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Vol. 97. Issue 4.
Pages 508-510 (01 July 2022)
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Vol. 97. Issue 4.
Pages 508-510 (01 July 2022)
Qual o seu diagnóstico?
Open Access
Caso para diagnóstico. Placa normocrômica assintomática em paciente de 76 anos
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Nicole Baldina,
Corresponding author
nicolebaldin2@gmail.com

Autor para correspondência.
, Gabriela Galvão Santosb, Paulo Ricardo Martins Souzab, Laura Luzzattob
a Faculdade de Medicina, Universidade Franciscana, Santa Maria, RS, Brasil
b Ambulatório de Dermatologia, Hospital Santa Casa de Misericórdia em Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil
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Relato do Caso

Paciente com lesão assintomática há mais de seis meses. Apresentava placa normocrômica no dorso inferior, algo papilomatosa e centro levemente eritematoso (fig. 1), com estrias brancas e microulcerações na periferia à dermatoscopia (fig. 2). A histologia demonstrou proliferação epitelial de padrão reticulado e basaloide focal (figs. 3 e 4). Foi realizada exérese da lesão.

Figura 1.

Placa normocrômica papilomatosa com centro levemente eritematoso.

(0.15MB).
Figura 2.

À dermatoscopia, presença de estrias brancas e micro ulcerações.

(0.07MB).
Figura 3.

Filamentos longos, finos, ramificados e anastomosados de células basalóides originárias da epiderme incorporadas em um estroma fibroso (Hematoxilina & eosina, 100×).

(0.15MB).
Figura 4.

Células agrupadas mostrando um arranjo em paliçada podem ser vistas ao longo do epitélio, como “botões em um ramo” (Hematoxilina & eosina, 400×).

(0.13MB).
Qual o seu diagnóstico?

  • a)

    Ceratose seborreica

  • b)

    Fibroepitelioma de Pinkus

  • c)

    Carcinoma basocelular superficial

  • d)

    Tricoblastoma

Discussão

O fibroepitelioma de Pinkus (FEP) é considerado um tipo incomum de carcinoma basocelular (CBC), descrito primeiramente por Hermann Pinkus em 1953, que o denominou como uma variante do epitelioma basocelular, pré‐maligno e que se assemelha aos tricoblastomas em seus graus de diferenciação.1,2 Em vista disso, alguns pesquisadores têm defendido que tanto o BCC quanto o tricoblastoma podem ser mais bem classificados como representantes opostos de um mesmo espectro de diferenciação, e que o FEP é merecedor de uma classificação intermediária dentro dessa linha tênue.1

Relatado mais frequentemente no sexo feminino (54%) e em idosos,3 e provavelmente subnotificado, apresenta‐se clinicamente como lesões únicas ou múltiplas, como pápula ou placa, normocrômica/acastanhada, cupuliforme ou séssil, que podem mimetizar lesões cutâneas benignas que não seriam rotineiramente excisadas ou biopsiadas, como fibroma pedunculado, acrocórdon, ceratose seborreica, nevo dérmico.4,5 Acomete áreas não fotoexpostas, como lombossacra, abdome, virilha e pé. Na dermatoscopia, encontram‐se vasos arborizados finos, vasos puntiformes, estrias septais brancas, pseudocistos córneos e ulcerações. Algumas lesões apresentam pigmentação cinza‐marrom sem estrutura e pontos cinza‐azulados.6

O histopatológico é imprescindível para o diagnóstico. É descrito como filamentos finos de células basaloides, cercados por estroma que formam uma borda uniforme com a derme subjacente em um padrão fenestrado, como favo de mel.7,8

O tratamento é a excisão cirúrgica da lesão. O prognóstico é bom, com baixa agressividade local e pouco risco de metástase.9

Sobre os diagnósticos diferenciais citados, ceratose seborreica é uma afecção benigna, arredondada ou irregular de coloração acastanhada ou negra, acometendo principalmente face e tronco.2 O CBC superficial é mais comum na face e pescoço, apresenta vasos arborizados largos à dermatoscopia, e na histologia é menos diferenciado, não fenestrado.5 O tricoblastoma é um tumor mais raro, com vasos arboriformes finos, vasos em coroa e fundo branco perolado à dermatoscopia, com estroma fibrocítico, formação de bulbos e papilas foliculares na histologia.2,8

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Nicole Baldin: Elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; aprovação final da versão final do manuscrito.

Gabriela Galvão Santos: Elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; aprovação final da versão final do manuscrito.

Paulo Ricardo Martins Souza: Elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; aprovação final da versão final do manuscrito.

Laura Luzzatto: Avaliação anatomopatológica; participação intelectual em conduta propedêutica; aprovação final da versão final do manuscrito.

Conflito de interesses

Nenhum.

Referências
[1]
H. Pinkus.
Premalignant fibroepithelial tumors of skin.
AMA Arch Derm Syphilol., 67 (1953), pp. 598-615
[2]
H. Pinkus.
Epithelial and fibroepithelial tumors.
[3]
E.S. Haddock, P.R. Cohen.
Fibroepithelioma of Pinkus Revisited.
Dermatol Ther (Heidelb)., 6 (2016), pp. 347-362
[4]
C. Reggiani, I. Zalaudek, S. Piana, C. Longo, G. Argenziano, A. Lallas, et al.
Fibroepithelioma of Pinkus: case reports and review of the literature.
Dermatology., 226 (2013), pp. 207-211
[5]
M. Tarallo, E. Cigna, P. Fino, L.F. Torto, F. Corrias, N. Scuderi.
Fibroepithelioma of Pinkus: variant of basal cell carcinoma or trichoblastoma? Case report.
G Chir., 32 (2011), pp. 326-328
[6]
M.M. Mihai, C. Voicu, M. Lupu, N. Koleva, J.W. Patterson, T. Lotti, et al.
Fibroepithelioma of Pinkus (FeP) Located in the Left Lower Quadrant of the Abdomen‐Case Report and Review of the Literature.
Open Access Maced J Med Sci., 5 (2017), pp. 439-444
[7]
B.A. Badaró, L.M. Diniz, E. Negris Neto, E.A. Lucas.
Múltiplos fibroepiteliomas de Pinkus após radioterapia.
An Bras Dermatol., 94 (2019), pp. 633-635
[8]
A.B. Ackerman, G.J. Gottlieb.
Fibroepithelial tumor of Pinkus is trichoblastic (basal‐cell) carcinoma.
Am J Dermatopathol., 27 (2005), pp. 155-159
[9]
P.R. Cohen, J.A. Tschen.
Fibroepithelioma of Pinkus presenting as a sessile thigh nodule.

Como citar este artigo: Baldin N, Galvão Santos G, Martins Souza PR, Luzzatto L. Case for diagnosis. Fibroepithelioma of Pinkus in a 76‐year‐old patient. An Bras Dermatol. 2022;97:508–10.

Trabalho realizado no Ambulatório de Dermatologia, Hospital Santa Casa de Misericórdia em Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil.

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