A fasciíte eosinofílica (FE) é doença fibrosante rara, mediada pelo sistema imunológico, que afeta a fáscia. Os inibidores de checkpoint imunológico (ICIs) transformaram a terapia oncológica, mas podem precipitar eventos adversos relacionados à imunidade (EAIs), incluindo manifestações dermatológicas e reumatológicas. A FE associada a ICIs tem sido relatada com crescente frequência, porém permanece pouco caracterizada.
ObjetivoResumir sistematicamente as características clínicas, abordagens diagnósticas, estratégias de manejo e desfechos da FE associada a ICIs.
MétodosUma revisão sistemática foi conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA 2020. As bases de dados PubMed/Medline, Embase e Web of Science foram pesquisadas desde o início até janeiro de 2026. Os estudos elegíveis foram relatos de caso, séries de casos ou estudos observacionais que descrevessem pacientes adultos com câncer que desenvolveram FE associada temporalmente à terapia com ICIs. Dois revisores independentes selecionaram os estudos, extraíram os dados e avaliaram a qualidade metodológica utilizando as ferramentas do Joanna Briggs Institute.
ResultadosDos 148 registros identificados, 93 permaneceram após a remoção de 55 duplicatas; 28 artigos completos foram avaliados e 18 atenderam aos critérios de inclusão, representando 22 pacientes únicos. Nivolumabe e pembrolizumabe foram os agentes mais frequentemente implicados. O início da FE variou de algumas semanas a meses após o início da terapia com ICI. As regiões mais comumente afetadas foram as extremidades. O diagnóstico foi confirmado por biopsia e/ou exames de imagem na maioria dos casos. Os corticosteroides sistêmicos foram o principal tratamento, com agentes imunossupressores adicionais utilizados em pacientes selecionados. A maioria dos casos apresentou melhora clínica parcial ou completa.
Limitações do estudoAs evidências são limitadas a relatos de casos e pequenas séries de casos, com relatos heterogêneos, o que impede a estimativa da incidência e limita a generalização dos resultados.
ConclusõesA FE associada a ICIs é EAI raro, porém clinicamente relevante, com envolvimento dermatológico e do tecido conjuntivo. O reconhecimento precoce e o manejo multidisciplinar são essenciais para prevenir morbidade em longo prazo.
Os inibidores de checkpoint imunológico (ICIs) revolucionaram o tratamento de múltiplas malignidades, aumentando as respostas das células T antitumorais por meio do bloqueio de vias imunorregulatórias, como PD‐1, PD‐L1 e CTLA‐4.1–3 Esses agentes melhoram os resultados de sobrevida, mas podem perturbar a tolerância imunológica e induzir eventos adversos relacionados à imunidade (EAIs) que afetam múltiplos sistemas orgânicos.1,4,5
EAIs cutâneos, musculoesqueléticos e do tecido conjuntivo são cada vez mais reconhecidos na prática de rotina.5 Entre esses, a fasciíte eosinofílica (FE) é doença fibrosante rara com manifestações cutâneas e fasciais proeminentes, incluindo endurecimento da pele e rigidez dos membros.5–8 Descrita pela primeira vez por Shulman em 1974, a FE é caracterizada por inflamação fascial, fibrose progressiva, eosinofilia periférica e alterações em peau d’orange, com o diagnóstico geralmente baseado em histologia que englobe a fáscia e/ou achados característicos de ressonância magnética (RM).6–8
Embora casos individuais de FE associada a ICI tenham sido relatados, seu espectro clínico geral, vias diagnósticas, estratégias de tratamento e desfechos permanecem incompletamente definidos.9–26 Portanto, foi realizada revisão sistemática para sintetizar as evidências atuais sobre FE associada a ICI, com foco em características relevantes para a prática dermatológica e oncodermatológica.
MétodosDesenho e registro do estudoEsta revisão sistemática foi conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta‐Analyses) de 2020.27 O protocolo foi registrado prospectivamente no PROSPERO (CRD420251134379). Como foram analisados apenas dados previamente publicados, a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa não foi necessária.
