A urticária crônica (UC) compromete a qualidade de vida, exigindo tratamento escalonado com anti‐histamínicos H1 de segunda geração, omalizumabe e, em casos refratários, ciclosporina. Preditores de resposta terapêutica ainda não estão bem estabelecidos.
ObjetivoAvaliar fatores clínicos e laboratoriais associados à resposta ao tratamento em pacientes portadores de UC.
MétodosEstudo transversal com 175 pacientes com UC acompanhados no Centro de Referência em Urticária (UCARE) do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA) entre 2023/2024. Foram analisados dados sociodemográficos, clínicos e laboratoriais. A resposta ao tratamento foi avaliada por meio do Urticaria Control Test (UCT), considerados respondedores aqueles com escore ≥ 12 ou Angioedema Control Test (AECT) ≥ 10.
ResultadosA maioria dos pacientes era do sexo feminino (80,6%), com média de idade de 45,3 anos. A urticária crônica espontânea (UCE) foi predominante (86,3%). Maior índice de massa corporal (IMC), início precoce, maior duração da doença e transtornos psiquiátricos foram associados a menor resposta aos anti‐histamínicos H1 de segunda geração. Respondedores a esses fármacos tiveram menor duração da doença e menor proporção de mulheres em comparação aos que necessitaram de omalizumabe. Em usuários de omalizumabe, desordens mentais mantiveram associação com refratariedade. IgE total, eosinófilos, PCR, VHS, D‐dímero e anti‐TPO não se correlacionaram com a resposta terapêutica.
Limitações do estudoNatureza transversal e dependência de prontuários clínicos, viés de informação e viés de seleção.
ConclusõesIMC elevado, sexo feminino, início precoce dos sintomas, duração prolongada da doença e transtornos mentais foram associados a pior resposta ao tratamento da UC. Os exames laboratoriais avaliados não demonstraram valor preditivo para resposta ao tratamento.
A urticária crônica (UC) é caracterizada por placas eritematosas e pruriginosas acompanhadas ou não de angioedema por mais de seis semanas. Pode ser classificada como urticária crônica espontânea (UCE), quando ocorre sem fator desencadeante específico, ou urticária crônica induzida (UCInd), quando ocorre após estímulos específico, principalmente os físicos. Seu curso e duração são imprevisíveis, variando em média entre seis meses e cinco anos.1 Estima‐se que a UCE afete 0,5% a 1% da população mundial, sendo esta, equivalente a dois terços dos casos de UC, impactando negativamente a qualidade de vida do paciente.2
A fisiopatologia da UC ainda não foi completamente elucidada, mas o papel da histamina, bem como algumas citocinas pró‐inflamatórias liberadas pelos mastócitos e basófilos, é indiscutível. O principal mecanismo associado à UCE é autoimune baseado na presença de autoanticorpos da classe G dirigidos aos receptores de alta afinidade de IgE (FceRI) em mastócitos e basófilos ou à molécula de IgE circulante, além de autoanticorpos da classe IgE direcionados a diversos antígenos endógenos.3 A patogênese da UCInd ainda não é totalmente elucidada, mas os mecanismos envolvidos na UCE também parecem desempenhar um papel importante.4
O manejo terapêutico é escalonado conforme a gravidade e refratariedade ao tratamento e engloba o uso de anti‐histamínicos H1 de segunda geração em doses padrão conforme recomendados em bula até doses quadruplicadas, anticorpo monoclonal anti‐IgE (omalizumabe) e ciclosporina.1
Apesar dos avanços no tratamento, o manejo da UC ainda se baseia em abordagem de tentativa e erro, com pouca capacidade de prever quais pacientes responderão a determinada etapa do tratamento, o que contribui para tempo mais longo até o controle total dos sintomas e eleva os custos associados à terapêutica.5
Nos últimos anos, diversos estudos têm buscado identificar marcadores clínicos e laboratoriais capazes de prever a resposta terapêutica em pacientes com UC, especialmente em relação aos anti‐histamínicos H1 de segunda geração, omalizumabe e ciclosporina. Segundo revisão sistemática de Fok et al.,5 valores elevados no Urticaria Activity Score (UAS7), assim como níveis séricos aumentados de PCR e D‐dímero, estão associados a menor resposta aos anti‐histamínicos H1 de segunda geração. Já em relação ao omalizumabe, baixos níveis de IgE, teste do soro autólogo (TSA) positivo e teste de liberação de histamina dos basófilos (BHRA) positivo foram identificados como possíveis preditores de resposta insatisfatória ou tardia. Em contrapartida, no caso da ciclosporina, há evidências de que BHRA positivo e níveis reduzidos de IgE podem indicar melhor resposta ao tratamento.
De modo complementar, Giménez‐Arnau et al.6 também observaram que alta atividade da doença, níveis aumentados de PCR, VHS e D‐dímero são os principais preditores de resposta ausente ou insatisfatória aos anti‐histamínicos H1 de segunda geração. Além disso, IgE basal baixa ou muito baixa, TSA positivo, teste de ativação de basófilos/liberação de histamina (BAT/BHRA+) positivo, basopenia, eosinopenia e D‐dímero elevado foram associados a ausência de resposta ao omalizumabe, mas a uma boa resposta à ciclosporina. Por outro lado, níveis basais de IgE normais ou ligeiramente elevados, assim como a expressão aumentada do receptor FcɛRI em basófilos, parecem indicar resposta mais rápida ao omalizumabe.
Apesar desses achados, ainda são escassas as evidências consolidadas na literatura sobre marcadores clínico‐laboratoriais que orientem de maneira prática a escolha terapêutica, especialmente em contextos específicos como o brasileiro. Assim, ressalta‐se a necessidade de mais estudos que validem esses achados em diferentes populações.
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo analisar possíveis preditores clínicos e laboratoriais de resposta ao tratamento em pacientes com UC acompanhados em um centro de referência, visando contribuir para um manejo mais personalizado e eficiente da doença.
MétodosDesenho do estudoTrata‐se de estudo transversal, observacional, realizado com pacientes diagnosticados com UC, acompanhados no Centro de Referência em Urticária (UCARE), pertencente ao Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, Bahia, entre janeiro de 2023 e novembro de 2024.
Foram incluídos pacientes de ambos os sexos, sem restrição etária, com diagnóstico clínico de UC, definido como presença de urticas e/ou angioedema por mais de seis semanas, de acordo com as diretrizes internacionais da EAACI/GA2LEN/EDF/WAO.1 Nos casos de UCInd, testes de provocação específicos foram realizados utilizando instrumentos padronizados como o FricTest® e o TempTest®.7
A amostra foi selecionada por conveniência, e os prontuários dos pacientes foram revisados conforme protocolo padronizado, com o objetivo de coletar informações sobre dados demográficos, características clínicas, resultados laboratoriais, tratamentos realizados e particularidades da UC. Não foi realizado cálculo prévio de tamanho amostral, pois o objetivo foi descritivo e exploratório, com análise de todos os casos atendidos no centro de referência no intervalo proposto.
