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Vol. 101. Issue 5.
(September - October 2026)
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Vol. 101. Issue 5.
(September - October 2026)
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Fasciíte eosinofílica associada a inibidores de checkpoint imunológico: revisão sistemática de casos relatados

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Yahya Argobia,
Corresponding author
yargobi@kku.edu.sa

Autor para correspondência.
, Faisal Tobeigeia, Faris I. Alasirib
a Departamento de Dermatologia, College of Medicine, King Khalid University, Abha, Arábia Saudita
b Programa de Hospitais das Forças de Segurança, General Directorate of Medical Services, Ministério do Interior, Riyadh, Arábia Saudita
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Tabela 1. Características dos estudos incluídos que relataram fasciíte eosinofílica associada a inibidores de checkpoint imunológico
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Tabela 2. Características clínicas dos pacientes dos estudos incluídos
Tables
Tabela 3. Tratamento e desfechos ao nível de paciente
Tables
Tabela 4. Avaliação da qualidade metodológica (Lista de verificação JBI)
Tables
Additional material (1)
Resumo
Fundamentos

A fasciíte eosinofílica (FE) é doença fibrosante rara, mediada pelo sistema imunológico, que afeta a fáscia. Os inibidores de checkpoint imunológico (ICIs) transformaram a terapia oncológica, mas podem precipitar eventos adversos relacionados à imunidade (EAIs), incluindo manifestações dermatológicas e reumatológicas. A FE associada a ICIs tem sido relatada com crescente frequência, porém permanece pouco caracterizada.

Objetivo

Resumir sistematicamente as características clínicas, abordagens diagnósticas, estratégias de manejo e desfechos da FE associada a ICIs.

Métodos

Uma revisão sistemática foi conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA 2020. As bases de dados PubMed/Medline, Embase e Web of Science foram pesquisadas desde o início até janeiro de 2026. Os estudos elegíveis foram relatos de caso, séries de casos ou estudos observacionais que descrevessem pacientes adultos com câncer que desenvolveram FE associada temporalmente à terapia com ICIs. Dois revisores independentes selecionaram os estudos, extraíram os dados e avaliaram a qualidade metodológica utilizando as ferramentas do Joanna Briggs Institute.

Resultados

Dos 148 registros identificados, 93 permaneceram após a remoção de 55 duplicatas; 28 artigos completos foram avaliados e 18 atenderam aos critérios de inclusão, representando 22 pacientes únicos. Nivolumabe e pembrolizumabe foram os agentes mais frequentemente implicados. O início da FE variou de algumas semanas a meses após o início da terapia com ICI. As regiões mais comumente afetadas foram as extremidades. O diagnóstico foi confirmado por biopsia e/ou exames de imagem na maioria dos casos. Os corticosteroides sistêmicos foram o principal tratamento, com agentes imunossupressores adicionais utilizados em pacientes selecionados. A maioria dos casos apresentou melhora clínica parcial ou completa.

Limitações do estudo

As evidências são limitadas a relatos de casos e pequenas séries de casos, com relatos heterogêneos, o que impede a estimativa da incidência e limita a generalização dos resultados.

Conclusões

A FE associada a ICIs é EAI raro, porém clinicamente relevante, com envolvimento dermatológico e do tecido conjuntivo. O reconhecimento precoce e o manejo multidisciplinar são essenciais para prevenir morbidade em longo prazo.

Palavras‐chave:
Eosinofilia
Fasciíte
Imunoterapia
Inibidores de checkpoint imunológico
Neoplasias
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Introdução

Os inibidores de checkpoint imunológico (ICIs) revolucionaram o tratamento de múltiplas malignidades, aumentando as respostas das células T antitumorais por meio do bloqueio de vias imunorregulatórias, como PD‐1, PD‐L1 e CTLA‐4.1–3 Esses agentes melhoram os resultados de sobrevida, mas podem perturbar a tolerância imunológica e induzir eventos adversos relacionados à imunidade (EAIs) que afetam múltiplos sistemas orgânicos.1,4,5

