Sugestões
Idioma
Informação da revista
Vol. 101. Núm. 2.
(Março - Abril 2026)
Citação
Citação
Compartilhar
Baixar PDF
Mais opções do artigo
Visitas
882
Vol. 101. Núm. 2.
(Março - Abril 2026)
Artigo especial
Acesso de texto completo

Estudo multicêntrico da Sociedade Brasileira de Dermatologia para uma nova bateria padrão de testes de contato

Visitas
882
Renan Rangel Bonamigoa, Vanessa Barreto Rochab,
Autor para correspondência
vanessabarreto.vbr@gmail.com

Autor para correspondência.
, Vitor Manoel Silva dos Reisc, Dulcilea Ferraz Rodriguesd, Rosana Lazzarinie, Mario Cezar Piresf,g, Renato Shintani Hikawah, Ana Elisa Kiszewskii, Andrea Fernandes Eloy da Costa Françaj, Renata Hecka, Maria Antonieta Rios Scherrerk, Luciana Paula Samoranoc, Isabella Campos Machado Cordeirod, Ida Alzira Duartee, Mariana de Figueiredo Silva Hafnerl, Renata Marli Gonçalves Piresf, Lilith Sodré Ellerm, Juliana Barros Rodriguesn, Daniela Benzano Bumaguinn, Ruppert Ludwig Hahnstadto
a Serviço de Dermatologia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil
b Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
c Departamento de Dermatologia, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
d Serviço de Dermatologia, Santa Casa de Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG, Brasil
e Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
f Complexo Hospitalar Padre Bento de Guarulhos, Guarulhos, SP, Brasil
g Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
h Departamento de Dermatologia, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
i Serviço de Dermatologia, Departamento de Clínica Médica, Santa Casa de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil
j Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil
k Serviço de Dermatologia, Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
l Clínica de Dermatologia, Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
m Serviço de Dermatologia, Santa Casa de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil
n Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil
o Immunotech Laboratories, FDA‐Allergenics, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Ver más
Este item recebeu
Informação do artigo
Resume
Texto Completo
Bibliografia
Baixar PDF
Estatísticas
Figuras (1)
fig0005
Tabelas (5)
Tabela 1. Bateria padrão brasileira (2000–2025)
Tabelas
Tabela 2. Bateria padrão modificada em avaliação (2023–2025)
Tabelas
Tabela 3. Características gerais da amostra do estudo multicêntrico brasileiro (n = 567, Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da SBD, 2023–2025)
Tabelas
Tabela 4. Prevalência das sensibilizações aos alérgenos analisados no estudo (n = 567, Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da SBD, 2023–2025)
Tabelas
Tabela 5. Bateria padrão brasileira para testes de contato – 2025: substâncias, concentrações e veículos
Tabelas
Resumo
Fundamentos

A prevalência da dermatite de contato alérgica (DCA) difere nas diversas populações, e a taxa de sensibilização pode se alterar constantemente, à medida em que novos produtos são inseridos no mercado. A atual bateria padrão brasileira de testes de contato é utilizada há mais de duas décadas. Assim, a elaboração de uma nova bateria padrão brasileira é importante para que os testes de contato se mantenham como instrumento diagnóstico confiável.

Métodos

Estudo multicêntrico brasileiro, transversal e prospectivo, com uma bateria de testes de contato modificada, entre 2023 e 2025. Os fatores em estudo foram as substâncias dos testes de contato, e os desfechos foram as frequências de positividade e de relevância. Foram avaliadas variáveis demográficas e clínicas dos participantes, os quais eram portadores de dermatite de contato, sem etiologia definida previamente à realização dos testes. A amostra necessária foi definida em 523 pacientes, estimando proporção de ocorrência da prevalência de positividade com 1,8% de amplitude para o intervalo de confiança. O cálculo de Wald considerou nível de confiança de 95%, e 1% de percentual esperado para prevalência de positividade.

Resultados

Foram incluídos 567 participantes, 77,3% do sexo feminino, média de idade de 53,3 anos, e a maioria pertencia aos fototipos II, III, IV. Os serviços de limpeza foram a atividade ocupacional mais frequente, e havia história pessoal de atopia em 43,3% dos pacientes. A reatividade geral dos testes foi de 69,3%, com 70,2% de relevância. O sulfato de níquel foi o alérgeno mais frequentemente reativo (28,9%), e 29 substâncias atingiram ao menos 1% de positividade.

Limitações do estudo

Falta de representantes de todas as regiões do Brasil e ausência de acompanhamento prospectivo.

Conclusão

Os autores propõem uma nova bateria padrão brasileira de testes de contato, com 40 substâncias, considerando as 29 que alcançaram 1% de positividade e outras 11 com importância clínica e com respaldo da literatura vigente por serem alérgenos emergentes e atuais.

Palavras‐chave:
Dermatite de contato
Eczema
Epidemiologia ;Teste de contato
Texto Completo
Introdução

A dermatite de contato alérgica (DCA) é doença com elevada frequência, importância clínica e ocupacional, e que pode afetar qualquer sexo e faixa etária.1

A doença é ocasionada por alérgenos que sensibilizam o indivíduo, por meio da reação de hipersensibilidade tardia (tipo IV) e, na sua constituição, apresenta multifatorialidade de risco, como determinadas profissões, estado da barreira cutânea e a frequência e intensidade de exposição às substâncias de maior potencial alergênico.1,2

Estima‐se que existam mais de 4.000 substâncias relacionadas a DCA; destas, 300 a 400 substâncias são relevantes na prática clínica e são componentes de baterias de testes de contato em diferentes países do mundo.1–3

A prevalência da DCA difere nas diversas populações, influenciada pelo perfil de cada região. Além disso, a taxa de sensibilização pode alterar‐se constantemente, à medida em que novos produtos são inseridos e outros retirados do mercado. Somam‐se a isso as mudanças no comportamento e nas preferências de uso das populações, também influenciadas pelas tendências de consumo. Portanto, a presença e a exposição aos sensibilizantes alteram‐se com o tempo.3,4

Os testes de contato (TC – testes epicutâneos ou patch tests) são considerados exames complementares padrão‐ouro para o diagnóstico etiológico da DCA.4–8 Essa técnica foi desenvolvida por Jadassohn há mais de 100 anos, formalmente descrita por Sulzberger e Wise em 1931.8 Os testes consistem na aplicação de substâncias, em concentrações preestabelecidas, sobre a pele do paciente, na tentativa de reproduzir no local do teste uma reação inflamatória semelhante à dermatose do paciente e, assim, confirmar a etiologia da DC.8

A atual bateria padrão brasileira para identificação das etiologias das DCA é utilizada há mais de duas décadas, e foi elaborada a partir de estudos e discussão entre experts do Grupo Brasileiro de Estudo em Dermatite de Contato – GBEDC (tabela 1).9

Tabela 1.

