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Vol. 97. Núm. 4.
Páginas 536-538 (01 Julho 2022)
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Vol. 97. Núm. 4.
Páginas 536-538 (01 Julho 2022)
Carta ‐ Caso clínico
Open Access
Botriomicose exofítica: apresentação clínica incomum
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Lina Paola González‐Cardonaa,
Autor para correspondência
linapgonzalezc@gmail.com

Autor para correspondência.
, Adriana Mercedes Alejo Villamila, Carolina Cortés Correab, Elkin Omar Peñaranda Contrerasb
a Pontificia Universidad Javeriana, Bogotá, Colômbia
b Hospital Universitario de la Samaritana, Bogotá, Colômbia
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Prezado Editor,

A botriomicose é uma doença infecciosa crônica de origem bacteriana, granulomatosa e supurativa com distribuição mundial. A incidência e prevalência são desconhecidas, embora seja considerada uma doença rara, com aproximadamente 200 casos relatados em todo o mundo.1–3

Um paciente do sexo masculino, 42 anos, agricultor, veio ao serviço de dermatologia com lesão de crescimento lento que havia aparecido há dois anos no hálux do pé direito. O paciente relatou dor de intensidade moderada, potencializada com a caminhada diária, além de sangramento autolimitado. O exame físico revelou na face dorsal do hálux um tumor exofítico ulcerado, eritematoso, com crosta hemática na superfície e algumas áreas de sangramento, medindo 5×5cm (fig. 1).

Figura 1.

Tumor exofítico, ulcerado, no hálux do pé direito.

(0,24MB).

Uma biópsia foi realizada com hipótese clínica de carcinoma espinocelular vs. melanoma amelanótico, e o resultado da análise histopatológica mostrou hiperplasia pseudo‐epiteliomatosa, com corpúsculos granulares basofílicos (grânulos) e numerosos neutrófilos (figs. 2 e 3). As culturas microbiológicas foram negativas. Foi feito o diagnóstico de botriomicose exofítica, indicada a ressecção cirúrgica pelo serviço de cirurgia plástica e iniciada antibioticoterapia com trimetoprima‐sulfametoxazol.

Figura 2.

Infiltrado inflamatório com neutrófilos e corpúsculos basofílicos granulares (grânulos). (A), Hematoxilina & eosina 100×. (B), Hematoxilina & eosina, 400×.

(0,62MB).
Figura 3.

Corpúsculos basofílicos granulares, grânulos (Hematoxilina & eosina,×1000).

(0,34MB).

O termo botriomicose deriva do grego botrys (cacho de uvas) e myces (fungo), porque inicialmente suspeitava‐se de uma etiologia fúngica. Dois tipos de apresentação podem ser descritos: cutânea e visceral.1,4

A apresentação cutânea representa 75% dos casos relatados, e os 25% restantes correspondem ao tipo visceral. A botriomicose pode ocorrer em qualquer idade, embora raramente ocorra em crianças e adultos acima de 70 anos, e envolve principalmente áreas com maior suscetibilidade a traumas, como mãos, pés, cabeça e pescoço.1,3,4

A história de trauma é o fator de risco mais importante; no caso apresentado no presente artigo, este foi o provável método de inoculação, já que o paciente trabalha na agricultura. Outros fatores de risco associados são imunossupressão, diabetes mellitus, doença hepática, alcoolismo, lúpus sistêmico, fibrose cística, desnutrição, deficiência de imunoglobulina, glomerulonefrite, HIV/AIDS ou história de cirurgia.1,4

A patogênese dessa doença não é bem compreendida, e muitos autores concordam que essa reação corresponde ao fenômeno de Splendore‐Hoeppli, no qual o complexo antígeno‐anticorpo, imunoglobulina G e C3 são precipitados, processo no qual a fagocitose e a destruição bacteriana intracelular são evitadas.1

O paciente apresentava nódulos, fístulas, abscessos e úlceras com exsudato seropurulento, nos quais grânulos branco‐amarelados de 3 a 5mm podiam ser vistos; infecção sistêmica não foi observada.5 O diagnóstico é feito isolando‐se o agente causador, o que no entanto não é fácil de ser obtido.1,4

O diagnóstico diferencial é feito com outras doenças infecciosas granulomatosas, como micetoma, actinomicose, esporotricose, tuberculose cutânea e neoplasias malignas, como carcinoma espinocelular e melanoma amelanótico.1

O tratamento com antibiótico deve ser direcionado ao agente causador; no caso de lesões extensas, falha do tratamento sistêmico ou pacientes gravemente imunocomprometidos, recomenda‐se a excisão e drenagem das lesões.1,2,4 No presente caso, o tratamento consistiu na excisão do tumor pelo serviço de cirurgia plástica, com reconstrução realizada com enxerto de espessura parcial, além de tratamento empírico com trimetoprima‐sulfametoxazol em virtude do perfil epidemiológico e possível agente causador.

Este relato de caso apresenta um caso clínico de botriomicose exofítica, uma apresentação clínica incomum até então não relatada na literatura.

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Lina Paola González‐Cardona: Revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; concepção e planejamento do estudo.

Adriana Mercedes Alejo Villamil: Obtenção, análise e interpretação dos dados.

Carolina Cortés Correa: Aprovação da versão final do manuscrito; participação efetiva na orientação da pesquisa.

Elkin Omar Peñaranda Contreras: Aprovação da versão final do manuscrito; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica; manejo dos casos estudados.

Conflito de interesses

Nenhum.

Referências
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C. Padilla-Desgarennes, D. Vázquez-González, A. Bonifaz.
Botryomycosis. Clin Dermatol, 30 (2012), pp. 397-402
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K. John, K. Gunasekaran, T.A. Kodiatte, R. Iyyadurai.
Cutaneous Botryomycosis of the Foot: A case report and review of literature.
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C.S. Sirka, G. Dash, S. Pradhan, S. Naik, A.N. Rout, N. Sahu.
Cutaneous Botryomycosis in Inmunocompetent Patients: A case series.
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P. Bailey, J.E. Raybould, S. Sastry, G. Bearman.
Cutaneous Botryomycosis and Staphylococcus aureus: Diagnosis Management, and a Systemic Literature Review.
Curr Treat Options Infect Dis., 10 (2018), pp. 347-361
[5]
A. Singh, C. Cook, K. Kollmann, A. Rajpara.
Acute cutaneous botryomycosis of the hands.
IDCases., 19 (2020), pp. e00709

Como citar este artigo: González‐Cardona LP, Alejo Villamil AM, Cortés Correa C, Peñaranda Contreras EO. Exophytic botryomycosis: An unusual clinical presentation. An Bras Dermatol. 2022;97:536–8.

Trabalho realizado no Hospital Universitario La Samaritana, Bogotá, Colômbia.

Copyright © 2022. Sociedade Brasileira de Dermatologia
Idiomas
Anais Brasileiros de Dermatologia (Portuguese)

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