Estrutura da revisãoA questão da revisão foi estruturada utilizando a estrutura população‐exposição‐desfecho (PEO, do inglês population‐exposure‐outcome) – população: pacientes adultos com neoplasia maligna; exposição: ICI (inibidores de PD‐1, PD‐L1 ou CTLA‐4); desfecho: desenvolvimento de FE.
Estratégia de buscaA busca abrangente foi realizada no PubMed/Medline (Ovid), Embase (Ovid) e Web of Science, desde a criação das bases de dados até janeiro de 2026. Os termos de busca combinaram vocabulário controlado (MeSH/Emtree) e palavras‐chave de texto livre relacionadas a ICI e FE, incluindo “Shulman syndrome”. As estratégias de busca completas para cada base de dados são fornecidas no apêndice suplementar 1.
Critérios de elegibilidadeOs estudos foram considerados elegíveis se atendessem a todos os seguintes critérios: 1) relato de caso, série de casos ou estudo observacional; 2) pacientes oncológicos adultos expostos a ICI; 3) FE temporalmente associada à terapia com ICI; e 4) artigo completo disponível em inglês.
Os critérios de exclusão foram: 1) revisões, editoriais ou resumos de congressos sem dados extraíveis em nível de paciente; 2) análises de bancos de dados de farmacovigilância sem confirmação clínica; 3) casos semelhantes à FE ou à esclerodermia sem diagnóstico confirmado; 4) FE não relacionada à ICI; e 5) estudos em animais ou em laboratório.
A lista detalhada dos artigos excluídos na íntegra e os motivos da exclusão são apresentados na tabela suplementar S1.
Seleção dos estudosApós a remoção de duplicatas, dois revisores independentes analisaram os títulos e resumos. Os artigos potencialmente elegíveis foram recuperados na íntegra e avaliados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. As discrepâncias foram resolvidas por meio de discussão e consenso.
Extração de dadosDois revisores extraíram os dados de maneira independente, utilizando formulário padronizado. As variáveis extraídas incluíram dados demográficos dos pacientes, malignidade subjacente, agente e regime da terapia com ICI, tempo decorrido entre o início da ICI e o surgimento da FE, regiões anatômicas afetadas, modalidade diagnóstica (biopsia e/ou exames de imagem), estratégias de tratamento e desfechos clínicos.
Avaliação da qualidadeA qualidade metodológica dos relatos de caso e séries de casos incluídos foi avaliada utilizando as listas de verificação de avaliação crítica apropriadas do Joanna Briggs Institute (JBI).28 Dois revisores aplicaram as ferramentas independentemente, e as divergências foram resolvidas por consenso.
Síntese dos dadosDada a raridade da FE associada a ICIs e a ausência de dados de coorte comparáveis, a metanálise quantitativa não foi viável. Os resultados foram sintetizados narrativamente, com resumo descritivo das características dos estudos e dos pacientes.
ResultadosSeleção dos estudosForam identificados 148 registros (Embase: 80; Medline: 31; Web of Science: 37). Após a remoção de 55 duplicatas, 93 registros permaneceram para triagem de título e resumo, dos quais 65 foram excluídos. Vinte e oito artigos completos foram avaliados e 10 foram excluídos por critérios predefinidos (tabela suplementar S1). Dezoito estudos atenderam aos critérios de inclusão,9–26 representando 22 pacientes únicos. O processo de seleção dos estudos está resumido na figura 1.
Características dos estudosTodos os estudos incluídos foram relatos de casos individuais ou pequenas séries de casos publicados entre 2016 e 2025, originários da América do Norte e da Europa, e envolveram uma variedade de tumores sólidos tratados com ICIs.
Os ICIs mais frequentemente implicados foram nivolumabe e pembrolizumabe, com uso ocasional de terapia combinada ou agentes alternativos.