EAIs cutâneos, musculoesqueléticos e do tecido conjuntivo são cada vez mais reconhecidos na prática de rotina.5 Entre esses, a fasciíte eosinofílica (FE) é doença fibrosante rara com manifestações cutâneas e fasciais proeminentes, incluindo endurecimento da pele e rigidez dos membros.5–8 Descrita pela primeira vez por Shulman em 1974, a FE é caracterizada por inflamação fascial, fibrose progressiva, eosinofilia periférica e alterações em peau d’orange, com o diagnóstico geralmente baseado em histologia que englobe a fáscia e/ou achados característicos de ressonância magnética (RM).6–8

Embora casos individuais de FE associada a ICI tenham sido relatados, seu espectro clínico geral, vias diagnósticas, estratégias de tratamento e desfechos permanecem incompletamente definidos.9–26 Portanto, foi realizada revisão sistemática para sintetizar as evidências atuais sobre FE associada a ICI, com foco em características relevantes para a prática dermatológica e oncodermatológica.

MétodosDesenho e registro do estudo

Esta revisão sistemática foi conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta‐Analyses) de 2020.27 O protocolo foi registrado prospectivamente no PROSPERO (CRD420251134379). Como foram analisados apenas dados previamente publicados, a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa não foi necessária.

Estrutura da revisão

A questão da revisão foi estruturada utilizando a estrutura população‐exposição‐desfecho (PEO, do inglês population‐exposure‐outcome) – população: pacientes adultos com neoplasia maligna; exposição: ICI (inibidores de PD‐1, PD‐L1 ou CTLA‐4); desfecho: desenvolvimento de FE.

Estratégia de busca

A busca abrangente foi realizada no PubMed/Medline (Ovid), Embase (Ovid) e Web of Science, desde a criação das bases de dados até janeiro de 2026. Os termos de busca combinaram vocabulário controlado (MeSH/Emtree) e palavras‐chave de texto livre relacionadas a ICI e FE, incluindo “Shulman syndrome”. As estratégias de busca completas para cada base de dados são fornecidas no apêndice suplementar 1.

Critérios de elegibilidade

Os estudos foram considerados elegíveis se atendessem a todos os seguintes critérios: 1) relato de caso, série de casos ou estudo observacional; 2) pacientes oncológicos adultos expostos a ICI; 3) FE temporalmente associada à terapia com ICI; e 4) artigo completo disponível em inglês.

Os critérios de exclusão foram: 1) revisões, editoriais ou resumos de congressos sem dados extraíveis em nível de paciente; 2) análises de bancos de dados de farmacovigilância sem confirmação clínica; 3) casos semelhantes à FE ou à esclerodermia sem diagnóstico confirmado; 4) FE não relacionada à ICI; e 5) estudos em animais ou em laboratório.

A lista detalhada dos artigos excluídos na íntegra e os motivos da exclusão são apresentados na tabela suplementar S1.

Seleção dos estudos

Após a remoção de duplicatas, dois revisores independentes analisaram os títulos e resumos. Os artigos potencialmente elegíveis foram recuperados na íntegra e avaliados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. As discrepâncias foram resolvidas por meio de discussão e consenso.

Extração de dados

Dois revisores extraíram os dados de maneira independente, utilizando formulário padronizado. As variáveis extraídas incluíram dados demográficos dos pacientes, malignidade subjacente, agente e regime da terapia com ICI, tempo decorrido entre o início da ICI e o surgimento da FE, regiões anatômicas afetadas, modalidade diagnóstica (biopsia e/ou exames de imagem), estratégias de tratamento e desfechos clínicos.

Avaliação da qualidade

A qualidade metodológica dos relatos de caso e séries de casos incluídos foi avaliada utilizando as listas de verificação de avaliação crítica apropriadas do Joanna Briggs Institute (JBI).28 Dois revisores aplicaram as ferramentas independentemente, e as divergências foram resolvidas por consenso.

Síntese dos dados

Dada a raridade da FE associada a ICIs e a ausência de dados de coorte comparáveis, a metanálise quantitativa não foi viável. Os resultados foram sintetizados narrativamente, com resumo descritivo das características dos estudos e dos pacientes.

ResultadosSeleção dos estudos

Foram identificados 148 registros (Embase: 80; Medline: 31; Web of Science: 37). Após a remoção de 55 duplicatas, 93 registros permaneceram para triagem de título e resumo, dos quais 65 foram excluídos. Vinte e oito artigos completos foram avaliados e 10 foram excluídos por critérios predefinidos (tabela suplementar S1). Dezoito estudos atenderam aos critérios de inclusão,9–26 representando 22 pacientes únicos. O processo de seleção dos estudos está resumido na figura 1.

