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Rugas frontais em idosos – Prevalência, padrões e associação das rugas de decúbito com a qualidade de sono

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Jane Elizabeth Malheiros Souza de Camposa, Ralph Vighi Da Rosab, Jéssica Trettin Puchalskia, Natália Wirowskia, Hiram Larangeira de Almeida Júniora,
Autor para correspondência
hiramalmeidajr@gmail.com

Autor para correspondência.
a Programa de Pós-Graduação em Saúde e Comportamento, Universidade Católica de Pelotas, Pelotas, RS, Brasil
b Departamento de Dermatologia, Universidade Católica de Pelotas, Pelotas, RS, Brasil
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Tabela 1. Relação das rugas do sono com a qualidade do sono de idosos examinados
Tabelas
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Prezado Editor,

O envelhecimento da pele é influenciado por fatores intrínsecos, como genética e metabolismo celular, bem como por fatores extrínsecos, como exposições ambientais e escolhas de estilo de vida.1

As rugas do sono se desenvolvem em resposta à distorção criada quando o rosto é pressionado contra qualquer superfície de dormir. Forças de compressão, cisalhamento e estresse resultam em distorção facial em posições de dormir de lado ou de bruços. Em contraste, as únicas forças externas que atuam sobre o rosto na posição supina são gravitacionais.2

Em um rosto jovem, o enrugamento é transitório, com mímica, e as rugas do sono desaparecem ao acordar. A quantidade e a gravidade do enrugamento variam com o envelhecimento da pele, em resposta a influências intrínsecas e extrínsecas combinadas com a repetição de padrões de força.2 As rugas do sono diferem das rugas de expressão no mecanismo de origem (forças externas vs. contração muscular interna), localização e direcionalidade (geralmente são perpendiculares entre si).2

Poucos estudos examinaram especificamente o efeito da privação do sono na função da pele, mas foi levantada a hipótese de que a falta de sono e a presença de estresse psicológico pudessem prejudicar a integridade da pele.3–5

O objetivo deste estudo consistiu em avaliar a prevalência e o padrão de rugas dinâmicas (glabelares e frontais) e rugas de sono em uma população idosa na cidade de Pelotas, RS, e a possível relação das últimas com a qualidade de sono.

Trata‐se de um estudo transversal realizado com pacientes com 60 anos ou mais atendidos no ano de 2025 no Ambulatório de Geriatria da Universidade Federal de Pelotas. Pacientes com quadro demencial, que realizaram cirurgia estética e que fizeram uso regular de toxina botulínica foram excluídos do estudo. Esta pesquisa foi encaminhada ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Católica de Pelotas e aprovada sob o número de parecer 7.294.061.

Um questionário coletou as variáveis: sexo, cor da pele, grau de escolaridade, renda e realização de procedimentos estéticos. A qualidade do sono em idosos foi avaliada por meio do Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI),6 instrumento que avalia a qualidade do sono ao longo de um período de 30‐dias anteriores à aplicação do questionário, classificando os pacientes em ter “boa qualidade do sono – PSQI ≤ 5” e “má qualidade do sono – PSQI>5”.

Fotografias dos participantes foram feitas no momento da consulta médica. Foram realizados registros da região frontal e lateral da face de cada paciente, no mínimo seis fotos por paciente, e avaliadas por dois dermatologistas para atingir concordância. As frontais foram quantificadas até quatro rugas e mais de cinco linhas horizontais, critério escolhido pelos autores. As da glabela foram quantificadas as linhas verticais e a associação ou não de linha horizontal. As de sono foram quantificadas e identificadas a lateralidade (exemplificadas nas figs. 1 e 2).

Figura 1.

(A) Padrão de rugas de glabela mais encontrado, duas verticais com ruga horizontal; o paciente apresenta também quatro rugas frontais bem definidas. (B) Segundo padrão mais encontrado, três rugas verticais e com ruga horizontal.

Figura 2.

(A) Uma ruga de sono à direita. (B) Duas rugas de sono à direita.

A análise estatística foi realizada utilizando o software IBM SPSS Statistics, versão 31.0.2.0 (versão gratuita). As pontuações obtidas nas escalas psicométricas foram utilizadas para análises de associação com as fotografias dos participantes. Nos casos de distribuição normal (p>0,05), os dados foram expressos como média e desvio‐padrão.