Bateria padrão brasileira (2000–2025)

Substâncias, concentrações e veículos 
1. Antraquinona, 2%, vaselina sólida 
2. Bálsamo do Peru, 25%, vaselina sólida 
3. PPD mix, 0,4%, vaselina sólida 
4. Hidroquinona, 1%, vaselina sólida 
5. Bicromato de potássio, 0,5%, vaselina sólida 
6. Propilenoglicol, 10%, vaselina sólida 
7. Butilfenol‐p‐terciário, 1%, vaselina sólida 
8. Neomicina, 20%, vaselina sólida 
9. Irgasan, 1%, vaselina sólida 
10. Kathon CG®, 0,5%, vaselina sólida 
11. Cloreto de cobalto, 1%, vaselina sólida 
12. Lanolina, 30%, vaselina sólida 
13. Tiuram mix, 1%, vaselina sólida 
14. Etilenodiamina, 1%, vaselina sólida 
15 Perfume mix, 7%, vaselina sólida 
16. Mercapto mix, 2%, vaselina sólida 
17. Benzocaína, 5%, vaselina sólida 
18. Quaternium, 0,5, vaselina sólida 
19. Quinolina mix, 6%, vaselina sólida 
20. Nitrofurazona, 1%, vaselina sólida 
21. Parabeno mix, 15%, vaselina sólida 
22. Epóxi (resina), 1%, vaselina sólida 
23. Timerosal, 0,05%, vaselina sólida 
24. Terebintina 10% vaselina sólida 
25. Carba mix, 3%, vaselina sólida 
26. Prometazina, 1%, vaselina sólida 
27. Sulfato de níquel, 5%, vaselina sólida 
28. Colofônio, 20%, vaselina sólida 
29. Parafenilenodiamina, 1%, vaselina sólida 
30. Formaldeído, 1%, água sólida 

Em recente revisão sistemática da literatura abrangendo dados brasileiros entre 2000 e 2022, com a atual bateria de testes de contato, foi possível verificar que o sulfato de níquel foi o alérgeno mais frequentemente positivo, enquanto o triclosan, o butilfenol‐p‐terciário e a antraquinona foram os menos prevalentes. Interessantemente, a prevalência da positividade dos testes aumentou a cada cinco anos para Kathon CG®, neomicina e sulfato de níquel, e diminuiu para quaternium 15 e timerosal.10

A elaboração de uma nova bateria padrão brasileira é importante para que os testes de contato se mantenham como instrumento diagnóstico confiável, de acurácia elevada, contribuindo para o esclarecimento etiológico das DCA na atualidade. Para tal, um novo e amplo estudo se faz necessário. Os resultados da nova pesquisa devem se somar a estudos publicados na literatura ao longo dos 20 anos.

Dessa maneira, o presente estudo teve como objetivo testar substâncias da atual bateria padrão brasileira, acrescidas de outras, as quais foram definidas por serem consideradas emergentes e possivelmente importantes. Ao final, considerando os novos dados, aspectos estatísticos históricos recentes e a discussão entre autores experts, sugere‐se uma nova bateria padrão brasileira de testes de contato.

Metodologia

O presente trabalho multicêntrico foi realizado com o apoio da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), sob coordenação do Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais.

Os autores desenvolveram estudo transversal e prospectivo, de intervenção diagnóstica, entre 2023 e 2025. Sob a coordenação do Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da Sociedade Brasileira de Dermatologia, 10 Serviços credenciados participaram como centros de pesquisa (i, ii, iii, iv, v, vi, vii, viii, ix, x). Os fatores em estudo foram as substâncias dos TC, e os desfechos foram as suas respectivas frequências de positividade na leitura final (96 horas).

A amostra mínima necessária para o estudo foi definida em 470 pacientes, considerando estimar a proporção de ocorrência da prevalência de positividade com 1,8% de amplitude para o intervalo de confiança. Com o acréscimo de 10% para possíveis perdas e recusas, esse número chegou a 523. O cálculo pelo método de Wald considerou nível de confiança de 95%, e 1% de percentual esperado para prevalência de positividade. Esses cálculos foram realizados por meio da ferramenta PSS Health versão on‐line.

O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética e Pesquisa de cada um dos 10 centros (Hospital de Clínicas de Porto Alegre da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Santa Casa de Porto Alegre, Santa Casa de Belo Horizonte, Santa Casa de São Paulo, Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Complexo Hospitalar Padre Bento, Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul). O centro coordenador do estudo multicêntrico foi o Serviço de Dermatologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com a aprovação registrada sob número CAAE 67648123.7.1001.5327.

Os participantes foram pacientes com hipótese diagnóstica de DCA, atendidos nos centros acima descritos e com indicação de testes de contato de acordo com os protocolos dos Serviços de Dermatologia.

Foram incluídos pacientes com idade igual ou maior a 18 anos, que compreenderam e aceitaram participar do estudo, assinando o termo de consentimento.

Os fatores de exclusão foram: incapacidades física ou mental, gestantes, pacientes em uso de corticoides sistêmicos nos últimos 30 dias, uso de corticoide tópico no local dos testes nos últimos sete dias, uso de imunossupressores sistêmicos (metotrexato, ciclosporina, azatioprina, micofenolato mofetila, imunobiológicos, inibidores da via JAK e/ou outros) nos últimos três meses, dermatose em atividade ou outras afecções dermatológicas no local de aplicação do teste, história de anafilaxia, história de exposição solar na área de aplicação do teste nos 15 dias antecedentes ao exame, história de exposição à radiação ultravioleta por meio de fototerapia ou cabines na área de aplicação do teste nos 30 dias antecedentes ao exame.

As variáveis independentes coletadas e analisadas foram sexo, idade, fototipo, profissão, procedência, história de atopia, topografia da dermatite, e cada substância testada; e as variáveis dependentes foram os resultados das leituras dos TC e a relevância para cada substância, realizadas após 48 horas e 96 horas.

O material utilizado foi uma bateria padrão de testes de contato brasileira modificada, a qual contou com 50 substâncias (entre as existentes na atual bateria e outras, definidas a partir de reuniões de consenso entre experts da SBD). O material (substâncias, contensores, caneta para registro e mídia explicativa uniformizadora da testagem) foi produzido e disponibilizado pela empresa FDA Allergenic.

Os contensores utilizados foram os padronizados pelo Grupo Internacional de Estudo em Dermatite de Contato – ICDRG (FINN CHAMBERS AQUA® – SmartPractice; Phoenix – AZ, EUA), com 10 câmaras em fita hipoalergênica em cada contensor.

As 50 substâncias que compuseram a bateria modificada são as apresentadas no tabela 2. Por decisão dos autores, não foram testadas da atual bateria – por estarem em progressiva diminuição de taxas positivas ao longo de duas décadas – o quaternium, a nitrofurazona, a quinolina e a antraquinona. A lanolina foi substituída pelo Amerchol® L 101 (pois integra o mesmo) e a benzocaína integra a caína mix I, portanto, substituída por ele. Além disso, o timerosal é um conservante que está em desuso; assim, também não foi testado.10

Tabela 2.