As características detalhadas dos estudos incluídos são apresentadas na tabela 1.9–26
Características dos estudos incluídos que relataram fasciíte eosinofílica associada a inibidores de checkpoint imunológico
| Primeiro autor | Ano | País | Tipo de estudo | Agente(s) ICI | Número de casos de FE |
|---|---|---|---|---|---|
| Khoja | 2016 | Canadá | Relato de caso | Pembrolizumabe | 1 |
| Andrés‐Lencina | 2018 | Espanha | Relato de caso | Nivolumabe±ipilimumabe | 1 |
| Le Tallec | 2019 | França | Relato de caso | Nivolumabe | 1 |
| Toussaint | 2019 | Alemanha | Relato de caso | Ipilimumabe → Pembrolizumabe | 1 |
| Chan | 2020 | EUA | Série de casos | Atezolizumabe/nivolumabe/pembrolizumabe | 4 |
| Bui | 2020 | EUA | Relato de caso | Nivolumabe | 1 |
| Lacombe | 2021 | França | Relato de caso | Nivolumabe | 1 |
| Bourcier | 2021 | Canadá | Relato de caso | Pembrolizumabe | 1 |
| Boppana | 2021 | EUA | Relato de caso | Cemiplimabe | 1 |
| Zampeli | 2021 | Grécia | Relato de caso | Pembrolizumabe | 1 |
| Haroon | 2022 | EUA | Relato de caso | Ipilimumabe+nivolumabe | 1 |
| Amrane | 2022 | França | Relato de caso | Pembrolizumabe | 1 |
| Benzaquen | 2023 | França | Relato de caso | Nivolumabe | 1 |
| Oke | 2025 | EUA | Relato de caso | Pembrolizumabe | 1 |
| Biteau | 2025 | França | Série de casos | Nivolumabe/pembrolizumabe | 3 |
Total de estudos: 18. Total de pacientes: 22. ICI, inibidores de checkpoint imunológico; FE, fasciíte eosinofílica.
Entre os 22 pacientes, melanoma e câncer de pulmão de não pequenas células foram as neoplasias malignas subjacentes mais comuns. Nivolumabe e pembrolizumabe foram os ICIs mais frequentemente implicados, seguidos por outros inibidores de PD‐1/PD‐L1 ou CTLA‐4. As extremidades foram as regiões anatômicas mais frequentemente afetadas. O tempo decorrido entre o início da terapia com ICI e o surgimento da FE variou de algumas semanas a muitos meses. As manifestações clínicas tipicamente incluíram endurecimento progressivo da pele, edema dos membros, diminuição da amplitude de movimento e eosinofilia periférica. O diagnóstico foi confirmado na maioria dos casos por histologia abrangendo a fáscia e/ou achados característicos de RM. As características clínicas detalhadas dos pacientes estão resumidas na tabela 2.9–26
Características clínicas dos pacientes dos estudos incluídos
| Primeiro autor | Idade | Sexo | Tipo de câncer | ICI | Tempo até FE | Região afetada | Eosinofilia | Método diagnóstico |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Khoja | NR | M | Melanoma | Pembrolizumabe | Meses | Membros superiores | Sim | Histologia |
| Andrés‐Lencina | NR | NR | Melanoma | Nivolumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Le Tallec | NR | NR | Câncer de pulmão | Nivolumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Toussaint | NR | NR | Melanoma | Ipilimumabe → Pembrolizumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Chan (4 casos) | NR | NR | Misto | Misto | NR | Membros | Sim | Histologia |
| Bui | NR | NR | Melanoma | Nivolumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Lacombe | NR | NR | Melanoma | Nivolumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Bourcier | NR | NR | Melanoma | Pembrolizumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Boppana | NR | NR | Câncer de pele | Cemiplimabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Zampeli | NR | NR | Câncer | Pembrolizumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Haroon | NR | NR | Câncer | Ipilimumabe+nivolumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Amrane | NR | NR | Câncer | Pembrolizumabe | Meses | Membros | Sim | RM+Histologia |
| Benzaquen | NR | NR | Câncer | Nivolumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Oke | NR | NR | Câncer de bexiga | Pembrolizumabe | Meses | Membros | Sim | Histologia |
| Biteau (3 casos) | NR | NR | Misto | Misto | Semanas‐meses | Membros | Sim | Histologia |
ICI, inibidores de checkpoint imunológico; FE, fasciíte eosinofílica; M, masculino; NR, não relatado; M, ressonancia magnética.