Foram excluídos pacientes com outras lesões urticariformes que não correspondiam a UC, ausência de seguimento ou que não consentiram em participar do estudo. Dos pacientes abordados, apenas dois recusaram a participação.
Coleta de dados e exames laboratoriaisOs dados coletados incluíram sexo, idade, IMC, diagnóstico (UCE, UCInd ou UCE+UCInd), duração da doença, idade de início dos sintomas, presença de angioedema, hipersensibilidade a anti‐inflamatórios não esteroidais (AINEs), comorbidades associadas (metabólicas, autoimunes, psiquiátricas, atópicas, cardiovasculares e mentais) e exames laboratoriais.
Foram avaliados os seguintes exames: IgE total (valores <40 UI/mL considerados baixos)5 eosinófilos (< 50 células/μL definidos como eosinopenia),8 PCR, VHS, D‐dímero e anti‐TPO. Os exames foram realizados no laboratório de Imunologia e Biologia Molecular do Instituto de Ciências da Saúde da UFBA ou em outros serviços conveniados ao SUS ou laboratórios privados. Em pacientes em uso de omalizumabe, consideraram‐se apenas valores de IgE obtidos antes da sua primeira aplicação.9
Monitorização da respostaA resposta terapêutica foi avaliada por meio do UrticariaControl Test (UCT); foi considerado controle adequado o escore ≥ 12.10 Em casos de angioedema isolado, utilizou‐se o AngioedemaControl Test (AECT), com escore ≥10 como resposta satisfatória.11 Optou‐se pela utilização do UCT por apresentar melhor aplicabilidade e compreensão pelos pacientes durante as consultas, aplicado com orientação médica no momento do atendimento. Embora o UAS7 tenha sido inicialmente considerado, sua aplicação exige preenchimento diário por sete dias consecutivos antes da consulta pelo próprio paciente, o que se mostrou de difícil adesão e seguimento e poderia comprometer a fidedignidade dos dados.
Aspectos do tratamentoOs pacientes foram categorizados em quatro fases de tratamento, conforme o manejo vigente: fase 1, com anti‐histamínicos H1 de segunda geração em dose padrão ou duplicada; fase 2, com anti‐histamínicos H1 de segunda geração em doses triplicadas ou quadruplicadas; fase 3, com uso de omalizumabe; e fase 4, com imunossupressores. O tempo mínimo de permanência em cada fase (1 e 2) foi de quatro semanas, podendo haver variações conforme a disponibilidade de agendamento das consultas e o fluxo de atendimento no serviço.
Para a resposta ao omalizumabe foram considerados respondedores os pacientes que alcançaram UCT ≥ 12; respondedores parciais aqueles que não atingiram esse valor, mas apresentaram aumento ≥ 3 pontos no UCT (diferença mínima clinicamente significante);12 e não respondedores os pacientes que não demonstraram melhora no escore após, no mínimo, seis meses de uso contínuo do medicamento.
Os pacientes respondedores ao omalizumabe foram ainda classificados quanto ao tempo de resposta: resposta precoce, quando a melhora foi observada após a primeira aplicação; e resposta tardia, quando a melhora ocorreu apenas após aplicações subsequentes.
Análise estatísticaA análise estatística foi realizada com o uso de testes qui‐quadrado, exato de Fisher, teste t de Student, Mann‐Whitney ou Kruskal‐Wallis, conforme a natureza e a distribuição das variáveis, além de curvas ROC e medidas de tamanho de efeito, como V de Cramer, d de Cohen e Qui‐quadrado, seguindo recomendações da literatura. Todas as análises foram conduzidas no software R versão 4.3.3 (R Core Team, 2023) e consideraram um nível de significância (α) de 5%.
Aspectos éticosO estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos (CAAE: 65818222.9.0000.0049). Os pacientes foram convidados a participar durante suas consultas agendadas com o médico assistente, momento em que era apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), autorizando tanto a coleta de dados adicionais quanto a consulta aos prontuários médicos.
ResultadosCaracterização da amostraForam incluídos 175 pacientes com UC, dos quais 80,6% do sexo feminino, com média de idade de 45,3 anos. UCE foi o subtipo mais frequente (55,4%), seguido por combinação de UCE e UCInd (30,9%) e UCInd isolada em 13,7%. O angioedema esteve presente em 80% dos casos, e a apresentação clínica da UCE mais comum foi a associação entre urticária e angioedema (73%) (tabela 1).
Dados demográficos e clínicos
| Variável | Resultados |
|---|---|
| Sexo feminino, n (%) | 141 (80,5) |
| Idade em anos (n=175) | |
| Média (DP) | 45,2 (18,02) |
| Mediana (Q1; Q3) | 47,14 (37,00; 59,50) |
| Faixa | 6–85,77 |
| IMC (kg/IMC (kg/m2), (n=175*): | |
| Média (DP) | 27,92 (6,32) |
| Mediana (Q1; Q3) | 27,60 (23,75; 32,05) |
| Faixa | 13,30–47 |
| Categoria do IMC (n=175), n (%) | |
| Sobrepeso | 60 (34,29) |
| Obesidade | 58 (33,14) |
| Normal | 50 (28,57) |
| Abaixo do peso | 7 (4,00) |
| Idade de início em anos (n=171*): | |
| Média (DP) | 32,80 (18,08) |
| Mediana (Q1; Q3) | 33,00 (19,00; 48,00) |
| Faixa | 0–75 |
| Duração do tempo de doença em anos: | |
| Média (DP) | 11,92 (12,60) |
| Mediana (Q1; Q3) | 8,00 (3,00; 16,50) |
| Faixa | 0–77 |
| Angioedema (n=175) – n (%) | 141 (80,57) |
| Diagnóstico principal (n=175) – n (%) | |
| UCE | 97 (55,43) |
| UCE+UCInd | 54 (30,86) |
| Ucind isolada | 24 (13,71) |
| Manifestação clínica (n=175) – n (%) | |
| Apenas urticária | 34 (19,42) |
| Urticária+angioedema | 129 (73,71) |
| Angioedema isolado | 12 (6,85) |
| Especificação UCInd (n=78) – n (%) | |
| Dermografismo | 54 (69,23) |
| Pressão | 17 (21,79) |
| Calor | 11 (14,10) |
| Solar | 4 (5,13) |
| Colinérgica | 4 (5,13) |
| Frio | 1 (1,28) |
| Comorbidades (n=175) – n (%) | |
| Desordem metabólica | 83 (47,43) |
| Desordem atópica | 70 (40,00) |
| Desordem cardiovascular | 57 (32,57) |
| Hipersensibilidade a AINES | 55 (31,43) |
| Desordem autoimune | 40 (22,86) |
| Desordem mental | 32 (18,29) |
DP, desvio‐padrão; Q1, primeiro quartil (percentil 25); Q3, terceiro quartil (percentil 75); IMC, índice de massa corpórea; UCE, urticária crônica espontânea; UCInd, urticária crônica induzida; AINES, anti‐inflamatórios não esteroidais.