Figura 1.

Fluxograma PRISMA para triagem e seleção dos estudos incluídos.

Características dos estudos

Todos os estudos incluídos foram relatos de casos individuais ou pequenas séries de casos publicados entre 2016 e 2025, originários da América do Norte e da Europa, e envolveram uma variedade de tumores sólidos tratados com ICIs.

Os ICIs mais frequentemente implicados foram nivolumabe e pembrolizumabe, com uso ocasional de terapia combinada ou agentes alternativos.

As características detalhadas dos estudos incluídos são apresentadas na tabela 1.9–26

Tabela 1.

Características dos estudos incluídos que relataram fasciíte eosinofílica associada a inibidores de checkpoint imunológico

Primeiro autor  Ano  País  Tipo de estudo  Agente(s) ICI  Número de casos de FE 
Khoja  2016  Canadá  Relato de caso  Pembrolizumabe  1 
Andrés‐Lencina  2018  Espanha  Relato de caso  Nivolumabe±ipilimumabe  1 
Le Tallec  2019  França  Relato de caso  Nivolumabe  1 
Toussaint  2019  Alemanha  Relato de caso  Ipilimumabe → Pembrolizumabe  1 
Chan  2020  EUA  Série de casos  Atezolizumabe/nivolumabe/pembrolizumabe  4 
Bui  2020  EUA  Relato de caso  Nivolumabe  1 
Lacombe  2021  França  Relato de caso  Nivolumabe  1 
Bourcier  2021  Canadá  Relato de caso  Pembrolizumabe  1 
Boppana  2021  EUA  Relato de caso  Cemiplimabe  1 
Zampeli  2021  Grécia  Relato de caso  Pembrolizumabe  1 
Haroon  2022  EUA  Relato de caso  Ipilimumabe+nivolumabe  1 
Amrane  2022  França  Relato de caso  Pembrolizumabe  1 
Benzaquen  2023  França  Relato de caso  Nivolumabe  1 
Oke  2025  EUA  Relato de caso  Pembrolizumabe  1 
Biteau  2025  França  Série de casos  Nivolumabe/pembrolizumabe  3 

Total de estudos: 18. Total de pacientes: 22. ICI, inibidores de checkpoint imunológico; FE, fasciíte eosinofílica.

Características dos pacientes e apresentação clínica

Entre os 22 pacientes, melanoma e câncer de pulmão de não pequenas células foram as neoplasias malignas subjacentes mais comuns. Nivolumabe e pembrolizumabe foram os ICIs mais frequentemente implicados, seguidos por outros inibidores de PD‐1/PD‐L1 ou CTLA‐4. As extremidades foram as regiões anatômicas mais frequentemente afetadas. O tempo decorrido entre o início da terapia com ICI e o surgimento da FE variou de algumas semanas a muitos meses. As manifestações clínicas tipicamente incluíram endurecimento progressivo da pele, edema dos membros, diminuição da amplitude de movimento e eosinofilia periférica. O diagnóstico foi confirmado na maioria dos casos por histologia abrangendo a fáscia e/ou achados característicos de RM. As características clínicas detalhadas dos pacientes estão resumidas na tabela 2.9–26

Tabela 2.

Características clínicas dos pacientes dos estudos incluídos

Primeiro autor  Idade  Sexo  Tipo de câncer  ICI  Tempo até FE  Região afetada  Eosinofilia  Método diagnóstico 
Khoja  NR  M  Melanoma  Pembrolizumabe  Meses  Membros superiores  Sim  Histologia 
Andrés‐Lencina  NR  NR  Melanoma  Nivolumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Le Tallec  NR  NR  Câncer de pulmão  Nivolumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Toussaint  NR  NR  Melanoma  Ipilimumabe → Pembrolizumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Chan (4 casos)  NR  NR  Misto  Misto  NR  Membros  Sim  Histologia 
Bui  NR  NR  Melanoma  Nivolumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Lacombe  NR  NR  Melanoma  Nivolumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Bourcier  NR  NR  Melanoma  Pembrolizumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Boppana  NR  NR  Câncer de pele  Cemiplimabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Zampeli  NR  NR  Câncer  Pembrolizumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Haroon  NR  NR  Câncer  Ipilimumabe+nivolumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Amrane  NR  NR  Câncer  Pembrolizumabe  Meses  Membros  Sim  RM+Histologia 
Benzaquen  NR  NR  Câncer  Nivolumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Oke  NR  NR  Câncer de bexiga  Pembrolizumabe  Meses  Membros  Sim  Histologia 
Biteau (3 casos)  NR  NR  Misto  Misto  Semanas‐meses  Membros  Sim  Histologia 

ICI, inibidores de checkpoint imunológico; FE, fasciíte eosinofílica; M, masculino; NR, não relatado; M, ressonancia magnética.