Bateria padrão modificada em avaliação (2023–2025)

Bateria padrão modificada em avaliação (2023–2025)a
Numeração  Substâncias e concentrações (%)  Veículo 
Bicromato de Potássio 0,5  Vaselina sólida 
Bálsamo do Peru 25  Vaselina sólida 
Cetoconazol 1  Vaselina sólida 
Fragrância Mix ii  Vaselina sólida 
  Cumarina 2,5   
  Farmesol 2,5   
  Lyral 2,5   
  Citral 1   
  Citronelal 0,5   
  Aldeídohexil‐cinâmico 5   
Resina epóxi de bisfenol a 1  Vaselina sólida 
Propilenoglicol 10  Vaselina sólida 
Butilfenol p‐terciário 1  Vaselina sólida 
Neomicina 20  Vaselina sólida 
Irgasan 1  Vaselina sólida 
10  PPD Mix  Vaselina sólida 
  N‐isopropil, n‐fenil, parafenilenodiamina 0,2   
  N‐n difenil, parafenilenodiamina 0,2   
11  Imidazolidinil ureia 2  Vaselina sólida 
12  Fenoxietanol 1  Vaselina sólida 
13  Tiuram Mix  Vaselina sólida 
  Tetrametiltiuramdissulfeto 0,5   
  Tetrametiltiurandissulfeto 0,5   
14  Etilenodiamina 1  Vaselina sólida 
15  Disperse blue 106 1  Vaselina sólida 
16  Mercapto mix  Vaselina sólida 
  Mercaptobenzotiazol 0,5   
  Dibenzoatiazol dissulfeto 0,5   
  Morfolinilmercaptobenzotiazol 0,5   
  N‐ciclo‐hexil 2 benzotiazol sulfonamida 0,5   
17  Caina mix I  Vaselina sólida 
  Benzocaína 5   
  Tetracaína 2,5   
  Dibucaína 2,5   
18  Fragrância I mix  Vaselina sólida 
  Álcool cinâmico 2   
  Aldeído alfa‐amil‐cinâmico 2   
  Eugenol 2   
  Isoeugenol 2   
  Geraniol 2   
  Hidroxicitronelal 2   
  Oak moss absolute 2   
19  Hidroxietil metacrilato 2  Vaselina sólida 
20  Cloreto de cobalto 1  Vaselina sólida 
21  Parabeno mix  Vaselina sólida 
  Metilparabeno 3   
  Etilparabeno 3   
  Propilparabeno 3   
  Butilparabeno 3   
  Benzilparabeno 3   
22  Bronopol 0,5  Vaselina sólida 
23  DMDM Hidantoina 1  Vaselina sólida 
24  Compositae Mix 2,5  Vaselina sólida 
  Antemis noblis extract 0,6   
  Chamomilla recutita extract 0,6   
  Achillea millefolium extract 0,5   
  Tanacetum vulgare extract 0,5   
  Arnica montana extract 0,25   
  Parthenolide 0,05   
25  Carba mix  Vaselina sólida 
  Difenilguanidina 1   
  Dimetilditiocarbamato de zinco 1   
  Dietilditiocarbamato de zinco 1   
26  Colofônio 20  Vaselina sólida 
27  Sulfato de níquel 5  Vaselina sólida 
28  TONSILAMIDA 10  Vaselina sólida 
29  Parafenilenodiamina 1  Vaselina sólida 
30  Hidroperóxido de limoneno 0,3  Vaselina sólida 
31  Compositae mix 5  Vaselina sólida 
  Antemis noblis extract 1,2   
  Chamomilla recutita extract 1,2   
  Achillea millefolium extract 
  Tanacetum vulgare extract 
  Arnica montana extract 0,5   
  Parthenolide 0,1   
32  N‐isopropil‐N‐fenil‐P‐fenilenodiamina 0,1  Vaselina sólida 
33  Cetoconazol 5  Vaselina sólida 
34  Metildibromoglutaronitrilo 0,5  Vaselina sólida 
35  Glutaraldeído 0,5  Vaselina sólida 
36  Hidroquinona 1  Vaselina sólida 
37  Prometazina 1  Vaselina sólida 
38  Sesquiterpeno lactona mix  Vaselina sólida 
  Alantolactona 0,033   
  Costunolide 0,033   
  Dehydrocostus lactone 0,033   
39  Decil glucosídeo 5  Vaselina sólida 
40  Caína mix II  Vaselina sólida 
  Lidocaína 5   
  Tetracaína 2,5   
  Dibucaína 2,5   
41  Bacitracina 5  Vaselina sólida 
42  Hidroperóxido de linalol 1  Vaselina sólida 
43  Bacitracina 20  Vaselina sólida 
44  Oleamidopropil dimetilamina 0,1  Água 
45  Clorexidina 0,5  Água 
46  Metilisotiazolinona 0,2  Água 
47  Formaldeído 2  Água 
48  Cocamidopropilbetaína 1  Água 
49  Amerchol® L101 100  as is 
50  Kathon® CG 0,5  Água 
a

Em azul claro as substâncias atuais, e em azul escuro as novas substâncias.

Os TC foram realizados de acordo com o padrão estabelecido pelo ICDRG, considerando o dia 1 aquele da aplicação dos TC, o dia 2 o momento da retirada e da primeira leitura dos testes (em 48 horas), e o dia 3, o da leitura final, após 96 horas da aplicação dos testes.11 Nova avaliação, com leitura tardia (120 horas) poderia ser realizada, conforme decisão clínica, e seria o dia 4. A seguinte leitura padronizada foi estabelecida: teste negativo (−), teste duvidoso (?), teste positivo fraco (+), teste positivo forte (++), teste positivo muito forte (+++).

Casos com possibilidade de teste positivo em virtude da “síndrome da pele excitada” (SPE) foram excluídos, de acordo com critérios estabelecidos.12

A relevância clínica foi definida como a afirmativa relação entre a resposta obtida na leitura do teste e o atual contato do paciente com a substância (o material que a contém) causadora da dermatose. Um teste positivo pode ainda ter relevância anterior, ou seja, referir‐se a um contato, no passado, mas não relacionado à dermatose atual.1

Ao término de cada testagem os pacientes foram orientados quanto aos resultados e mantidos em acompanhamento nos Serviços.

Para a configuração final da proposição para a nova bateria padrão brasileira (adultos) foram consideradas integrantes as substâncias que atingiram o mínimo de 1% de positividade,11 e determinadas substâncias que presentemente mostram‐se importantes por meio de outros estudos.6,10

Análise dos dados

Os dados coletados foram armazenados em uma planilha padrão do Microsoft Excel®. Cada centro armazenou individualmente seus dados, e as planilhas de todos foram compiladas em um único banco de dados pelo centro coordenador.