Fonte: Elaborado pela autora.
As comorbidades mais prevalentes foram: desordens metabólicas (47,4%), atópicas (40%), cardiovasculares (33%), hipersensibilidade a AINEs (31%), autoimunes (23%) e transtornos mentais (18%) (tabela 1).
Quanto ao tratamento, 66,9% estavam em uso exclusivo de anti‐histamínicos H1 de segunda geração, 29,7% faziam uso de omalizumabe e 3,4% usavam imunossupressores. A distribuição por fases foi: 26,9% na fase 1, 40% na fase 2, 29% na fase 3 e 3,4% na fase 4. Apenas cerca de 10% dos pacientes responderam ao anti‐histamínico H1 de segunda geração em dose padrão. Entre os que usaram omalizumabe, 56,9% tiveram resposta precoce, 24% resposta tardia, 12% não responderam e 6,8% apresentaram resposta parcial (fig. 1).
Os exames laboratoriais mostraram alterações em parte da amostra: PCR elevado em 21,9%, VHS em 47,3%, D‐dímero em 24,2% e anti‐TPO em 19,6%. A média de eosinófilos foi de 196,8 células/μL, com eosinopenia em 17% dos casos. A IgE total apresentou média de 272 UI/mL, com 73,8% dos pacientes apresentando níveis ≥ 40 UI/mL (tabela 2).
Dados laboratoriais
| Variável | Resultados |
|---|---|
| VHS elevado (n=150) – n (%) | 71 (47,33) |
| PCR positivo (n=160) – n (%) | 35 (21,88) |
| D‐dímero elevado (n=62) – n (%) | 15 (24,19) |
| Eosinófilos (n=164): | |
| Média (DP) | 196,83 (189,96) |
| Mediana (Q1; Q3) | 138,50 (68,96; 273,25) |
| Faixa | 0–1.112 |
| ≥ 50 – n (%) | 135 (82,31) |
| <50 – n (%) | 29 (17,68) |
| IgE total (n=130): | |
| Média (DP) | 272 (448,4) |
| Mediana (Q1, Q3) | 108,5 (39,1; 291,0) |
| Faixa | 2–2.500 |
| ≥ 40 – n (%) | 96 (73,8) |
| <40 – n (%) | 34 (26,2) |
| Anti‐TPO elevado (n=153) – n (%) | 30 (19,61) |
DP, desvio‐padrão; Q1, primeiro quartil (percentil 25); Q3, terceiro quartil (percentil 75); VHS, velocidade de hemossedimentação; PCR, proteína C reativa; TPO, tireoperoxidase.
Fonte: Elaborado pela autora.
A análise comparativa entre os pacientes que responderam à dose padrão ou duplicada de anti‐histamínicos H1 de segunda geração e aqueles que necessitaram de doses aumentadas não revelou diferenças estatisticamente significantes em relação às variáveis demográficas, clínicas, presença de comorbidades e exames laboratoriais avaliados (tabela 3).
Comparação entre pacientes que respondem à dose padrão ou duplicada de anti‐histamínicos H1 e os que necessitam de doses maiores (n=86)
| Variável | Responde à dose padrão ou duplicada(n=39) | Responde apenas a doses maiores(n=47) | p | TE |
|---|---|---|---|---|
| Sexo feminino, n (%) | 28 (71,79) | 35 (74,47) | 0,973a | 0,004 |
| Idade em anos: | ||||
| Média (DP) | 44,37 (20,46) | 46,01 (19,47) | 0,591b | –0,058 |
| IMC (kg/m2): | ||||
| Média (DP) | 25,77 (5,51) | 27,62 (6,84) | 0,176c | –0,295 |
| Idade de início dos sintomas: | ||||
| Média (DP) | 30,86 (19,46) | 37,26 (19,0) | 0,151b | –0,158 |
| Tempo de doença (anos): | ||||
| Média (DP) | 12,22 (16,0) | 9,02 (11,3) | 0,174b | 0,149 |
| Presença de angioedema, n (%) | 29 (74,4) | 41 (87,2) | 0,212a | 0,135 |
| Diagnóstico principal n (%) | 0,959a | 0,031 | ||
| UCE | 23 (59,0) | 29 (61,7) | ||
| UCE+UCInd | 11 (28,2) | 12 (25,5) | ||
| UCInd isolada | 5 (12,8) | 6 (12,8) | ||
| Comorbidades n (%): | ||||
| Desordem metabólica | 15 (38,5) | 24 (51,1) | 0,342a | 0,103 |
| Desordem autoimune | 12 (30,8) | 13 (27,7) | 0,938a | 0,008 |
| Desordem mental | 4 (10,3) | 3 (27,7) | 0,907a | 0,028 |
| Desordem atópica | 18 (46,2) | 20 (42,6) | 0,907a | 0,013 |
| Desordem cardiovascular | 14 (35,9) | 11 (23,4) | 0,302a | 0,111 |
| Hipersensibilidade a AINES | 13 (33,3) | 14 (29,8) | 0,905a | 0,013 |
| VHS – n (%): | 0,433a | 0,094 | ||
| Elevado | 12 (44,4) | 24 (57,1) | ||
| Normal | 15 (55,56) | 18 (42,86) | ||
| PCR – n (%): | 0,169b | 0,049 | ||
| Positivo | 7 (19,4) | 6 (13,3) | ||
| Normal | 29 (80,56) | 39 (86,67) | ||
| D‐dímero – n (%): | 1,000d | 0,000 | ||
| Elevado | 3 (21,4) | 4 (28,6) | ||
| Normal | 11 (78,57) | 10 (71,43) | ||
| Eosinófilos (células/μL): | ||||
| Média (DP) | 151,4 ±139,2 | 210,6±192,4 | 0,169b | –0,152 |
| IgE total (UI/mL): | ||||
| Média (DP) | 230,5 (288,17) | 332,9 (579,11) | 0,834b | –0,026 |
| <40 UI/mL – n (%) | 8 (29,63) | 10 (23,81) | 0,798a | 0,031 |
| ≥ 40 UI/mL – n (%) | 19 (70,4) | 32 (76,2) | 0,798a | 0,031 |
| Anti‐TPO – n (%): | 1,000a | 0,000 | ||
| Elevado | 7 (21,2) | 8 (20,0) | ||
| Normal | 26 (78,79) | 32 (80,00) | ||
DP, desvio‐padrão; IMC, índice de massa corporal; UCE, urticária crônica espontânea; UCInd, urticária crônica induzida; AINES, anti‐inflamatórios não esteroidais; VHS, velocidade de hemossedimentação; PCR, proteína C reativa; TPO, peroxidase.