Tratamento e desfechos

Os corticosteroides sistêmicos foram o tratamento primário na maioria dos pacientes. Agentes imunossupressores adicionais, mais comumente metotrexato ou micofenolato de mofetila, e menos frequentemente sirolimus, imunoglobulina intravenosa ou terapias biológicas, foram usados em casos refratários a esteroides ou recidivantes. A descontinuação da terapia com ICIs foi relatada em muitos casos, embora alguns pacientes tenham continuado o tratamento sem interrupção. A maioria dos pacientes obteve melhora clínica parcial ou completa, e nenhuma morte foi diretamente atribuída à FE. As estratégias de tratamento detalhadas e os resultados são apresentados na tabela 3.9–26

Tabela 3.

Tratamento e desfechos ao nível de paciente

Primeiro autor  Esteroides  Terapia de segunda linha  ICI descontinuado  Desfecho 
Khoja  Sim  Não  Sim  Melhora 
Andrés‐Lencina  Sim  Não  Sim  Melhora 
Le Tallec  Sim  Sirolimus  Sim  Melhora 
Toussaint  Sim  Não  Sim  Melhora 
Chan  Sim  MTX/MMF  NR  Melhora 
Bui  Não  Não  Não  Melhora 
Lacombe  Sim  Não  Sim  Melhora 
Bourcier  Não  Não  Não  Melhora 
Boppana  Sim  Não  Sim  Melhora 
Zampeli  Sim  Não  Sim  Melhora 
Haroon  Sim  Não  Sim  Melhora 
Amrane  Sim  Não  Sim  Melhora 
Benzaquen  Sim  Não  Sim  Melhora 
Oke  Sim  Não  Sim  Melhora 
Biteau  Sim  MTX  NR  Melhora 

ICI, inibidores de checkpoint imunológico; MTX, metotrexato; MMF, micofenolato de mofetila; NR, não relatado.

Avaliação da qualidade

A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi geralmente alta, com base nos critérios de avaliação crítica do JBI. A maioria dos estudos forneceu descrições claras dos pacientes, confirmação diagnóstica e relato de desfechos.

A avaliação detalhada da qualidade metodológica de cada estudo incluído é apresentada na tabela 4.9–26

Tabela 4.

Avaliação da qualidade metodológica (Lista de verificação JBI)

Estudo  Descrição clara do paciente  Linha do tempo histórica  Métodos de diagnóstico  Intervenção descrita  Desfechos pós‐intervenção  Eventos adversos  Conclusões  Geral 
Khoja  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Andrés‐Lencina  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Le Tallec  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Toussaint  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Chan  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Bui  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Lacombe  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Bourcier  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Boppana  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Zampeli  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Haroon  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Amrane  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Benzaquen  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Oke  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Biteau  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim  Não  Sim  Alta 
Discussão

Esta revisão sistemática identificou 22 casos de FE temporalmente associados à terapia com ICIs, confirmando que se trata de um EAI raro, porém clinicamente relevante, com envolvimento dermatológico e do tecido conjuntivo. Nivolumabe e pembrolizumabe foram os agentes mais frequentemente implicados, provavelmente refletindo tanto seu uso disseminado quanto a experiência pós‐comercialização acumulada.9–26 De acordo com os dados clínicos (tabela 2), as extremidades foram as regiões anatômicas mais frequentemente afetadas.

Em comparação com estudos de farmacovigilância mais amplos e coortes multicêntricas, a presente abordagem estritamente baseada em casos identificou um número menor de pacientes. Por exemplo, Biteau et al. relataram três novos casos em uma série francesa maior de FE relacionada a ICIs, mas muitos sinais derivados de farmacovigilância ou semelhantes à FE não atenderam ao requisito de FE confirmada e dados extraíveis em nível de paciente.26 Essa definição de caso rigorosa, embora restritiva, aumenta a certeza diagnóstica e a interpretabilidade clínica. A avaliação metodológica detalhada dos estudos incluídos é apresentada na tabela 4.

