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Vol. 97. Issue 5.
Pages 665-667 (01 September 2022)
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Vol. 97. Issue 5.
Pages 665-667 (01 September 2022)
Carta ‐ Investigação
Open Access
Dermatoscopia e ultrassonografia de lesões nodulares de sarcoma de Kaposi: novos conhecimentos para conduzir a quimioterapia intralesional?
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Gianluca Nazzaroa, Athanasia Tourlakia, Carlo Alberto Maronesea,b,
Corresponding author
carlo.maronese@unimi.it

Autor para correspondência.
, Enrico Zelinc, Emanuela Passonia, Lucia Brambillaa
a Unidade de Dermatologia, Fondazione IRCCS Ca’ Granda Ospedale Maggiore Policlinico, Milão, Itália
b Departamento de Fisiopatologia e Transplantes, Università degli Studi di Milano, Milão, Itália
c Departamento de Dermatologia e Venereologia, Dermatology Clinic, Maggiore Hospital, University of Trieste, Trieste, Itália
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Prezado Editor,

O sarcoma de Kaposi (SK) é neoplasia mesenquimal angioproliferativa rara, de baixo grau, associada ao herpes‐vírus humano 8 (HHV‐8), caracterizada por manchas, placas e nódulos cutâneos.1

A dermatoscopia e a ultrassonografia (US) são técnicas complementares úteis no estudo das lesões do SK;2,3 a US também fornece orientação valiosa para o tratamento intralesional.4 A correlação entre os achados dermatoscópicos e ultrassonográficos ainda não foi relatada no SK. Descrevemos dois casos de lesões nodulares de SK de tamanho médio a grande, virgens de tratamento, com características arquitetônicas e vasculares complexas, avaliadas por dermatoscopia e US. Especula‐se que a avaliação das lesões do SK através de técnicas não invasivas possa auxiliar no manejo adequado da quimioterapia intralesional.

Caso 1

Um homem de 82 anos com SK clássico comprovado pela histopatologia, de longa data e com história médica sem características dignas de nota, queixou‐se de uma lesão recém‐formada no calcanhar esquerdo, apresentando‐se clinicamente como um nódulo violáceo medindo 9×6mm, com descamação em colarete periférico. A dermatoscopia mostrou duas grandes áreas vasculares violáceas separadas por uma área branca acinzentada e sem estrutura (fig. 1a‐b). Ao exame com US em modo B, a lesão apresentava estrutura oval hipoecoica com bordas bem demarcadas e com septo normoecoico mediano interno delimitando duas subunidades separadas. O exame com Doppler colorido revelou que as subunidades eram supridas por dois vasos sanguíneos diferentes. Além disso, seu fluxo sanguíneo não se comunicava em grau significativo (fig. 1c/Vídeo 1 – material suplementar).

Figura 1.

Aparência clínica, dermatoscópica (dispositivo portátil Dermlite DL200 Hybrid, 3Gen, San Juan Capistrano, CA) e ultrassonográfica (transdutor de matriz linear multifrequência ARIETTA 850 15,0‐18,0MHz, Hitachi Medical Systems®, Zug, Suíça) das lesões estudadas dos pacientes 1 (A ‐C) e 2 (D‐F).

(0.55MB).
Caso 2

Um homem de 63 anos com SK clássico comprovado pela histopatologia, de longa data e com histórico médico normal, veio à consulta em virtude do aparecimento de um nódulo angiomatoso medindo 7×5mm no braço direito, apresentando superfície lisa e borda desbotada. A dermatoscopia evidenciou duas áreas violáceas sem estrutura sobre fundo rosa‐acastanhado, separadas por uma área um pouco mais pálida entre elas; além disso, nenhuma estrutura vascular foi observada (fig. 1d‐e). Na US em modo B, o nódulo apresentava duas subunidades adjacentes, e uma estrutura semelhante a um septo foi observada no centro da lesão. As imagens no modo eFlow confirmaram a presença de pedúnculos vasculares distintos suprindo cada subunidade (fig. 1f).