A descrição univariada foi realizada utilizando os programas SPSS (Statystical Package for the Social Sciences) versão 20.0. As variáveis quantitativas foram avaliadas em relação à sua normalidade pelo teste de Shapiro Wilk e foram descritas pela média e desvio padrão na presença de normalidade. As variáveis categóricas foram descritas por frequências e percentuais, e as frequências de positividade apresentadas com o intervalo de 95% de confiança para proporções expresso em percentual, calculado pelo método de Fisher. Para avaliar a associação entre diferentes fatores e as positividades às substâncias, foi realizada análise bivariada, utilizando‐se os testes de Qui‐Quadrado em caso de fatores com três ou mais categorias ou teste exato de Fisher nas comparações realizadas em tabelas dois por dois e na presença de valores esperados < 5. O nível de significância estabelecido foi de 5%.

Resultados

O número total de participantes incluídos no estudo foi de 567, distribuídos nos 10 centros (fig. 1).

Figura 1.

Centros participantes: Serviços de Dermatologia credenciados à SBD e o número de participantes da pesquisa (2023–2025).

A média de idade foi de 53,3 anos (desvio padrão de 15,6 anos), e predominou o sexo feminino, com 74,3% dos participantes. Todos os fototipos estiveram representados, com destaque para o II (19,9%), III (34,3%) e IV (26,6%). História pessoal de doença atópica (respiratória e/ou cutânea) esteve presente em 243 participantes (43,3%). Quanto à ocupação laboral; 24% trabalhavam na área de serviços de limpeza; 7,3% eram profissionais da saúde; 7,2% trabalhavam na construção civil e 3,5% eram profissionais da área dos cuidados estéticos; outras ocupações envolveram 57,1% dos demais participantes (tabela 3).

Tabela 3.

Características gerais da amostra do estudo multicêntrico brasileiro (n = 567, Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da SBD, 2023–2025)

Características  Medidas descritivas 
Idade (em anos) (média ± desvio padrão)  aMédia: 53,3 ± 15,6 
Sexo
Feminino, n (%)  421 (74,3) 
Fototipo, n (%)
21 (3,7) 
II  112 (19,9) 
III  193 (34,3) 
IV  150 (26,6) 
76 (13,5) 
VI  11 (2,0) 
Perda de informações  4 (0,07) 
História pessoal de atopia, n (%)
Sim  243 (43,3) 
Perda de informações  6 (0,17) 
Ocupação laboral, n (%)
Serviços de limpeza/gestão do lar  119 (21,0) 
Serviços de escritório/professor/estudante  80 (14,1) 
Aposentado  61 (10,8) 
Área da saúde  44 (7,8) 
Mecânico  37 (6,5) 
Construção civil  30 (5,3) 
Comerciante  26 (4,5) 
Cozinheiro  25 (4,4) 
Cabelereiro/manicure  18 (3,2) 
Costureiro  13 (2,3) 
Trabalhador rural  13 (2,3) 
Outras ocupações  4 (0,7) 
Sem informações  97 (17,1) 
Topografia da dermatite de contato, n (%)
Mãos  225 (39,7) 
Membros superiores (exceto mãos)  156 (27,5) 
Tórax  154 (27,2) 
Face  148 (26) 
Extremidades inferiores (exceto pés)  120 (21,2) 
Pés  114 (20,1) 
Região cervical (pescoço)  87 (15,0) 
Abdome  63 (11,1) 
Couro cabeludo  61 (10) 
Glúteos  23 (4,1) 
Positividade geral dos testes de contato, n (%)  393 (69,3) 
Relevância dos testes, n (%)  272 (70,2) 
Perdas de informações, n (%)  180 (31,7) 
a

Teste de Shapiro Wilk: empregado para avaliação da normalidade.

Na distribuição topográfica das dermatites, verificou‐se que 39,7% afetavam as mãos; 27,5% outras regiões dos membros superiores; 27,2% o tórax; 26% a face; 21,2% as extremidades inferiores que não os pés; 20,1% os pés; 15% a região cervical; 11,1% o abdome; 10% o couro cabeludo e 4,1% os glúteos (a soma ultrapassa 100% porque vários pacientes tinham a dermatose em mais de uma localização). A tabela 4 reúne as características clínicas e demográficas principais da amostra estudada.

Tabela 4.

Prevalência das sensibilizações aos alérgenos analisados no estudo (n = 567, Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da SBD, 2023–2025)

Substância  n (%)  95% ICa 
Sulfato de níquel  164(28,9)  25,2–32,9 
Metilsotiazolinona  68 (12,0)  9,4–15,0 
Formaldeído  59 (10,4)  8,0–13,2 
Cloreto de cobalto  58 (10,2)  7,9–13,0 
Fragrância mix I  40 (7,1)  5,1–9,5 
Kathon CG®  37 (6,5)  4,6–8,9 
Parafenilenodiamina  36 (6,4)  4,5–8,7 
Neomicina  33 (5,8)  4,0–8,1 
Disperse blue 106  29 (5,1)  3,5–7,3 
Metildibromoglutaronitrilo  27 (4,8)  3,2–6,9 
Amerchol® L101  26 (4,6)  3,0–6,7 
Bicromato de potássio  24 (4,2)  2,7–6,2 
Bálsamo do Peru  21 (3,7)  2,3–5,6 
Cetoconazol 1  18 (3,2)  1,9–5,0 
Caína mix I  16 (2,8)  1,6–4,5 
Carba mix  16 (2,8)  1,6–4,5 
Bacitracina 5%  16 (2,8)  1,6–4,5 
Resina tonsilamida/formaldeído  15 (2,7)  1,5–4,3 
Decil glucosídeo  15 (2,7)  1,5–4,3 
Cocamidopropilbetaína  15 (2,7)  1,5–4,3 
Tiuram MIX  14 (2,5)  1,4–4,1 
Cetoconazol 5%  14 (2,5)  1,4–4,1 
Bacitracina 20%  14 (2,5)  1,4–4,1 
Fragrância mix II%  13 (2,3)  1,2–3,9 
Hidroxietilmetacrilato  12 (2,1)  1,1–3,7 
Colofônio  10 (1,8)  0,9–3,2 
Bronopol  9 (1,6)  0,7–3,0 
Propilenoglicol  6 (1,1)  0,4–2,3 
Glutaraldeído  6 (1,1)  0,4–2,3 
Butilfenol‐p‐terciário  5 (0,9)  0,3–2,1 
PPD mix  5 (0,9)  0,3–2,1 
Etilenodiamina  5 (0,9)  0,3–2,1 
Mercapto mix  5 (0,9)  0,3–2,1 
Prometazina  5 (0,9)  0,3–2,1 
Parabenos mix  4 (0,7)  0,2–1,8 
Compositae mix 2,5%  4 (0,7)  0,2–1,8 
N‐isopropil‐n‐fenil  4 (0,7)  0,2–1,8 
Sesquiterpeno lactona mix  4 (0,7)  0,2–1,8 
Caína mix II  4 (0,7)  0,2–1,8 
Irgasan  3 (0,5)  0,1–1,5 
Imidazolidinil ureia  3 (0,5)  0,1–1,5 
DMDM hidantoína  3 (0,5)  0,1–1,5 
Compositae mix 5  3 (0,5)  0,1–1,5 
Hidroperóxido de linalol  3 (0,5)  0,1–1,5 
Oleamidopropil dimetilamina  3 (0,5)  0,1–1,5 
Hidroquinona  2 (0,4)  0,1–1,3 
Hidroperóxido de limoneno  1 (0,2)  0–1,0 
Clorexidina  1 (0,2)  0–1,0 
Resina epóxi de bisfenol A  –  0–0,7 
Fenoxietanol  –  0–0,7 
a

IC, intervalo de confiança de 95% para a prevalência pelo método de Fisher.

