocitário (LCA), Ki‐67 (taxa de positividade de 20%), CD8, CD20, CD7, CD79a, CD4 e CD3, com proporção CD4+/CD8+equilibrada (fig. 2C–D). O resultado do rearranjo do gene do receptor de células T (TCR) foi negativo.

Figura 1.

(A) Placa edematosa eritematosa mal delimitada na região bucinadora esquerda. (B) Resolução clínica completa alcançada após três meses de monoterapia com tofacitinibe.

Figura 2.

(A) Deposição maciça de mucina no epitélio folicular (Hematoxilina & eosina, 40×). (B) Deposição de mucina confirmada pela coloração com azul de Alcian (200×). A análise imuno‐histoquímica demonstrou que os linfócitos eram positivos para CD4 (C) e CD8 (D), com proporção CD4+/CD8+equilibrada (100×).

A MF é caracterizada pela extensa deposição de mucina na bainha radicular externa e nas glândulas sebáceas. A MF pode ser categorizada como MFP e mucinose folicular secundária (MFS). O sintoma clínico mais comum da MFP é lesão solitária na região da cabeça ou pescoço em pacientes jovens. Quanto aos achados histopatológicos, a presença de extensa deposição de mucina nos espaços císticos, infiltração policlonal mínima perivascular e perianexial de linfócitos não atípicos, ausência de epidermotropismo e proporção equivalente de células CD4+/CD8+apontam para o diagnóstico de MFP. A MFS pode estar associada a certos medicamentos, condições benignas e malignidades (mais comumente linfomas). A MF associada a linfoma tipicamente se apresenta com múltiplas lesões extracranianas em pacientes idosos. O exame histopatológico revela infiltrado denso em faixa com linfócitos atípicos, epidermotropismo, um imunofenótipo CD4+proeminente e rearranjo gênico monoclonal do infiltrado.1

A patogênese da MF permanece incompletamente compreendida. Evidências atuais sugerem que os queratinócitos foliculares podem ser a fonte de deposição de mucina, processo ativado por mecanismos imunológicos mediados por células T e citocinas. Os linfócitos T secretam IL‐4, IL‐2 e IL‐26, induzindo a fosforilação do transdutor de sinal e ativador de transcrição (STAT), afetando assim a função dos queratinócitos.4 O tofacitinibe, como um inibidor pan‐JAK1/JAK3, pode interromper a sinalização patológica bloqueando a fosforilação de STAT.5 Estudos também demonstraram correlação significante entre a quantidade de mucina dentro dos folículos pilosos e a gravidade da infiltração inflamatória perifolicular. Mediadores liberados por linfócitos T, incluindo IFN‐γ, IL‐5, TGF‐β e IL‐4, desencadeiam e amplificam cascatas inflamatórias.4 A via JAK‐STAT desempenha papel vital na regulação imunológica, diferenciação, apoptose e proliferação celular.5 Ao inibir JAK1/JAK3, o tofacitinibe reduz efetivamente a produção de citocinas pró‐inflamatórias em linfócitos T. O tofacitinibe, no presente caso, foi selecionado principalmente em virtude de seu custo comparativamente menor em relação a outros inibidores de JAK altamente seletivos. Além disso, a literatura publicada indicou sua eficácia promissora no tratamento de dermatoses mucinosas.2,3

Atualmente, não existem diretrizes de tratamento estabelecidas para MF, e o manejo permanece individualizado. As opções terapêuticas disponíveis demonstraram eficácia limitada na prática clínica. Este caso pioneiro demonstra a primeira aplicação terapêutica bem‐sucedida de inibidores de JAK em MF. Embora esses resultados sejam promissores, as limitações inerentes a este estudo de caso único ressaltam a necessidade de validação por meio de ensaios clínicos randomizados e controlados em larga escala. Além disso, investigações mecanísticas adicionais são essenciais para elucidar as vias terapêuticas precisas do tofacitinibe na MF.

Aprovação ética

Este é um estudo de caso retrospectivo. O Comitê de Ética do First Affiliated Hospital of Chongqing Medical University confirmou que nenhuma aprovação ética é necessária.

ORCID ID

Yu‐Lian Li: 0009‐0004‐4608‐6548

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Yu‐Lian Li: Curadoria de dados; metodologia; análise formal; visualização; validação; redação – rascunho original.

Sheng Fang: Conceitualização; metodologia; recursos; supervisão; redação – revisão e edição.

Disponibilidade de dados de pesquisa

Não se aplica.

Conflito de interesses

Nenhum.

Editor

Luciana P. Fernandes Abbade

Agradecimento

A paciente mencionada neste manuscrito deu seu consentimento livre e esclarecido por escrito para a publicação dos detalhes do seu caso.

Referências
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Signal Transduct Target Ther., 8 (2023), pp. 204

Como citar este artigo: Li YL, Fang S. Successful treatment of refractory primary follicular mucinosis with Tofacitinib. An Bras Dermatol. 2026;101:501351.

Trabalho realizado no Departamento de Dermatologia, The First Affiliated Hospital of Chongqing Medical University, Chongqing, China.

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