Por outro lado, ao comparar os pacientes respondedores a anti‐histamínicos H1 de segunda geração com aqueles que necessitaram de omalizumabe, observaram‐se diferenças significantes quanto ao sexo e à duração da doença. A proporção de mulheres foi maior entre os usuários de omalizumabe, enquanto os pacientes que responderam aos anti‐histamínicos H1 apresentaram menor tempo médio de doença. As demais variáveis analisadas não mostraram diferenças estatísticas entre os grupos (tabela 4).
Comparação do perfil clínico e laboratorial de pacientes que respondem a anti‐histamínicos e os que respondem ao Omalizumabe (n=133)
| Variável | Responde a anti‐histamínicos(n=86) | Respondedor ao omalizumabe(n=47) | p | TE |
|---|---|---|---|---|
| Sexo, n (%): | 0,009a | 0,226 | ||
| Feminino | 63 (73,26)# | 44 (93,62)# | ||
| Masculino | 23 (26,74)# | 3 (6,38)# | ||
| Idade em anos: | 0,596b | 0,046 | ||
| Média (DP) | 45,27 (19, 82) | 45,37 (16, 40) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 49,50 (33,22; 60,00) | 45,95 (38,37; 57,61) | ||
| IMC (kg/m2): | 0,068c | ‐0,333 | ||
| Média (DP) | 26,78 (6,31) | 28,88 (6,28) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 27,55 (23,00; 30,42 | 45,95 (38,37; 57,61) | ||
| Idade de início em anos: | 0,097b | 0,146 | ||
| Média (DP) | 34,41 (19,36) | 29,15 (15,75) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 40,00 (15,00; 49,50) | 30,00 (17,50; 36,75) | ||
| Tempo de doença: | <0,001b | –0,310 | ||
| Média (DP) | 10,45 (13,62) | 15,11 (11,35) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 7,00 (3,00; 10,00) | 11,00 (6,00; 21,00) | ||
| Angioedema n (%): | 70 (81,40) | 41 (87,23) | 0,534a | 0,054 |
| Diagnóstico principal n (%): | 0,668a | 0,078 | ||
| UCE | 52 (60,74) | 26 (55,32) | ||
| UCE+UCInd | 23 (26,74) | 16 (34,04) | ||
| UCInd isolada | 11 (12,79) | 5 (10,64) | ||
| Comorbidades n (%): | 0,653a | 0,653a | ||
| Desordem metabólica | 39 (45,35) | 24 (51,06) | 0,106a | 0,140 |
| Desordem autoimune | 25 (29,07) | 7 (14,89) | 1,000d | 0,000 |
| Desordem mental | 7 (8,14) | 4 (8,51) | 0,232a | 0,104 |
| Desordem atópica | 38 (44,19) | 15 (31,91) | 0,255a | 0,099 |
| Desordem cardiovascular | 25 (29,07) | 19 (40,43) | 1,000a | 0,000 |
| Hipersensibilidade a AINES – n (%) | 27 (31,40) | 14 (29,79) | ||
| VHS n (%): | 0,460a | 0,070 | ||
| Elevado | 36 (52,17) | 19 (43,18) | ||
| Normal | 33 (47,83) | 25 (56,82) | ||
| PCR, n (%): | 0,140a | 0,132 | ||
| Positivo | 13 (16,05) | 13 (28,89) | ||
| Normal | 68 (83,95) | 32 (71,11) | ||
| D‐dímero, n (%): | 1,000a | 0,000 | ||
| Elevado | 7 (25,00) | 5 (25,00) | ||
| Normal | 21 (75,00) | 15 (75,00) | ||
| Eosinófilos: | 0,300b | –0,093 | ||
| Média (DP): | 185,36 (173,26) | 230,28 (238,30) | ||
| Mediana (Q1; Q3): | 137,00 (61,50; 255,75) | 153,45 (92,88; 280,25) | ||
| IgE total: | ||||
| Média (DP)* | 292,85 (486,31) | 331 (506,5) | 0,740b | –0,033 |
| Mediana (Q1; Q3) | 111,0 (39,5; 313,0) | 111,0 (64,8; 419,5) | 0,740b | –0,033 |
| <40 – n (%) | 18 (26,09) | 6 (18,8) | 0,579a | 0,055 |
| ≥ 40 – n (%) | 51 (73,91) | 26 (81,2) | 0,579a | 0,055 |
| Anti–TPO, n (%): | 1,000a | 0,000 | ||
| Elevado | 15 (20,55) | 9 (20,00) | ||
| Normal | 58 (79,45) | 36 (80,00) | ||
DP, desvio‐padrão; Q1, primeiro quartil (percentil 25); Q3, terceiro quartil (percentil 75); IMC, índice de massa corporal; UCE, urticária crônica espontânea; UCInd, urticária crônica induzida; AINES, anti‐inflamatórios não esteroidais; VHS, velocidade de hemossedimentação; PCR, proteína C reativa; TPO, peroxidase.
Quando analisados de maneira estratificada por fase de tratamento, observou‐se que, entre os pacientes respondedores aos anti‐histamínicos H1 de segunda geração em doses padrão ou duplicadas (fase 1), o IMC foi significantemente menor em comparação aos não respondedores. Nenhuma outra variável apresentou diferença significante (tabela 5).