Dentre o total dos 567 pacientes testados, 393 (69,3%) foram positivos para ao menos uma das 50 substâncias testadas e 132 (23,3%) pacientes foram positivos para três ou mais substâncias, não configurando SPE, diante da evidência clínica de exposição (polissensibilização).

Foram considerados testes positivos relevantes (atual ou passado) 272 de 387 (houve perda dessa informação em 180 pacientes), ou seja, a relevância foi de 70,3%.

Ao avaliar relações entre variáveis, verificou‐se associação significante (p < 0,05) entre o sexo masculino e as substâncias bicromato de potássio, cetoconazol, colofônio e cloreto de cobalto; entre o sexo feminino e o sulfato de níquel; entre a faixa etária até os 30 anos e as substâncias propilenoglicol e clorexidina, e entre 30–60 anos e o tiuram mix.

Os alérgenos que mostraram frequência de sensibilização ≥ 1% foram: sulfato de níquel (28,9%), metilisotiazolinona (12%), formaldeído (10,4%), cloreto de cobalto (10,2%), fragrância mix I (7,1%), Kathon CG® (6,5%), parafenilenodiamina (6,4%), neomicina (5,8%), disperse blue 106 (5,1%), metildibromoglutaronitrilo (4,8%), Amerchol® L101 (4,6%), bicromato de potássio (4,2%), bálsamo do Peru (3,7%), cetoconazol 1% (3,2%), caína mix I (2,8%), carba mix (2,8%), bacitracina 5% (2,8%), tosilamida (2,7%), decil glucosídeo (2,7%), cocamidopropilbetaína (2,7%), tiuram mix (2,5%), cetoconazol 5% (2,5%), bacitracina 20% (2,5%), fragrância mix II (2,3%), hidroxietilmetacrilato (2,1%), colofônio (1,8%), bronopol (1,6%), propilenoglicol (1,1%) e glutaraldeído (1,1%) (tabela 4).

Das 30 substâncias que atualmente compõem a bateria padrão dos testes de contato (tabela 1), oito não atingiram 1% de positividade neste estudo: com 0,9% ficaram butilfenol‐p‐terciário, PPD (mix), etilenodiamina, mercapto (mix), prometazina; com 0,7% ficaram os parabenos (mix); com 0,5%, o irgasan; com 0,4% a hidroquinona; e com 0% de positividade, a resina epóxi.

A partir desses resultados e da discussão apresentada a seguir (que envolve a literatura e considera os alérgenos emergentes), a nova bateria padrão brasileira para testes de contato, como proposta, é a seguinte (tabela 5).

Tabela 5.

Bateria padrão brasileira para testes de contato – 2025: substâncias, concentrações e veículos

Bateria padrão brasileira para teste de contato GBEDC – 2025
N°  Substância  Concentração  Veículo 
Sulfato de níquel  5%  Vaselina sólida 
Hidroperóxido de linalol  1%  Vaselina sólida 
Imidazolidinilureia  2%  Vaselina sólida 
Cloreto de Cobalto  1%  Vaselina sólida 
Fragrância mix I  14%  Vaselina sólida 
  Álcool cinâmico 2%     
  Aldeído alfa‐amil‐cinâmico 2%     
  Eugenol 2%     
  Isoeugenol 2%     
  Geraniol 2%     
  Hidroxicitronelal 2%     
  Oak moss absolute 2%     
DMDM hidantoína  1%  Vaselina sólida 
Resina epóxi de bisfenol A  1%  Vaselina sólida 
Amerchol® L101  100%  as is 
Cetoconazol  1%  Vaselina sólida 
10  Caina mix  10%  Vaselina sólida 
  Benzocaína 5%     
  Tetracaína 2,5%     
  Dibucaína 2,5%     
11  Disperse blue 106  1%  Vaselina sólida 
12  Metildibromoglutaronitrilo  0,5%  Vaselina sólida 
13  Bicromato de potássio  0,5%  Vaselina sólida 
14  Bálsamo do Peru  25%  Vaselina sólida 
15  Parabeno mix  15%  Vaselina sólida 
  Metilparabeno 3%     
  Etilparabeno 3%     
  Propilparabeno 3%     
  Butilparabeno 3%     
  Benzilparabeno 3%     
16  Tiuram mix  1%  Vaselina sólida 
  Tetrametiltiuram dissulfeto 0,5%     
  Tetrametiltiuram monossulfeto 0,5%     
17  Tonsilamida  10%  Vaselina sólida 
18  Decil glucosídeo  5%  Vaselina sólida 
19  Carba mix  3%  Vaselina sólida 
  Difenilguanidina 1%     
  Dimetilditiocarbamato de zinco 1%     
  Dietilditiocarbamato de zinco 1%     
20  Bacitracina  5%  Vaselina sólida 
21  Fragrância mix II  14%  Vaselina sólida 
  Cumarina 2,5%     
  Farmesol 2,5%     
  Lyral 2,5%     
  Citral 1%     
  Citronelal 0,5%     
  Aldeidohexil cinâmico 5%     
22  Hidroxietilmetacrilato  2%  Vaselina sólida 
23  Colofônio  20%  Vaselina sólida 
24  Propilenoglicol  10%  Vaselina sólida 
25  Bronopol  0,5%  Vaselina sólida 
26  Butilfenol p‐terciário  1%  Vaselina sólida 
27  Glutaraldeído  0,5%  Vaselina sólida 
28  PPD mix  0,4%  Vaselina sólida 
  N‐isopropil, n‐fenil, parafenilenodiamina 0,2%     
  N‐N difenil, parafenilenodiamina 0,2%     
29  Etilenodiamina  1%  Vaselina sólida 
30  Mercapto mix  2%  Vaselina sólida 
  Mercaptobenzotiazol 0,5%     
  Dibenzotiazol dissulfeto 0,5%     
  Morfolinilmercaptobenzotiazol 0,5%     
  N‐ciclo‐hexil 2 benzotiazol sulfonamida 0,5%     
31  Prometazina  1%  Vaselina sólida 
32  Compositae mix  2,5%  Vaselina sólida 
  Antemis noblis extract 0,6%     
  Chamomilla recutita extract 0,6%     
  Achillea millefolium extract 0,5%     
  Tanacetum vulgare extract 0,5%     
  Arnica montana extract 0,25%     
  Parthenolide 0,05%     
  j‐alantolactona 0,03%     
  Costunolide 0,03%     
  Dehydrocostus lactone 0,033%     
33  Neomicina  20%  Vaselina sólida 
34  Sesquiterpeno lactona mix  0,1%  Vaselina sólida 
  Alantolactona 0,033%     
  Custenolide 0,033%     
  Dehydrocostus lactone 0,033%     
35  Parafenilenodiamina  1%  Vaselina sólida 
36  Hidroperóxido de limoneno  0,3%  Vaselina sólida 
37  Metilisotiazolinona  0,2%  Água 
38  Cocamidopropilbetaína  1%  Água 
39  Clorexidina  0,5%  Água 
40  Formaldeído  2%  Água 

Dentre as 50 substâncias testadas, as que não foram incluídas na nova bateria padrão são: fenoxietanol, hidroquinona, irgasan, oleamidopropil dimetilamina, N‐isopropil‐n‐fenil, caína mix II, bacitracina 20%, cetoconazol 5%, Compositae 5% e Kathon CG®.