Os corticosteroides sistêmicos foram o tratamento primário na maioria dos pacientes. Agentes imunossupressores adicionais, mais comumente metotrexato ou micofenolato de mofetila, e menos frequentemente sirolimus, imunoglobulina intravenosa ou terapias biológicas, foram usados em casos refratários a esteroides ou recidivantes. A descontinuação da terapia com ICIs foi relatada em muitos casos, embora alguns pacientes tenham continuado o tratamento sem interrupção. A maioria dos pacientes obteve melhora clínica parcial ou completa, e nenhuma morte foi diretamente atribuída à FE. As estratégias de tratamento detalhadas e os resultados são apresentados na tabela 3.9–26
Tratamento e desfechos ao nível de paciente
| Primeiro autor | Esteroides | Terapia de segunda linha | ICI descontinuado | Desfecho |
|---|---|---|---|---|
| Khoja | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Andrés‐Lencina | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Le Tallec | Sim | Sirolimus | Sim | Melhora |
| Toussaint | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Chan | Sim | MTX/MMF | NR | Melhora |
| Bui | Não | Não | Não | Melhora |
| Lacombe | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Bourcier | Não | Não | Não | Melhora |
| Boppana | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Zampeli | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Haroon | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Amrane | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Benzaquen | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Oke | Sim | Não | Sim | Melhora |
| Biteau | Sim | MTX | NR | Melhora |
ICI, inibidores de checkpoint imunológico; MTX, metotrexato; MMF, micofenolato de mofetila; NR, não relatado.
A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi geralmente alta, com base nos critérios de avaliação crítica do JBI. A maioria dos estudos forneceu descrições claras dos pacientes, confirmação diagnóstica e relato de desfechos.
A avaliação detalhada da qualidade metodológica de cada estudo incluído é apresentada na tabela 4.9–26
Avaliação da qualidade metodológica (Lista de verificação JBI)
| Estudo | Descrição clara do paciente | Linha do tempo histórica | Métodos de diagnóstico | Intervenção descrita | Desfechos pós‐intervenção | Eventos adversos | Conclusões | Geral |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Khoja | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Andrés‐Lencina | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Le Tallec | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Toussaint | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Chan | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Bui | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Lacombe | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Bourcier | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Boppana | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Zampeli | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Haroon | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Amrane | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Benzaquen | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Oke | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
| Biteau | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alta |
Esta revisão sistemática identificou 22 casos de FE temporalmente associados à terapia com ICIs, confirmando que se trata de um EAI raro, porém clinicamente relevante, com envolvimento dermatológico e do tecido conjuntivo. Nivolumabe e pembrolizumabe foram os agentes mais frequentemente implicados, provavelmente refletindo tanto seu uso disseminado quanto a experiência pós‐comercialização acumulada.9–26 De acordo com os dados clínicos (tabela 2), as extremidades foram as regiões anatômicas mais frequentemente afetadas.
Em comparação com estudos de farmacovigilância mais amplos e coortes multicêntricas, a presente abordagem estritamente baseada em casos identificou um número menor de pacientes. Por exemplo, Biteau et al. relataram três novos casos em uma série francesa maior de FE relacionada a ICIs, mas muitos sinais derivados de farmacovigilância ou semelhantes à FE não atenderam ao requisito de FE confirmada e dados extraíveis em nível de paciente.26 Essa definição de caso rigorosa, embora restritiva, aumenta a certeza diagnóstica e a interpretabilidade clínica. A avaliação metodológica detalhada dos estudos incluídos é apresentada na tabela 4.