Foi oferecido em ambos os casos o tratamento intralesional com vincristina, adequado para o tamanho da lesão – a quantidade de vincristina infiltrada era proporcional ao maior diâmetro do nódulo, medido clínica e dermatoscopicamente.5 Mais especificamente, 0,09mL e 0,07mL de sulfato de vincristina (Vincristina Teva, Teva Italia Srl®, Assago, Itália) na concentração de 1mg/mL foram administrados no pacientes 1 e 2, respectivamente.

Uma resposta completa foi alcançada em ambos os casos, sem evidência clínica de recorrência após 12 meses de seguimento.

A administração intralesional de medicamentos é particularmente vantajosa em lesões nodulares de SK, potencializando a presença de uma pseudocápsula para contenção e concentração da medicação. Falhas terapêuticas e até mesmo piora paradoxal nos dias seguintes à injeção são raras, mas já foram descritas. Os fatores predisponentes conhecidos incluem grande tamanho da lesão (7‐8mm) e localização plantar e plantar lateral do nódulo.5 Septos que delimitam espaços vasculares autônomos dentro de lesões nodulares de SK podem teoricamente levar ao aprisionamento do medicamento, preenchimento excessivo e subsequente ativação inflamatória nos tecidos circundantes após o tratamento. São apresentados dois casos de SK nos quais a dermatoscopia revelou áreas sem estrutura, esbranquiçadas‐acinzentadas correspondendo a septos na ultrassonografia. Mais pesquisas são necessárias para demonstrar uma relação causal entre a complexidade estrutural e falhas terapêuticas observadas com quimioterapia intralesional.

Embora nenhuma recomendação definitiva possa ser dada nesse momento, argumenta‐se que seria prudente examinar lesões nodulares de SK para verificar a presença de características dermatoscópicas sugestivas de septações antes do tratamento intralesional. Caso alguma septação seja observada, um estudo ultrassonográfico, bem como a administração de vincristina guiada por US, podem ser oferecidos.4

Suporte financeiro

Nenhum.

O consentimento informado foi obtido para publicar fotografias e dados dos pacientes. O compartilhamento de dados não é aplicável a este artigo, pois nenhum novo dado foi criado ou analisado no presente estudo.

Contribuição dos autores

Gianluca Nazzaro: Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Athanasia Tourlaki: Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Carlo Alberto Maronese: Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Enrico Zelin: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica do manuscrito.

Emanuela Passoni: Aprovação da versão final do manuscrito; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito.

Lucia Brambilla: Aprovação da versão final do manuscrito; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito.

Conflito de interesses

Nenhum.

Referências
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R.A. Schwartz, G. Micali, M.R. Nasca, L. Scuderi.
Kaposi sarcoma: a continuing conundrum.
J Am Acad Dermatol., 59 (2008), pp. 179-206
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T.E. Yılmaz, B.N. Akay, A.O. Heper.
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Skin Ultrasound in Kaposi Sarcoma.
Actas Dermosifiliogr., 107 (2016), pp. e19-e22
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G. Nazzaro, G. Genovese, A. Tourlaki, E. Passoni, E. Berti, L. Brambilla.
Ultrasonographic intraoperative monitoring and follow‐up of Kaposi's sarcoma nodules under treatment with intralesional vincristine.
Skin Res Technol., 25 (2019), pp. 200-203
[5]
L. Brambilla, M. Bellinvia, A. Tourlaki, B. Scoppio, F. Gaiani, V. Boneschi.
Intralesional vincristine as first‐line therapy for nodular lesions in classic Kaposi sarcoma: a prospective study in 151 patients.
Br J Dermatol., 162 (2010), pp. 854-859

Como citar este artigo: Nazzaro G, Tourlaki A, Maronese CA, Zelin E, Passoni E, Brambilla L. Dermoscopy and ultrasonography of Kaposi's sarcoma nodules: new insights to guide intralesional chemotherapy? An Bras Dermatol. 2022;97:665–7.

Trabalho realizado na Unidade de Dermatologia, Fondazione IRCCS Ca’ Granda Ospedale Maggiore Policlinico, Milão, Itália.

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