Discussão

A prevalência e a incidência de positividade a diferentes alérgenos variam ao longo do tempo, acompanhando mudanças nos hábitos da população, transformações industriais e a disponibilidade dos agentes sensibilizantes.3,4,10,13 Em 2000, o GBEDC propôs a atual bateria padrão brasileira de testes epicutâneos.9 Desde então, observaram‐se alterações importantes no perfil de sensibilização, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Importante ressaltar que no presente estudo os casos de SPE foram excluídos e mantidos os considerados com polissensibilização. A SPE, também denominada “angry back syndrome”, refere‐se a um estado de hiper‐reatividade cutânea transitória que ocorre em pacientes com eczema ativo ou muito reativos – submetidos a testes epicutâneos. Nessa situação, a pele encontra‐se em estado inflamatório exacerbado, com respostas imunoinflamatórias amplificadas, levando ao aparecimento de reações falso‐positivas.

Já o paciente polissensibilizado é aquele que verdadeiramente apresenta sensibilidade por reação imunológica a múltiplos agentes, apresentando vários testes de contato positivos, em geral com alérgenos não relacionados entre si. Essa condição reflete ampla reatividade imunológica cutânea, decorrente da exposição cumulativa a diversos agentes sensibilizantes e, em alguns casos, de mecanismos imunológicos cruzados entre compostos estruturalmente semelhantes.

O diagnóstico de polissensibilização deve ser diferenciado da SPE, na qual múltiplas reações positivas podem ocorrer de maneira transitória, sem representar verdadeira alergia específica. Em contraste, no paciente polissensibilizado, as respostas positivas tendem a ser reprodutíveis, clinicamente relevantes e persistentes em repetidos testes.12

No estudo publicado em 2000,9 a maioria dos pacientes era do sexo feminino (62,5%), achado que se repetiu no presente trabalho, com proporção ainda maior (74,3%). Naquele período, 62,0% dos indivíduos apresentaram sensibilidade a pelo menos uma substância, enquanto no estudo atual esse percentual foi de 69,3%. Quanto à faixa etária, em 2000 predominavam pacientes entre 20 e 49 anos, ao passo que, na presente casuística, a média de idade foi superior, de 53,3 anos.

Dentre os 567 pacientes testados neste estudo, em 97 não se obteve informação sobre a profissão, 61 eram aposentados e quatro não tinham atividade profissional bem definida. Dentre os 405 pacientes com as profissões citadas, os trabalhadores de serviços de limpeza/gestores do lar foram os mais presentes (21%). Apesar da ampla gama de ocupações encontradas, destaca‐se que muitos participantes exerciam atividades profissionais úmidas, um dos fatores relevantes na predisposição ao desenvolvimento das dermatites de contato.

Quanto à relevância, conceito clínico que estabelece a relação entre a sensibilização comprovada e a exposição atual ou passada conhecida, houve perda de 31,7% das informações, limitando a análise desse aspecto. No entanto, dos 387 pacientes com dados informados, 70,3% (272) tinham testes relevantes, o que demonstra a importância da aplicação dos testes para a procura etiológica individual da DCA. Outrossim, todos os dados do estudo referem‐se aos 567 pacientes e não aos relevantes, pois para a montagem da bateria o que se considera é a sensibilização geral aos alérgenos.

Dentre as 30 substâncias da bateria padrão definida em 2000,9 19 foram mantidas: sulfato de níquel, formaldeído, carba mix, fragrância mix I, parafenilenodiamina, neomicina, cloreto de cobalto, bicromato de potássio, bálsamo do Peru, tiuram mix, mercapto mix, colofônio, propilenoglicol, PPD mix, etilenodiamina, prometazina, resina epóxi, butifenol p‐terciário e parabenos; e 11 foram excluídas: antraquinona, hidroquinona, irgasan, lanolina, Kathon CG®, benzocaína, quaternium, quinolina, nitrofurazona, timerosal e terebintina. Na elaboração da nova bateria, 21 substâncias foram incluídas: sesquiterpeno lactona, Amerchol® L101, cetoconazol, caína mix, metilbromogluaronitrilo, cocamidopropilbetaína, tosilamida, decil glucosídeo, disperse blue 106, bacitracina, fragrância mix II, hidroxietilmetacrilato, bronopol, glutaraldeído, metilisotiasolinona, Compositae mix, DMDM hidantoína, limoneno, linalol, imidazolinidilureia e clorexidina.

Ainda que a referência para a inclusão na nova bateria tenha sido definida como 1% de positividade, os autores incluíram substâncias com índices inferiores. Essa decisão visou garantir uma série com número maior de substâncias (das 40 substâncias testadas, 29 atingiram 1%), não excluindo alérgenos considerados, na atualidade, emergentes e de grande importância clínica, considerando dados da revisão sistemática brasileira – que analisou mais de duas décadas do desempenho dos testes da bateria padrão atual10 – e as tendências internacionais.

Assim, foram mantidos para a nova bateria, com menos de 1% de positividade, os seguintes, com sua sintética justificativa: a etilenodiamina (amina amplamente empregada em várias aplicações industriais), o bultifenol‐p‐terciário (importância na medicina ocupacional), mercapto mix (importância na medicina ocupacional), prometazina (anti‐histamínico de uso extensivo no Brasil e de venda livre), Compositae (marcador de sensibilidade a plantas), neomicina (principal antibiótico tópico disponibilizado pelas farmácias públicas no Brasil), parabenos (conservante de produtos de frequente uso pessoal, além de alimentos e medicamentos), cloreto de cobalto (metal ubíquo, e de importância na medicina ocupacional) e o epóxi‐resina (uso frequente como componentes de revestimentos). Também foram inseridas com frequência inferior a 1% as seguintes substâncias, por suas emergências no mercado, compondo inclusive a bateria europeia desde 2019:14,15 o hidroxiperóxido linalol e o hidroxiperóxido de limoneno (ambos são terpenos, compostos orgânicos naturais, derivados de plantas, ervas e frutas cítricas, usados com propriedades de conferir aromas em fragrâncias e outros produtos). A imidazolinidilureia e a clorexidina são substâncias que apresentaram taxas inferiores a 1% de positividade, porém muito importantes na indústria dos cosméticos, e foram inseridas na nova bateria padrão (ambas integram a bateria de testes de cosméticos, migrando do status de opção complementar, com esse reposicionamento).14,15

Se utilizarmos a revisão sistemática de Bueno ALA, Aguzzoli NHG, Bonamigo RR,10 que analisou 22 anos de publicações brasileiras e 4.703 pacientes, as substâncias que foram incluídas com menos de 1% no presente estudo aparecem com positividades entre 2000–2022, da seguinte maneira: cloreto de cobalto – 10,7%, neomicina – 7,1%, etilenodiamina – 4%, prometazina – 2,5%, parabeno – 2,4%, resina epóxi – 1,8%, mercapto‐mix – 1,8%, butilfenol p‐terciário – 0,9%. Tais substâncias têm importância histórica e real. Os autores pretendem apresentar uma nova avaliação da bateria proposta em cinco anos para realizar uma análise dessas substâncias que foram incluídas sem preencher o percentual de 1%.