Comparação dos pacientes respondedores versus não respondedores à fase 1 quanto ao seu perfil clínico e laboratorial (n=174)
| Variável | Não(n:135) | Sim(n:39) | p | TE |
|---|---|---|---|---|
| Sexo – n (%): | 0,187a | 0,100 | ||
| Feminino | 112 (82,96) | 28 (71,79) | ||
| Masculino | 23 (17,04) | 11 (28,21) | ||
| Idade em anos: | 0,887b | 0,011 | ||
| Média (DP): | 45,53 (17,39) | 44,37 (20,46) | ||
| Mediana (Q1; Q3): | 48,00 (38,00; 59,50) | 47,00 (33,14; 59,50) | ||
| IMC (kg/m2) | 0,015c | 0,445 | ||
| Média (DP): | 28,55 (6,44) | 25,77 (5,51) | ||
| Mediana (Q1; Q3): | 27,90 (23,85; 32,50) | 27,10 (22,60; 29,05) | ||
| Idade de início em anos | 0,528b | 0,048 | ||
| Média (DP): | 33,26 (17,76) | 30,86 (19,46) | ||
| Mediana (Q1; Q3): | 34,00 (20,00; 48,00) | 29,00 (15,00; 47,00 | ||
| Tempo de doença em anos: | 0,711b | 0,028 | ||
| Média (DP): | 11,90 (11,58) | 12,22 (16,00) | ||
| Mediana (Q1; Q3): | 8,00 (4,00; 17,00) | 7,00 (3,00; 13,00) | ||
| Angioedema – n (%) | 112 (82,96) | 29 (74,36) | 0,329a | 0,074 |
| Diagnósticos principais – n (%): | 0,899a | 0,035 | ||
| UCE | 74 (54,81) | 23 (58,97) | ||
| UCE+UCInd | 42 (31,11) | 11 (28,21) | ||
| UCInd isolada | 19 (14,07) | 5 (12,82) | ||
| Comorbidades, n (%): | ||||
| Desordem metabólica | 68 (50,37); | 15 (38,46); | 0,259a | 0,086 |
| Desordem autoimune | 28 (20,74); | 12 (30,77); | 0,273a | 0,083 |
| Desordem mental | 28 (20,74); | 4 (10,26); | 0,210a | 0,095 |
| Desordem atópica | 51 (37,78); | 18 (46,15) | 0,450a | 0,057 |
| Desordem cardiovascular | 43 (31,85); | 14 (35,90) | 0,779a | 0,021 |
| Hipersensibilidade a AINES | 42 (31,11) | 13 (33,33) | 0,946a | 0,005 |
| VHS – n (%): | 0,876a | 0,013 | ||
| Elevado | 59 (48,36) | 12 (44,44) | ||
| Normal | 63 (51,64) | 15 (55,56) | ||
| PCR – n (%): | 0,864a | 0,014 | ||
| Positivo | 28 (22,58) | 7 (19,44) | ||
| Normal | 96 (77,42) | 29 (80,56) | ||
| D‐dímero – n (%): | 1,000d | 0,000 | ||
| Elevado | 12 (25,00) | 3 (21,43) | ||
| Normal | 36 (75,00) | 11 (78,57) | ||
| Eosinófilos: | 0,119b | 0,122 | ||
| Média (DP): | 210,61 (200,32) | 151,41 (139,23) | ||
| Mediana (Q1; Q3): | 144,50 (83,38; 278,00) | 119,00 (59,50; 170,00) | ||
| IgE total: | ||||
| Média (DP): | 289 (482,2) | 230,53 (288,17) | 0,8412 | –0,018 |
| Mediana (Q1; Q3): | 105,0 (40,4; 281,0) | 109,0 (36,4; 309,5) | 0,841b | –0,018 |
| <40 – n (%) | 26 (25,2) | 8 (29,63) | 0,829a | 0,019 |
| ≥ 40 – n (%) | 77 (74,8) | 19 (70,37) | 0,829a | 0,019 |
| Anti‐TPO– n (%): | 1,000a | 0,000 | ||
| Elevado | 23 (19,33) | 7 (21,21) | ||
| Normal | 96 (80,67) | 26 (78,79) | ||
DP, desvio‐padrão; Q1, primeiro quartil (percentil 25); Q3, terceiro quartil (percentil 75); IMC, índice de massa corporal; UCE, urticária crônica espontânea; UCInd, urticária crônica induzida; AINES, anti‐inflamatórios não esteroidais; VHS, velocidade de hemossedimentação; PCR, proteína C reativa; TPO, peroxidase.
Entre os pacientes que necessitaram de doses aumentadas de anti‐histamínicos H1 de segunda geração (fase 2), os não respondedores apresentaram início mais precoce dos sintomas, maior duração da doença e maior prevalência de desordens mentais. Esses fatores se destacaram como possíveis marcadores de refratariedade nessa fase terapêutica, enquanto as demais variáveis analisadas não diferiram estatisticamente (tabela 6).
Comparação dos pacientes respondedores versus não respondedores à fase 2 quanto ao seu perfil clínico e laboratorial (n=128)
| Varíavel | Não (n=81) | Sim (n=47) | p | TE |
|---|---|---|---|---|
| Sexo – n (%): | 0,096a | 0,147 | ||
| Feminino | 71 (87,65) | 35 (74,47) | ||
| Masculino | 10 (12,35) | 12 (25,53) | ||
| Idade em anos: | 0,280b | 0,280b | ||
| Média (DP) | 44,58 (16,26) | 46,01 (19,47) | ||
| Mediana (Q1; Q 3) | 44,00 (38,00; 55,23) | 51,00 (34,98; 60,50) | ||
| IMC (kg/m2): | 0,203c | 0,235 | ||
| Média (DP) | 29,17 (6,43) | 27,62 (6,84) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 27,60 (24,20; 34,00) | 27,90 (23,20; 32,10) | ||
| Idade de início em anos: | 0,036c | –0,393 | ||
| Média (DP) | 30,42 (16,42) | 37,26 (19,00) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 30,00 (19,75; 40,00) | 42,00 (21,75; 50,00) | ||
| Tempo de doença em anos: | 0,001b | 0,285 | ||
| Média (DP) | 13,38 (10,41) | 9,02 (11,34) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 10,50 (5,00; 20,00) | 6,00 (2,25; 8,00) | ||
| Angioedema – n (%) | 66 (81,48) | 41 (87,23) | 0,549a | 0,053 |
| Diagnósticos principais: | 0,464a | 0,109 | ||
| UCE | 41 (50,62) | 29 (61,70) | ||
| UCE+UCInd | 28 (34,57) | 12 (25,53) | ||
| UCInd isolada | 12 (14,81) | 6 (12,77) | ||
| Comorbidades: n (%) | ||||
| Desordem metabólica | 40 (49,38) | 24 (51,06) | 1,000a | 0,000 |
| Desordem autoimune | 14 (17,28) | 13 (27,66) | 0,245a | 0,103 |
| Desordem mental | 23 (28,40)# | 3 (6,38)# | 0,006a | 0,244 |
| Desordem atópica | 28 (34,57) | 20 (42,55) | 0,478a | 0,063 |
| Desordem cardiovascular | 29 (35,80) | 11 (23,40) | 0,207a | 0,111 |
| Hipersensibilidade a AINES | 25 (30,86) | 14 (29,79) | 1,000a | 0,000 |
| VHS – n (%): | 0,336a | 0,088 | ||
| Elevado | 35 (46,05) | 24 (57,14) | ||
| Normal | 41 (53,95) | 18 (42,86) | ||
| PCR – n (%): | 0,075a | 0,163 | ||
| Positivo | 22 (29,33) | 6 (13,33) | ||
| Negativo | 53 (70,67) | 39 (86,67) | ||
| D‐dímero – n (%): | 1,000d | 0,000 | ||
| Elevado | 8 (25,81) | 4 (28,57) | ||
| Normal | 23 (74,19) | 10 (71,43) | ||
| Eosinófilos: | 0,845b | –0,018 | ||
| Média (DP) | 207,20 (209,86) | 210,63 (192,35) | ||
| Mediana (Q1; Q3): | 139,00 (83,50; 273,00) | 145,00 (69,92; 276,50) | ||
| IgE total: | ||||
| Média (DP) | 246,4 (407,4) | 332,9 (579,1); | 0,498b | –0,068 |
| Mediana (Q1; Q3) | 139,00 (83,50; 273,00) | 145,00 (69,92; 276,50) | 0,498b | –0,068 |
| <40 – n (%) | 15 (29,9) | 10 (23,8) | 1,000a | 0,000 |
| ≥ 40 – n (%) | 43 (74,1) | 32 (76,2) | 1,000a | 0,000 |
| Anti‐TPO – n (%): | 1,000a | 0,000 | ||
| Elevado | 14 (18,67) | 8 (20,00) | ||
| Normal | 61 (81,33) | 32 (80,00) | ||
DP, desvio‐padrão; Q1, primeiro quartil (percentil 25); Q3, terceiro quartil (percentil 75); IMC, índice de massa corporal; UCE, urticária crônica espontânea; UCInd, urticária crônica induzida; AINES, anti‐inflamatório não esteroidais; VHS, velocidade de hemossedimentação; PCR, proteína C reativa; TPO, peroxidase.
