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Vol. 101. Issue 1.
(January - February 2026)
Correspondência
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Carta ao Editor referente a: “Diretrizes pré e pós‐analíticas para o diagnóstico microscópico de melanoma: recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia” – Resposta

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José Cândido Caldeira Xavier‐Júniora,b,c,
Corresponding author
josecandidojr@yahoo.com.br

Autor para correspondência.
, Karina Munhoz de Paula Alves Coelhod,e, Mariana Petaccia de Macedof, Rute Facchini Lellisf,g, Nathanael de Freitas Pinheiro Juniorh, Robledo Fonseca Rochai,j, Comitê de Dermatopatologia da Sociedade Brasileira de Patologia
a Instituto de Patologia de Araçatuba, Araçatuba, SP, Brasil
b Faculdade de Medicina, Centro Universitário Católico Unisalesiano, Araçatuba, SP, Brasil
c Programa de Pós-Graduação em Patologia, Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, SP, Brasil
d Centro de Diagnósticos Anátomo-Patológicos (CEDAP), Joinville, SC, Brasil
e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia do Câncer Infantil e Oncologia Pediátrica, Porto Alegre, RS, Brasil
f Departamento de Patologia, Rede D’Or/São Luiz Hospital, São Paulo, SP, Brasil
g Laboratório de Patologia, Hospital da Santa Casa de São Paulo, Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
h Imagepat Anatomia Patológica Ltda., Salvador, BA, Brasil
i Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Roraima, Boa Vista, RR, Brasil
j Laboratório de Patologia de Roraima, Boa Vista, RR, Brasil
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Prezado Editor,

Lemos com grande interesse a carta do Dr. Cunha referente à nossa diretriz recentemente publicada1. Tanto o College of American Pathologists2 quanto a National Comprehensive Cancer Network (NCCN)3 desencorajam fortemente o uso de cortes congelados para a maioria das lesões melanocíticas quando margens clínicas padrão podem ser obtidas sem limitações significantes. Essas instituições enfatizam que o diagnóstico preciso de melanoma continua a depender de cortes de Hematoxilina & eosina (H&E) de tecido fixado em formalina e embebido em parafina, complementados, quando apropriado, por imuno‐histoquímica2–4, uma vez que o melanoma representa grupo heterogêneo de tumores com múltiplos subtipos histológicos e comportamentos biológicos distintos4.

As margens cirúrgicas periféricas recomendadas e os métodos para sua avaliação em melanoma de cabeça e pescoço e lentigo maligno permanecem sujeitos a considerável debate. Essa incerteza reflete, em grande parte, a falta de estudos prospectivos consistentes e bem delineados que abordem o manejo dessas lesões desafiadoras. Uma revisão crítica recente identificou risco muito alto de viés (97,9%) entre os estudos que avaliaram a cirurgia micrográfica de Mohs (CMM) para melanoma5.

Embora ainda não haja validação robusta para o uso da CMM em lesões melanocíticas, avanços recentes nessa área merecem reconhecimento. De acordo com as diretrizes mais recentes da NCCN para melanoma cutâneo, a CMM – ou outras técnicas que permitem avaliação abrangente das margens – pode proporcionar controle local equivalente ou até superior para certos melanomas pT1a em locais selecionados, particularmente na face, orelhas e áreas acrais3. É essencial, no entanto, que os potenciais candidatos sejam cuidadosamente selecionados e recebam aconselhamento completo. O emprego bem‐sucedido dessas técnicas, que se aplicam apenas a um pequeno subconjunto de pacientes com melanoma, requer equipe multidisciplinar bem treinada e experiente. É importante destacar que, considerando os melanomas que surgem em pele com extenso dano solar cumulativo, a interpretação histopatológica pode ser especialmente desafiadora. Essa dificuldade surge de alterações melanocíticas actínicas e margens tumorais mal definidas com áreas “saltadas”4 – fatores que podem ser ainda mais agravados por lâminas tecnicamente subótimas.

Por fim, como também reconhecido pela NCCN3, nenhum estudo prospectivo comparativo avaliou ainda os diferentes métodos de excisão para melanoma. Essa lacuna deixa o tema em aberto para discussão científica contínua. Estudos prospectivos, independentes e bem delineados são necessários para esclarecer o papel potencial da CMM e de outras técnicas cirúrgicas no tratamento de lesões melanocíticas.

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

José Cândido Caldeira Xavier Junior: Concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação ou revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual relevante; participação efetiva na orientação da pesquisa; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.

Karina Munhoz de Paula Alves Coelho: Concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação ou revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual relevante; participação efetiva na orientação da pesquisa; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.

Mariana Petaccia de Macedo: Concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação, ou revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual relevante; participação efetiva na orientação da pesquisa; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.

Rute Facchini Lellis: Concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação, ou revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual relevante; participação efetiva na orientação da pesquisa; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.

Nathanael de Freitas Pinheiro Junior: Concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação, ou revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual relevante; participação efetiva na orientação da pesquisa; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.

Robledo Fonseca Rocha: Concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação, ou revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual relevante; participação efetiva na orientação da pesquisa; revisão crítica da literatura; aprovação da versão final do manuscrito.

Disponibilidade de dados de pesquisa

Não se aplica.

Conflito de interesses

Nenhum.

Editor

Sílvio Alencar Marques

Referências
[1]
J.C.C. Xavier-Júnior, K.M.P.A. Coelho, M.P. Macedo, R.F. Lellis, N.F. Pinheiro Junior, R.F. Rocha.
Dermatopathology Committee of the Brazilian Society of Pathology. Pre‐and post‐analytical guidelines for the microscopic diagnosis of melanoma: recommendations from the Brazilian Society of Pathology.
An Bras Dermatol., 100 (2025), pp. 501139
[2]
College of American Pathologists. Protocol for the Examination of Excision Specimens from Patients with Invasive Melanoma of the Skin. Version 1.2.0.0. 2025.
[3]
NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines®). Melanoma: cutaneous. Version 2.2025; 2025.
[4]
WHO Classification of Tumours Editorial Board.
Skin Tumours.
5th ed, International Agency for Research on Cancer, (2025),
[5]
J.A. Adalsteinsson, V.J. Stoj, H. Algzlan, H. Swede, R.L. Torbeck, D. Ratner.
Limitations in the literature regarding Mohs surgery and staged excision for melanoma: a critical review of quality and data reporting.
J Am Acad Dermatol., 88 (2023), pp. 404-413

Como citar este artigo: Xavier‐Junior JCC, Coelho KMPA, Macedo MP, Lellis RF, Pinheiro Junior NF, Rocha RF. Letter to the Editor regarding: “Pre‐ and post‐analytical guidelines for the microscopic diagnosis of melanoma: recommendations from the Brazilian Society of Pathology” – Reply. An Bras Dermatol. 2026;101:501272.

Trabalho realizado na Sociedade Brasileira de Patologia, São Paulo, SP, Brasil.

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