A maior agregação de casos individuais entre os relatos incluídos foi a série de Chan et al., que descreveu quatro pacientes com FE confirmada por histopatologia após terapia com inibidor de checkpoint, ressaltando a raridade dessa complicação mesmo em centros de alto volume.14 Os dados disponíveis sugerem que a FE associada a ICI compartilha características fisiopatológicas com a FE idiopática, incluindo desregulação imunológica com infiltração eosinofílica e ativação de fibroblastos.4–6 O tratamento nos casos publicados tem espelhado em grande parte o da FE convencional, com corticosteroides sistêmicos como terapia de primeira linha e escalonamento para agentes poupadores de esteroides em doença refratária ou recidivante.4–8 Como detalhado na tabela 3, a maioria dos pacientes demonstrou melhora clínica após a terapia com corticosteroides, com agentes imunossupressores adicionais necessários em casos selecionados.
Apesar dos resultados geralmente favoráveis, o diagnóstico tardio pode propiciar a progressão para fibrose fixa e comprometimento funcional persistente. A presença de endurecimento cutâneo novo ou agravado, edema de membros ou mobilidade reduzida em pacientes que recebem ICIs deve, portanto, motivar avaliação dermatológica e reumatológica precoce, considerando a FE no diagnóstico diferencial. Esses achados ressaltam a importância de integrar a avaliação dermatológica à avaliação multidisciplinar de pacientes que recebem ICIs.
LimitaçõesEsta revisão é limitada por sua dependência de relatos de casos e pequenas séries de casos, que são suscetíveis a vieses de seleção e publicação e frequentemente carecem de padronização na apresentação dos dados. A heterogeneidade nos critérios diagnósticos, exames de imagem e avaliação histopatológica, bem como nas estratégias de tratamento, restringe ainda mais a comparabilidade entre os casos. Consequentemente, não é possível determinar a incidência nem os fatores de risco definitivos para a FE associada a ICIs a partir dos dados disponíveis.
ConclusãoA FE associada a ICIs é EAI incomum, porém clinicamente importante, com envolvimento dermatológico e do tecido conjuntivo, que deve ser reconhecido por dermatologistas, oncologistas e reumatologistas. O diagnóstico precoce e o manejo multidisciplinar coordenado, com início oportuno da terapia imunossupressora quando indicada, parecem cruciais para limitar o comprometimento funcional em longo prazo. Estudos prospectivos e multicêntricos de maior porte são necessários para esclarecer os fatores predisponentes, refinar as vias diagnósticas e otimizar as estratégias terapêuticas.
ORCID IDFaisal Tobeigei: 0000‐0003‐3906‐2017
Faris I. Alasiri: 0009‐0009‐0149‐6531b
Registro ProsperoCRD420251134379.
Disponibilidade de dados de pesquisaTodo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
Suporte financeiroEste trabalho foi financiado pela Pró‐Reitoria de Pesquisa Científica da King Khalid University [números de concessão GRP/122/44].
Contribuição dos autoresYahya Argobi: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica da literatura; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; análise estatística; concepção e planejamento do estudo.
Faisal Tobeigei: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica da literatura; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; análise estatística; concepção e planejamento do estudo.
Faris I. Alasiri: Aprovação da versão final do manuscrito; revisão crítica da literatura; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; análise estatística; concepção e planejamento do estudo.
Conflito de interessesNenhum.
EditorHiram Larangeira de Almeida Jr.
Os autores gostariam de agradecer à Pró‐Reitoria de Pesquisa Científica da King Khalid University pelo financiamento deste estudo (Subvenção n° GRP/122/44) e à Faculdade de Medicina pela assistência prestada na realização deste estudo.
Como citar este artigo: Argobi Y, Tobeigei F, Alasiri FI. Immune checkpoint inhibitor‐associated eosinophilic fasciitis: a systematic review of reported cases. An Bras Dermatol. 2026;101:501422.
Trabalho realizado no Departamento de Dermatologia, Faculdade de Medicina, King Khalid University, Abha, Arábia Saudita.