De outro modo, o Kathon CG® foi retirado da nova bateria, apesar de sua positividade ser acima de 1%, pois ele integra o alérgeno metilisotiazolinona, o qual obteve 12% de positividade nessa série.

Os grupos de substâncias serão detalhados individualmente a seguir.

Os alérgenosMetais

Em relação aos alérgenos, em 2000 o sulfato de níquel foi o mais prevalente (25,1%), posição que se manteve no presente estudo, com taxa de 28,9%.9 Uma revisão sistemática recente de estudos brasileiros mostrou prevalência de 31,8% entre 2000 e 2022.10 Dados da American Contact Dermatitis Society (ACDS) corroboram esses achados, com positividade semelhante ao níquel (24,9%).14 Em contrapartida, estudo recente conduzido em Israel revelou prevalência mais elevada (41%).15 De modo adicional, um estudo multicêntrico europeu realizado em 13 países (n = 7.675; 2019–2020), sob a coordenação do European Surveillance System on Contact Allergies (ESSCA) e da European Society of Contact Dermatitis (ESCD), registrou prevalência global de sensibilização ao níquel de 19,8%, com ampla variação entre os países (30,3% na Áustria vs. 13,1% no Reino Unido).16 Essa heterogeneidade é, em parte, atribuída à adoção da Diretiva do Níquel, que entrou em vigor em 2000, foi revisada em 2004 e incorporada à regulamentação europeia em 2006, resultando em declínio significante da sensibilização em diversos países, como Alemanha, Reino Unido, Itália, Suécia e Dinamarca.15

No mesmo estudo europeu, a prevalência de sensibilização aos outros metais foi de 6,2% ao cobalto e 4,4% ao cromo.16 No Brasil, em 2000, os valores encontrados foram 11% para o cobalto e 8,1% para o cromo.9 No presente estudo, 10,2% e 4,2% para o cobalto e cromo, respectivamente. Na revisão sistemática brasileira de 2025, os valores foram 10,7% e 9%, respectivamente.10 Já no estudo da ACDS, os índices foram 9,2% para cobalto e 3% para bicromato.14

Conservantes

Entre os conservantes, a Metilisotiazolinona (MI) destacou‐se como um dos principais sensibilizantes no presente estudo. Em 2013, foi eleita “alérgeno do ano” pela ACDS em virtude da epidemia de dermatite de contato desencadeada.17,18 Nos estudos norte‐americanos mais recentes, a positividade atingiu 15,3% entre 2017 e 2018, caindo para 11,5% entre 2021 e 2022, sugerindo estabilização.14 Na Europa, o pico ocorreu entre 2013 e 2014, com 8,7% de positividade; entretanto, medidas regulatórias – como a retirada da MI de produtos sem enxágue e a limitação a 15ppm em produtos enxaguáveis – reduziram a positividade para 2,9% em 2024.19 No Brasil, a Resolução RDC n° 528/2021da ANVISA proibiu o uso de MI e Kathon CG® (MI e metilcloroisotiazolinona) em formulações sem enxágue.20 Apesar disso, em nosso estudo, a MI ainda foi o segundo sensibilizante mais prevalente, com positividade de 12%.

Na bateria padrão brasileira criada em 2000 e ainda utilizada, a MI é testada em associação com a metilcloroisotiazolinona como componente do Kathon CG®. Em 2000, a positividade para o Kathon era de 2,2%, na revisão sistemática de 2025, foi de 3,2%.10 No presente estudo, a positividade para Kathon CG® foi de 6,5%, reforçando a necessidade de se testar a MI isoladamente, estratégia que aumenta a detecção de casos positivos.21,22

O formaldeído (formol) configurou‐se como o terceiro alérgeno mais prevalente, com taxa de 10,4%, superior aos 5,5% relatados no grupo norte‐americano.14 Além de atuar como conservante, o formaldeído é amplamente utilizado em desinfetantes, colas, materiais de construção e produtos de alisamento capilar, como a “escova progressiva”,23,24 frequentemente em associação ao glutaraldeído, cuja prevalência de positividade foi de 1,1% em nosso estudo.

Três liberadores de formaldeído – toluenossulfonamida resina de formaldeído (tosilamida), bronopol e butilfenol‐p‐terciário – apresentaram positividade de 2,7%, 1,6% e 0,9%, respectivamente.

A tosilamida mostra tendência consistente de queda: estudo australiano reportou positividade de 1,9% em 2005, enquanto em 2017 nenhum dos 364 pacientes avaliados apresentou sensibilização.25 Em centro brasileiro, a prevalência caiu de 16% para 2,1% na última década.26 Neste estudo, sua positividade foi de 2,7%. Apesar dessa redução, os índices nacionais ainda são relativamente elevados, possivelmente em virtude do uso intenso de esmaltes de unhas no Brasil, que ocupa a segunda posição mundial em volume de consumo.26

O bronopol, outro conservante antimicrobiano, apresentou aumento significante em estudos norte‐americanos recentes,14 enquanto o butilfenol‐p‐terciário mostrou queda progressiva: estudo italiano (1997–2021) revelou diminuição de 1,9% em 2000 para 0,55% em 2021, atribuída à substituição gradual de resinas em colas por acrilatos e epóxi.27

Outro conservante de cosméticos, a metildibromoglutaronitrila, apresentou positividade de 4,8% em nosso estudo. Esse agente é frequentemente utilizado em associação ao fenoxietanol. Nos EUA, verificou‐se queda de sensibilização a essa combinação, de 6% entre 1998 e 2000 para 2,5% em 2017–2018. O mesmo estudo destacou, contudo, a elevada frequência de reações fracas (63,3%) e a baixa relevância clínica (3% definidas e 19,3% prováveis), ressaltando a necessidade de interpretação cautelosa dos resultados.28

O colofônio, também denominado breu, empregado como conservante natural em sabonetes e ceras depilatórias, apresentou positividade de 1,8% em nosso estudo, valor inferior aos 2,9% reportados na revisão sistemática brasileira de 2025 que avaliou os alérgenos da bateria proposta em 2000.10 Já no estudo da bateria padrão da Nova Zelândia, a positividade foi mais elevada, de 5,1%,29 enquanto nos EUA foi de 2,5%14 – dados que reforçam a relevância desse alérgeno e sustentam sua manutenção na bateria padrão.