Para os pacientes que necessitaram de omalizumabe, a presença de desordens mentais também foi significantemente mais frequente entre os pacientes que não responderam ao tratamento (tabela 7). As demais variáveis também não apresentaram associação estatística com resposta ao tratamento.
Comparação dos pacientes respondedores versus não respondedores à fase 3 quanto ao seu perfil clínico e laboratorial (n=58)
| Variável | Não (n=11) | Sim (n=47) | p | TE |
|---|---|---|---|---|
| Sexo – n (%): | 1,000a | 0,000 | ||
| Feminino | 10 (90,91) | 44 (93,62) | ||
| Masculino | 1 (9,09) | 3 (6,38) | ||
| Idade em anos: | 0,056b | –0,653 | ||
| Média (DP) | 35,03 (12,88) | 45,37 (16,40) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 39,00 (27,69; 42,50) | 45,95 (38,37; 57,61) | ||
| IMC (kg/m2): | 0,941b | –0,025 | ||
| Média (DP) | 28,72 (7,63) | 28,88 (6,28) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 28,90 (22,70; 32,50) | 27,20 (24,40; 33,90) | ||
| Idade de início em anos: | 0,494b | –0,231 | ||
| Média (DP) | 25,55 (15,00) | 29,15 (15,75) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 25,00 (19,50; 34,50) | 30,00 (17,50; 36,75) | ||
| Tempo de doença em anos: | 0,103c | –0,217 | ||
| Média (DP) | 9,45 (6,44) | 15,11 (11,35) | ||
| Mediana (Q1; Q3): | 7,00 (5,00; 16,00) | 11,00 (6,00; 21,00) | ||
| Angioedema – n (%): | 9 (81,82) | 41 (87,23) | 0,639a | 0,000 |
| Diagnóstico principal | 0,465a | 0,153 | ||
| UCE | 4 (36,36); | 26 (55,32); | ||
| UCE+UCInd | 5 (45,45); | 16 (34,04); | ||
| UCInd isolada | 2 (18,18) | 5 (10,64) | ||
| Comorbidades – n (%): | ||||
| Desordem metabólica | 5 (45,45) | 24 (51,06) | 1,000d | 0,000 |
| Desordem autoimune | 2 (18,18) | 7 (14,89) | 1,000a | 0,000 |
| Desordem mental | 8 (72,73)# | 4 (8,51)# | <0,001a | 0,567 |
| Desordem atópica | 4 (36,36) | 15 (31,91) | 1,000a | 0,000 |
| Desordem cardiovascular | 3 (27,27) | 19 (40,43) | 0,507a | 0,061 |
| Hipersensibilidade a AINES | 3 (27,27) | 14 (29,79) | 1,000a | 0,000 |
| VHS – n (%): | 0,501a | 0,056 | ||
| Elevado | 3 (30,00) | 19 (43,18) | ||
| Normal | 7 (70,00) | 25 (56,82) | ||
| PCR – n (%): | 1,000a | 0,000 | ||
| Positivo | 2 (22,22) | 13 (28,89) | ||
| Normal | 7 (77,78) | 32 (71,11) | ||
| D‐dímero – n (%): | 0,481a | 0,000 | ||
| Elevado | 1 (50,00) | 5 (25,00) | ||
| Normal | 1 (50,00) | 15 (75,00) | ||
| Eosinófilos: | 0,106c | –0,222 | ||
| Média (DP) | 123,73 (119,26) | 230,28 (238,30) | ||
| Mediana (Q1; Q3) | 91,15 (45,25; 130,25) | 153,45 (92,88; 280,25) | ||
| IgE total: | ||||
| Média (DP) | 229,4 (319,4) | 331,6 (506,5) | 0,407c | –0,134 |
| Mediana (Q1; Q3) | 135,6 (24,0; 280,0) | 111,0 (64,8; 419,5) | 0,407c | –0,134 |
| <40 – n (%) | 3 (37,5) | 6 (18,8) | 0,348a | 0,105 |
| ≥ 40 – n (%) | 5 (62,5) | 26 (81,2) | 0,348a | 0,105 |
| Anti‐TPO – n (%): | 0,668a | 0,039 | ||
| Elevado | 1 (10,00) | 9 (20,00) | ||
| Normal | 9 (90,00) | 36 (80,00) | ||
DP, desvio‐padrão; Q1, primeiro quartil (percentil 25); Q3, terceiro quartil (percentil 75); IMC, índice de massa corporal; UCE, urticária crônica espontânea; UCInd, urticária crônica induzida; AINES, anti‐inflamatórios não esteroidais; VHS, velocidade de hemossedimentação; PCR, proteína C reativa; TPO, peroxidase.
Em relação ao tipo de UC (UCE, UCInd ou UCE+UCInd), não foram observadas diferenças significantes no perfil de resposta ao tratamento, seja com doses padrão, aumentadas de anti‐histamínicos H1 ou com omalizumabe (tabela 8). Do mesmo modo, não foram identificadas associações estatisticamente significantes entre os subtipos de resposta ao omalizumabe e os níveis séricos de IgE total ou de anti‐TPO. Embora os diferentes subgrupos não tenham diferido globalmente quanto aos níveis de IgE, os respondedores parciais apresentaram médias significantemente inferiores em comparação aos demais tipos de resposta, com todos os casos deste grupo apresentando níveis abaixo de 40 UI/mL. Não foram observadas diferenças entre os níveis de IgE entre pacientes com resposta precoce ou tardia, tampouco entre os níveis de anti‐TPO nos distintos perfis de resposta (tabela 9).
Análise da associação entre o perfil de resposta farmacológica e o tipo de UC (n=175)
| Variável | UCE(n=97) | UCE+UCInd(n=54) | UCInd(n=24) | p | V |
|---|---|---|---|---|---|
| Responde a anti‐histamínicos H1 em doses altas | 29 (37,18) | 12 (30,77) | 6 (37,50) | 0,927 | 0,058 |
| Responde a anti‐histamínicos H1 em doses baixas | 23 (29,49) | 11 (28,21) | 5 (31,25) | 0,927 | 0,058 |
| Responde ao omalizumabe | 26 (33,33) | 16 (41,03) | 5 (31,25) | 0,927 | 0,058 |
Teste Qui‐Quadrado de independência; V, V de Cramer; UCE, urticária crônica espontânea; UCInd, urticária crônica induzida.