O tamanho total da amostra consistiu em 201 participantes, dos quais 75,6% (n=152) eram mulheres. A idade média dos pacientes foi de 75,04±6,93 anos. Em relação à cor da pele; 79,6% (n=160) dos indivíduos foram classificados como brancos. Em termos de nível educacional; 62,7% (n=126) dos participantes tinham até cinco anos de escolaridade. Quanto à classificação socioeconômica, 91% (n=183) estavam nas classes D e E.

Boa qualidade de sono foi encontrada em 27% (n=54) dos indivíduos; 73% (n=146) apresentaram má qualidade do sono. As rugas frontais foram encontradas em 183 (91,5%) examinados; as da glabela, em 197 (98,5%); e as de sono, em 92 (46,0%) indivíduos.

Dentre as rugas da glabela, a morfologia mais prevalente foi a 2+H, (52%), ou seja, duas rugas verticais+uma horizontal (fig. 3A). Dentre as rugas frontais, a morfologia mais prevalente foi a múltipla em 36,5% dos examinados, em que se considerou cinco ou mais rugas frontais (fig. 3B).

Figura 3.

Padrão das rugas. (A) Glabela – padrão mais frequente foi de duas rugas verticais com componente horizontal (52%), seguido de três verticais com ruga horizontal (17%). (B) Fronte – a maioria dos pacientes apresenta mais de cinco rugas horizontais na fronte (36,5%). (C) Rugas de sono – o padrão mais encontrado foi de duas rugas de cada lado (10,5%), seguido de uma de cada lado (6,5%).

Por fim, dentre as rugas do sono, a morfologia mais prevalente foi a 2+2 (10,5%), ou seja, duas rugas do sono à direita e duas rugas do sono à esquerda (fig. 3C).

Na análise da associação das rugas do sono com a qualidade do sono em idosos, utilizou‐se classificação dicotômica (presente×ausente) para as rugas, bem como para a qualidade do sono (boa qualidade do sono×má qualidade do sono). Má qualidade do sono ocorreu em 59 (64,1%) dos indivíduos com rugas do sono e em 68 (63,0%) dos indivíduos sem as mesmas (tabela 1) – prevalências semelhantes, sem associação estatisticamente significante (p> 0,05).

Tabela 1.

Relação das rugas do sono com a qualidade do sono de idosos examinados

  Rugas do sonoa (presença/ausência)n (%)  p‐valor 
  Não  Sim     
Boa qualidade do sono (PSQI ≤ 5)  40 (37,0)  33 (35,9)  73 (36,5)  0,864 
Má qualidade do sono (PSQI> 5)  68 (63,0)  59 (64,1)  127 (63,5)   
Total  108 (54,0)  92 (46,0)  200 (100,0)   
a

Chi‐Quadrado – variável com um missing.

Os dados sobre rugas de sono na literatura são escassos. Comparando‐se o presente estudo com a literatura, um estudo encontrou prevalência de 11% de rugas de sono em uma população de 542 participantes mulheres, além de ligações significantes entre a presença de rugas de sono e a idade cronológica.7 Esse estudo, contudo, analisou somente mulheres entre 44 e 70 anos, diferindo da presente pesquisa.

Outro estudo, publicado em 2015, teve como objetivo avaliar o efeito da má qualidade crônica do sono sobre indicadores de saúde da pele e envelhecimento.3 A qualidade do sono foi avaliada também pelo PSQI, e os sinais de envelhecimento cutâneo foram avaliados por uma ferramenta denominada SCINEXA (SCore for INtrinsic and EXtrinsic skin Aging), composta por cinco itens indicativos de envelhecimento intrínseco, e 18 itens altamente característicos do envelhecimento extrínseco, além da avaliação da perda de água transepidérmica. A amostra era de 60 participantes exclusivamente mulheres, com média de idade entre 37,5 (± 5,5) anos no grupo dos “bons dormidores” e 39,6 (± 5) no grupo dos “mau dormidores”. Os resultados das análises indicaram que os maus dormidores apresentaram valores mais altos para pigmentação irregular, rugas finas, flacidez da pele, perda de gordura subcutânea e crescimento benigno da pele, indicando que a má qualidade crônica do sono estaria associada ao envelhecimento intrínseco acelerado.3

