Lemos com grande interesse o estudo de Thomé et al., que avalia o desempenho diagnóstico da versão em português brasileiro da Psoriasis Epidemiology Screening Tool (PEST‐BP) para a detecção de artrite psoriásica em uma população do Sul do Brasil.1 A integração da avaliação reumatológica utilizando Classification Criteria for Psoriatic Arthritis (CASPAR) como padrão‐ouro diagnóstico, combinada com regressão logística multivariada, constitui estrutura analítica robusta. A capacidade do estudo de validar um limiar de escore PEST‐BP ≥ 3 com alta sensibilidade e especificidade tem implicações práticas para a triagem dermatológica.
No entanto, a dependência de um ponto de corte estático sem avaliação de desempenho estratificada em diferentes subgrupos de pacientes pode limitar a interpretabilidade em contextos clínicos heterogêneos.2 Por exemplo, pacientes com doença ungueal isolada ou psoríase em placas de início precoce podem não apresentar as características sistêmicas que levam aos escores PEST‐BP mais altos, potencialmente atrasando o encaminhamento.3 A incorporação de valores preditivos positivos diferenciais para subconjuntos, como psoríase ungueal ou casos com predominância de dactilite, poderia aprimorar a capacidade discriminatória da ferramenta na prática clínica de rotina.
Outra preocupação importante é a ausência de avaliação de calibração entre as respostas do PEST‐BP e os padrões reais de envolvimento articular. Embora os autores relatem que a dactilite e a psoríase ungueal são significantemente mais prevalentes em pacientes com artrite psoriásica, não está claro se essas variáveis foram associadas independentemente a escores elevados de PEST‐BP ou atuaram como fatores de confusão no modelo logístico. Sem essa análise de calibração, a força do PEST‐BP como indicador de inflamação articular precoce permanece parcialmente inferencial.
Por fim, embora os autores enfatizem corretamente a associação entre escores mais altos do Psoriasis Area and Severity Index (PASI) e artrite psoriásica, a inclusão de PASI ≥ 10 como preditor independente levanta potencial confusão entre a gravidade da pele e o risco articular.4 Investigações futuras podem se beneficiar da análise sobre se o PASI exerce efeito aditivo ou sinérgico juntamente com o PEST‐BP em modelos de triagem compostos, especialmente em populações com baixa atividade basal da doença.
Elogiamos os autores por promoverem a validação regional de uma ferramenta de triagem eficiente em termos de tempo e por integrarem a experiência dermatológica e reumatológica no mesmo ambiente clínico. Expandir esse trabalho por meio de coortes multicêntricas e validação longitudinal pode informar significantemente as estratégias de intervenção precoce e reduzir os atrasos no diagnóstico da artrite psoriásica.
Suporte financeiroNenhum.
Contribuição dos autoresKishankumar Mahida: Conceitualização; metodologia; elaboração e redação do manuscrito original; revisão e edição do manuscrito.
Snehal Rajendra Jagtap: Validação; supervisão; administração do projeto; elaboração e redação do manuscrito original; revisão e edição do manuscrito.
Disponibilidade de dados de pesquisaNão se aplica.
Conflito de interessesNenhum.
EditorHiram Larangeira de Almeida Jr.
Como citar este artigo: Mahida K, Jagtap SR. Comment on “The Brazilian Portuguese version of the psoriasis epidemiology screening tool (PEST‐bp) is reliable and accurate: a cross‐sectional study from southern Brazil”. An Bras Dermatol. 2026;101:501369.
Trabalho realizado no Dr. D. Y. Patil Medical College Hospital and Research Centre, Dr. D. Y. Patil Vidyapeeth (Deemed‐to‐be‐University), Pimpri, Pune, Maharashtra, Índia.