Fonte: Elaborado pela autora.
Comparação dos valores de IgE sérica (n=40) e Anti‐TPO (n=54) dos pacientes tratados com omalizumabe, de acordo com seu subtipo de resposta ao fármaco
| Variável | Precoce(n=21) | Tardio(n=11) | Parcial(n=2) | Não respondedor(n=6) | p | TE |
|---|---|---|---|---|---|---|
| IgE total: | ||||||
| Média (DP) | 268,5 (303,1) | 452,1 (766,3) | 16,8 (17,1) | 300,3 (344,5) | 0,295a | 0,020 |
| <40 – n (%) | 4 (19,0) | 2 (18,2) | 2 (100,0) | 1 (16,7) | 0,122b | 0,426 |
| ≥ 40 – n (%) | 17 (81,0) | 9 (81,8) | 0 (0,0) | 5 (83,33) | 0,122 | 0,426 |
| Precoce(n=33) | Tardio(n=13) | Parcial(n=2) | Não respondedor(n=6) | p | V | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Anti‐TPO: n (%) | 0,698 | 0,194 | ||||
| Normal | 27 (81,8) | 10 (76,9) | 2 (100,0) | 6 (100,0) | ||
| Elevado | 6 (18,2) | 3 (23,1) | 0 (0,0) | 0 (0,0) |
DP, desvio‐padrão; TPO, peroxidase.
Por fim, a análise da curva ROC avaliando a capacidade preditiva da IgE total na resposta ao omalizumabe demonstrou desempenho limitado. A área sob a curva (AUC) foi de 0,634 (p=0,327), com intervalo de confiança que inclui o valor 0,5 indicando ausência de discriminação estatisticamente significante. O ponto de corte identificado foi de 50 UI/mL, com sensibilidade de 81,8% e especificidade de 57,1% (fig. 2).
Curva ROC (Receiver Operating Characteristic) para IgE Total como previsor de Resposta ao tratamento. Nota: AUC indica a área sob a curva. Os valores entre colchetes representam o intervalo de confiança 95%. O ponto destacado corresponde ao melhor ponto de corte, de acordo com o índice de Youden, que maximiza, simultaneamente, a sensibilidade e a especificidade. Os valores entre parênteses correspondem, respectivamente, à especificidade e à sensibilidade para o ponto de corte destacado. O grupo Sim apresenta valores de IgE Total, em média, superiores aos do grupo Não.
Este estudo avaliou preditores clínicos e laboratoriais de resposta ao tratamento em 175 pacientes com UC acompanhados em um centro de referência. A análise evidenciou que variáveis clínicas como IMC elevado, sexo feminino, início precoce dos sintomas, duração prolongada da doença e presença de transtornos mentais estiveram associadas a pior resposta terapêutica, especialmente nas fases iniciais do tratamento com anti‐histamínicos H1 de segunda geração.
Entre os pacientes que respondiam ou não a doses baixas de anti‐histamínicos H1, o IMC elevado foi significantemente mais frequente nos não respondedores, reforçando dados prévios que associam obesidade à maior gravidade da UC, menor controle dos sintomas e maior duração de doença, possivelmente em virtude da inflamação crônica de baixo grau com maiores concentrações de citocinas como a IL‐6.13,14
A maior duração da doença e o início precoce dos sintomas também se mostraram marcadores de refratariedade, especialmente nos pacientes que estavam em uso de anti‐histamínicos H1 em doses aumentadas, o que é coerente com dados de Engstrom et al.15 que apontam pior evolução clínica nesses subgrupos. A duração prolongada da UC está associada a maior gravidade clínica, conforme demonstrado por Toubi et al.,16 que observaram que formas moderadas a graves de UC persistiram por períodos significantemente mais longos do que os casos leves. Essa associação pode refletir um processo inflamatório mais intenso e sustentado, possivelmente relacionado a mecanismos autoimunes, como a presença de autoanticorpos contra o receptor de IgE (TSA positivo) ou autoanticorpos antitireoidianos, ambos associados a maior duração da doença. Adicionalmente, um estudo mostrou que pacientes jovens com UC (18 a 40 anos) apresentaram maior mortalidade, e que cada ano adicional de doença aumenta em 64% o risco de desenvolver transtornos mentais em comparação ao controle.17
Além disso, a maior proporção de mulheres no grupo que necessitou de omalizumabe pode refletir a maior gravidade da UC nesse grupo, o que também está de acordo com estudos que atribuem ao sexo feminino a maior frequência de formas refratárias da doença, possivelmente pela maior prevalência de doenças autoimunes entre as mulheres.18
A presença de transtornos mentais, por sua vez, foi consistentemente associada a pior resposta tanto aos anti‐histamínicos quanto ao omalizumabe. Esse achado reforça a importância dos eixos neuroimunoendócrinos na fisiopatologia da UC e o impacto do estresse, ansiedade e da substância P na ativação mastocitária.19,20 A substância P, em particular, pode se ligar ao receptor MRGPRX2, presente na superfície dos mastócitos, promovendo sua ativação exacerbada, o que pode contribuir para a persistência dos sintomas nesses pacientes.21 Cabe destacar que o estudo de Kolkhir et al.17 revelou risco aumentado de mortalidade entre pacientes com UCE, incluindo maiores taxas de ideação suicida e tentativas de suicídio. Tal evidência reforça a necessidade de abordagem multidisciplinar no manejo da UC.
Apesar de estudos prévios5,6 indicarem que níveis elevados de PCR e D‐dímero, bem como de eosinopenia, estariam associados à baixa resposta aos anti‐histamínicos H1, e que baixa IgE total, PCR/VHS elevados, eosinopenia e D‐dímero aumentado poderiam predizer menor resposta ao omalizumabe e melhor resposta à ciclosporina, nenhuma dessas associações foi confirmada em nosso estudo nas fases terapêuticas avaliadas. Esses exames foram solicitados com base na hipótese de que processos inflamatórios sistêmicos, refletidos por marcadores como PCR e VHS,22,23 e a ativação da coagulação, evidenciada pelo D‐dímero, desempenham papel na fisiopatologia da UC.23,24 A eosinopenia, por sua vez, tem sido associada à maior migração de eosinófilos para os tecidos, o que contribui para a inflamação local e pode indicar maior atividade da doença, autoimunidade e baixa resposta terapêutica,8,25 enquanto a IgE total é considerada um possível marcador de fenótipo atópico e resposta ao omalizumabe.26,27 Contudo, nossos resultados sugerem que, isoladamente, tais biomarcadores têm valor preditivo limitado na prática clínica, especialmente em nossa amostra. É importante destacar que o número de pacientes com dosagem de D‐dímero foi reduzido, o que pode ter comprometido a análise. Além disso, na nossa população, os níveis de eosinófilos e IgE total podem estar mais elevados por fatores de confusão, como a presença de doenças atópicas associadas e infecções parasitárias intestinais, comuns em regiões endêmicas.