Um dado relevante a se discutir é que, embora nossa posição inicial para dormir seja uma decisão consciente, mudamos de posição ao longo da noite, à medida que nossos corpos inconscientemente tentam minimizar o desconforto. Com a idade, o número de mudanças de posição diminui de 27 para 16 por noite, com média de 20 mudanças de posição por noite. Consequentemente, o tempo gasto em cada posição aumenta com a idade. A posição lateral para dormir é a mais comum em todos os estudos, com média de 65% lateral, 30% supina e 5% prona;2 é incomum que um indivíduo passe 100% do seu tempo de sono em uma única posição.2 À medida que a pele perde a elasticidade, elas progridem e se tornam permanentes com a repetição e a idade.2

Portanto, em comum com a literatura, encontrou‐se alta prevalência de rugas do sono na população estudada, porém sem relação com a qualidade de sono.

Um dos aspectos relevantes e considerados positivos desta pesquisa foi o fato de a amostra ser constituída somente por idosos (indivíduos com 60 anos ou mais), com média de idade de 75,04 (± 6,93) anos e no contexto de um ambulatório de geriatria. Além disso, a amostra é composta primordialmente por mulheres idosas, que não estavam em período perimenopausa. Assim, a associação de má qualidade de sono com a transição menopáusica, já clara na literatura, não foi fator confundidor a ser considerado.8–10

Uma das limitações da presente pesquisa foi a avaliação de somente rugas da região frontal dos participantes, uma vez que as rugas do sono podem se localizar na região frontal, região bucinadora, queixo, nariz e abaixo dos olhos.

Em conclusão, o presente estudo identificou alta prevalência de rugas frontais e da glabela (91,5% e 98,5%) em pacientes que não fazem procedimentos estéticos, o que demonstra a importância do uso da toxina botulínica na prevenção desse tipo de rugas. Não houve correlação entre rugas do sono e qualidade do sono.

ORCID ID

Jane Elizabeth Malheiros Souza de Campos: 0009‐0003‐5738‐8800

Ralph Vighi Da Rosa: 0000‐0002‐7608‐3813

Jéssica Trettin Puchalski: 0000‐0001‐5795‐2318

Natália Wirowski: 0000‐0001‐9695‐2038

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Jane Elizabeth Malheiros Souza de Campos: Aprovação da versão final do manuscrito; Concepção e planejamento do estudo; Elaboração e redação do manuscrito; Obtenção, análise e interpretação dos dados; Revisão crítica da literatura; Revisão crítica do manuscrito.

Ralph Vighi Da Rosa: Aprovação da versão final do manuscrito; Concepção e planejamento do estudo; Elaboração e redação do manuscrito; Obtenção, análise e interpretação dos dados; Participação efetiva na orientação da pesquisa; Revisão crítica da literatura; Revisão crítica do manuscrito.

Jéssica Puchalski Trettim: Aprovação da versão final do manuscrito; Concepção e planejamento do estudo; Elaboração e redação do manuscrito; Obtenção, análise e interpretação dos dados; Participação efetiva na orientação da pesquisa; Revisão crítica da literatura; Revisão crítica do manuscrito.

Natália Wirowski: Aprovação da versão final do manuscrito; Concepção e planejamento do estudo; Elaboração e redação do manuscrito; Obtenção, análise e interpretação dos dados; Revisão crítica da literatura; Revisão crítica do manuscrito.

Hiram Larangeira de Almeida Jr.: Aprovação da versão final do manuscrito; Concepção e planejamento do estudo; Elaboração e redação do manuscrito; Obtenção, análise e interpretação dos dados; Participação efetiva na orientação da pesquisa; Revisão crítica da literatura; Revisão crítica do manuscrito.

Disponibilidade de dados de pesquisa

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Conflito de interesses

Nenhum.

Editor

Jane Tomimori

Referências
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Como citar este artigo: Campos JEMS, da Rosa RV, Puchalski JT, Wirowski N, Almeida Jr. HL. Frontal wrinkles in the elderly, prevalence, patterns and association of sleep lines with sleep quality. An Bras Dermatol. 2026;101:501454.

Trabalho realizado no Programa de Pós‐Graduação em Saúde e Comportamento, Universidade Católica de Pelotas, Pelotas, Brasil.

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