A maior agregação de casos individuais entre os relatos incluídos foi a série de Chan et al., que descreveu quatro pacientes com FE confirmada por histopatologia após terapia com inibidor de checkpoint, ressaltando a raridade dessa complicação mesmo em centros de alto volume.14 Os dados disponíveis sugerem que a FE associada a ICI compartilha características fisiopatológicas com a FE idiopática, incluindo desregulação imunológica com infiltração eosinofílica e ativação de fibroblastos.4–6 O tratamento nos casos publicados tem espelhado em grande parte o da FE convencional, com corticosteroides sistêmicos como terapia de primeira linha e escalonamento para agentes poupadores de esteroides em doença refratária ou recidivante.4–8 Como detalhado na tabela 3, a maioria dos pacientes demonstrou melhora clínica após a terapia com corticosteroides, com agentes imunossupressores adicionais necessários em casos selecionados.

Apesar dos resultados geralmente favoráveis, o diagnóstico tardio pode propiciar a progressão para fibrose fixa e comprometimento funcional persistente. A presença de endurecimento cutâneo novo ou agravado, edema de membros ou mobilidade reduzida em pacientes que recebem ICIs deve, portanto, motivar avaliação dermatológica e reumatológica precoce, considerando a FE no diagnóstico diferencial. Esses achados ressaltam a importância de integrar a avaliação dermatológica à avaliação multidisciplinar de pacientes que recebem ICIs.

Limitações

Esta revisão é limitada por sua dependência de relatos de casos e pequenas séries de casos, que são suscetíveis a vieses de seleção e publicação e frequentemente carecem de padronização na apresentação dos dados. A heterogeneidade nos critérios diagnósticos, exames de imagem e avaliação histopatológica, bem como nas estratégias de tratamento, restringe ainda mais a comparabilidade entre os casos. Consequentemente, não é possível determinar a incidência nem os fatores de risco definitivos para a FE associada a ICIs a partir dos dados disponíveis.

Conclusão

A FE associada a ICIs é EAI incomum, porém clinicamente importante, com envolvimento dermatológico e do tecido conjuntivo, que deve ser reconhecido por dermatologistas, oncologistas e reumatologistas. O diagnóstico precoce e o manejo multidisciplinar coordenado, com início oportuno da terapia imunossupressora quando indicada, parecem cruciais para limitar o comprometimento funcional em longo prazo. Estudos prospectivos e multicêntricos de maior porte são necessários para esclarecer os fatores predisponentes, refinar as vias diagnósticas e otimizar as estratégias terapêuticas.

ORCID ID

Faisal Tobeigei: 0000‐0003‐3906‐2017

Faris I. Alasiri: 0009‐0009‐0149‐6531b

Registro Prospero

CRD420251134379.

Disponibilidade de dados de pesquisa

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Suporte financeiro

Este trabalho foi financiado pela Pró‐Reitoria de Pesquisa Científica da King Khalid University [números de concessão GRP/122/44].

Contribuição dos autores

Yahya Argobi: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica da literatura; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; análise estatística; concepção e planejamento do estudo.

Faisal Tobeigei: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica da literatura; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; análise estatística; concepção e planejamento do estudo.

Faris I. Alasiri: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica da literatura; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; análise estatística; concepção e planejamento do estudo.

Conflito de interesses

Nenhum.

Editor

Hiram Larangeira de Almeida Jr.

Agradecimentos

Os autores gostariam de agradecer à Pró‐Reitoria de Pesquisa Científica da King Khalid University pelo financiamento deste estudo (Subvenção n° GRP/122/44) e à Faculdade de Medicina pela assistência prestada na realização deste estudo.

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Como citar este artigo: Argobi Y, Tobeigei F, Alasiri FI. Immune checkpoint inhibitor‐associated eosinophilic fasciitis: a systematic review of reported cases. An Bras Dermatol. 2026;101:501422.

Trabalho realizado no Departamento de Dermatologia, Faculdade de Medicina, King Khalid University, Abha, Arábia Saudita.

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