A análise entre os subtipos de resposta ao omalizumabe e os níveis de IgE não revelou associação estatisticamente significante, embora todos os respondedores parciais apresentassem IgE <40 UI/mL. Esse achado diverge da metanálise de Chuang et al.,28 mas está alinhado a estudos que também não identificaram essa correlação,9,29,30 reforçando a complexidade dessa relação. A IgE desempenha papel central na fisiopatologia da UCE, estando envolvida tanto em mecanismos autoalérgicos (tipo I) quanto em formas autoimunes tipo IIb, em que baixos níveis de IgE frequentemente coexistem com autoanticorpos IgG contra IgE ou seu receptor (FcɛRI).26 Assim, a quantificação da IgE total tem sido proposta como marcador preditivo de resposta ao omalizumabe, com piores resultados observados em pacientes com IgE mais baixa. No entanto, em nossa amostra, a pequena quantidade de pacientes não respondedores e respondedores parciais pode ter limitado a detecção de uma associação estatisticamente significante.
Da mesma maneira, não foi observada associação entre níveis de anti‐TPO e resposta ao omalizumabe, resultado semelhante ao descrito por Asero et al.,31 mas divergente de Kolkhir et al.32 A associação entre autoimunidade tireoidiana e UC tem sido descrita, com diversos estudos demonstrando elevada prevalência de autoanticorpos IgE e IgG contra antígenos tireoidianos (como TPO e tireoglobulina) em pacientes com UCE. Esses autoanticorpos podem promover ativação de mastócitos e basófilos, contribuindo para a fisiopatologia da doença.33 Apesar de a autoimunidade tireoidiana estar ligada à maior gravidade e pior resposta terapêutica,34 não está claro se autoanticorpos isolados predizem refratariedade. Biomarcadores como BAT, TSA positivo e FAN elevado foram associados à má resposta em outros estudos, mas não foram incluídos nesta análise.
A análise da curva ROC para IgE total demonstrou desempenho limitado, com ROC de 0,634 (p=0,327), confirmando sua baixa especificidade como marcador isolado de resposta ao omalizumabe. Embora níveis mais elevados de IgE estejam associados a resposta mais favorável em alguns estudos,5,35 esses dados não se reproduziram de maneira significante na presente amostra, limitando sua utilidade como preditor isolado da resposta ao tratamento a esse medicamento.
Portanto, os resultados reforçam a hipótese de que características clínicas e psicossociais são, até o momento, os principais preditores de resposta terapêutica na UC. O delineamento transversal, o número reduzido de não respondedores ao omalizumabe e a ausência de dados sobre o tempo de exposição aos fármacos são limitações que devem ser consideradas. Além dessas limitações, é importante reconhecer que o estudo foi conduzido com amostra por conveniência, recrutada em um centro terciário especializado, o que pode ter gerado viés de seleção, limitando a representatividade da população geral com UC. Para minimizar esse viés, foram utilizados critérios de inclusão e exclusão bem definidos, com coleta de dados realizada de maneira padronizada por equipe treinada, utilizando instrumentos validados (UCT e AECT). Também reconhecemos o potencial viés de informação, inerente ao uso de dados de prontuário médico, o qual foi atenuado com revisão sistemática dos registros e complementação de informações durante as consultas médicas, sempre com o consentimento prévio dos pacientes.
Quanto à validade externa, por se tratar de um estudo de centro único, a extrapolação dos resultados para outras populações devem ser feita com cautela, levando‐se em consideração o perfil clínico‐epidemiológico específico da amostra estudada. Por outro lado, buscamos garantir a validade interna por meio da adoção de critérios diagnósticos baseados em diretrizes internacionais (EAACI/GA2LEN/EDF/WAO), do uso de protocolos terapêuticos padronizados e da aplicação de instrumentos validados para avaliação da resposta ao tratamento.
Estudos prospectivos com avaliação padronizada de biomarcadores são necessários para validar os achados e guiar uma medicina de precisão no manejo da UC.
ConclusãoO estudo teve como objetivo analisar marcadores preditivos da resposta ao tratamento em pacientes portadores de UC. A pesquisa reforça a complexidade da UC e os desafios no seu manejo, destacando a predominância em mulheres, início na idade adulta e longa duração da doença. Os principais preditores de pior resposta ao tratamento foram maior tempo de doença, sexo feminino, IMC elevado, início precoce dos sintomas e presença de desordens mentais. Eosinófilos, IgE total e os demais marcadores laboratoriais avaliados (VHS, PCR, D‐dímero e anti‐TPO) não demonstraram associação significante com a resposta terapêutica.
Suporte financeiroNenhum.
Contribuição dos autoresJoice Trigo da Fonseca: Concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação do manuscrito; obtenção análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito; análise estatística; aprovação da versão final do manuscrito.
Joanemile Pacheco de Figueiredo: Obtenção análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; aprovação da versão final do manuscrito.
Leila Vieira Borges Trancoso Neves: Obtenção análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; aprovação da versão final do manuscrito.
José Carlisson Santos de Oliveira: Obtenção análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica do manuscrito; aprovação da versão final do manuscrito.
Janinne de Souza Oliveira: Obtenção, análise e interpretação dos dados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito; aprovação da versão final do manuscrito.
Vitória Rani Figueiredo: Obtenção, análise e interpretação dos dados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito; aprovação da versão final do manuscrito.
Régis de Albuquerque Campos: Concepção e planejamento do estudo; participação efetiva na orientação da pesquisa; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito; aprovação da versão final do manuscrito.
Disponibilidade de dados de pesquisaTodo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
Conflito de interessesCampos RA declarou ter recebido honorários como palestrante da Novartis, Takeda e Sanofi.
Oliveira JCS declarou ter recebido honorários como palestrante da Takeda, Sanofi, Novartis e Abbvie.
Os demais autores declaram que a pesquisa foi conduzida na ausência de quaisquer relações comerciais ou financeiras que possam ser interpretadas como potencial conflito de interesse.
EditorSílvio Alencar Marques
Agradecemos à equipe do Ambulatório de Urticária do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos (C‐HUPES/UFBA), aos pacientes que participaram do estudo, ao Programa de Pós‐Graduação em Ciências da Saúde da UFBA pelo suporte técnico e científico e à Fernanda Fiel Peres pelas análises estatísticas.
Como citar este artigo: Fonseca JT, Figueiredo JP, Neves LVBT, Oliveira JCS, Oliveira JS, Figueiredo VR, et al. Treatment response in chronic urticaria: analysis of clinical and laboratory predictors. An Bras Dermatol. 2026;101:501261.
Trabalho realizado na Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil.