O propilenoglicol apresentou positividade idêntica neste estudo e na revisão sistemática brasileira de 2025, ambas de 1,1%.10 Ele havia sido eleito “alérgeno do ano” em 2018.30 Apesar da baixa prevalência, é considerado clinicamente significante, uma vez que tende a produzir reações fracas que, ainda assim, devem ser valorizadas.31

Os parabenos foram considerados “não alérgenos” em 201932 por sua baixa alergenicidade. Neste estudo, a positividade foi de 0,7%, semelhante à taxa norte‐americana de 0,5%.14 Em Portugal, observou‐se 0,49%, com relevância clínica de 0,32%.33 A revisão brasileira de 2025 relatou 2,4% de sensibilização, embora sem avaliação de relevância clínica.18 Diante disso, decidiu‐se manter os parabenos na bateria padrão.

Emoliente e surfactantes

O Amerchol® L101 é uma mistura de lanolina e óleo mineral. Estudos demonstram que o óleo mineral favorece a absorção da lanolina, aumentando a acurácia dos testes de contato.34 Neste trabalho, o Amerchol® L101 foi utilizado em substituição à lanolina pura. A lanolina, derivada da glândula sebácea de ovelhas, é amplamente empregada em cosméticos e medicamentos tópicos, com índices de sensibilização variando entre 1,2% e 6,9%. No presente estudo, a frequência de testes positivos para Amerchol® foi de 4,6%, superior à observada em alguns estudos nacionais prévios, nos quais a lanolina apresentou taxas entre 0,4% e 2,8%.35–37 Dados do grupo americano mostram frequência de 2,3%.14 Esse resultado reforça que o Amerchol L101 pode ser marcador mais sensível para identificar pacientes sensibilizados à lanolina em nosso meio.

O decil glucosídeo é um surfactante não iônico amplamente utilizado em cosméticos (xampus, fotoprotetores, fragrâncias, desodorantes) e em produtos de limpeza. Casos de DCA relacionados a essa substância têm sido descritos desde 2003, com prevalência variando entre 1% e 5%.38,39 No presente estudo, a frequência de sensibilização foi de 2,7%. O decil glucosídeo não era previamente testado na bateria padrão brasileira, o que evidencia a relevância de sua inclusão.

A cocamidopropilbetaína é um surfactante anfótero, introduzido na década de 1970 como substituto do lauril sulfato de sódio e de outros surfactantes aniônicos, em virtude do menor potencial irritativo, especialmente ocular. Está presente em xampus, condicionadores, géis de banho, detergentes líquidos, cremes dentais, enxaguatórios bucais e outros cosméticos. As taxas de sensibilização relatadas na literatura variam entre 3% e 7,2%.40 No presente estudo, a frequência foi de 2,5%, valor inferior, mas que confirma seu papel como alérgeno relevante em produtos de higiene pessoal.

Fragrâncias

A DCA a fragrâncias permanece como uma das principais causas de sensibilização no mundo todo, representando a segunda ou terceira causa mais frequente, após os metais e em conjunto com os conservantes.41 O presente estudo encontrou prevalência de reações positivas de 7,1% para fragrância MIX I (FM I), 3,7% para bálsamo do Peru (Myroxylon pereirae), 2,3% para fragrância MIX II (FM II), 1,8% para colofônio, 0,5% para hidroperóxido de linalol e 0,2% para hidroperóxido de limoneno. Esses resultados dialogam com dados internacionais e reforçam a necessidade de atualização contínua das baterias padrão de testes de contato.

Estudos europeus demonstram prevalências semelhantes: revisão sistemática recente evidenciou sensibilização média de 6,8% para FM I e 3,6% para FM II, valores próximos aos observados neste estudo.42 O bálsamo do Peru apresentou 3,7%, um pouco inferior aos índices do North American Contact Dermatitis Group (NACDG) (7%) e europeus (6,62%).14,16 O colofônio, incluído em algumas séries como marcador adicional de alergia a fragrâncias, foi discutido acima e apresentou positividade de 1,8%.

Em contraste, os hidroperóxidos de linalol e limoneno, apresentaram prevalência muito baixa (0,5% e 0,2%, respectivamente) neste estudo. Essa discrepância pode refletir a instabilidade dessas substâncias, diferenças na formulação dos alérgenos dos testes e a variabilidade da exposição em nosso país. Em séries europeias e americanas recentes, as prevalências de sensibilização a esses compostos têm sido mais elevadas, especialmente em populações jovens.14,43

O FM I continua sendo o marcador mais sensível para a detecção de alergia a fragrâncias. Entretanto, diversos estudos demonstram que sua utilização isolada pode subdiagnosticar pacientes. A inclusão do FM II e de pré‐haptenos oxidativos, como linalol e limoneno, tem sido proposta para aumentar o rendimento diagnóstico. Os achados do presente estudo corroboram essa necessidade, ao menos em relação ao FM II, já que a bateria padrão brasileira atual inclui apenas FM I, bálsamo do Peru e colofônio.9 Apesar da baixa positividade identificada em nossa amostra, a presença do linalol e do limoneno em cosméticos e produtos de higiene sugere que sua inclusão em séries complementares pode ser estratégica para o diagnóstico em subgrupos específicos. Diante de todas essas situações, optamos por acrescentá‐los à nova bateria padrão.

Medicamentos tópicos

Os medicamentos de uso tópico são fontes frequentes de DC, especialmente em indivíduos com dermatoses ou úlceras crônicas. Alguns deles estão disponíveis sem prescrição médica em nosso meio, como a neomicina e o cetoconazol. Além disso, há formulações que associam diferentes fármacos, o que aumenta a probabilidade de contato simultâneo com múltiplos alérgenos.

A neomicina, antibiótico do grupo dos aminoglicosídeos, é um alérgeno reconhecido mundialmente, motivo pelo qual está incluída em diversas séries padrão de testes de contato. Scherrer et al. identificaram sua presença em vários produtos disponíveis no Brasil, incluindo cremes e pomadas dermatológicas, suspensões oftalmológicas, otológicas, orais e nasais, pós‐antissépticos e até vacinas.44 No presente estudo, a neomicina foi o medicamento com maior frequência de positividade (33 casos; 5,8%), achado semelhante ao de estudo norte‐americano de 2025, onde também é comercializada sem restrição.14 Na revisão sistemática brasileira, evidenciou‐se aumento médio de 1,41% na frequência de testes positivos para neomicina entre 2000 e 2022.10 Outra revisão sistemática e metanálise sobre DC por neomicina, também de 2025, analisando 70 estudos internacionais, mostrou prevalência de 3,2% em adultos e 4,3% em crianças. As maiores frequências foram observadas nos Estados Unidos (6,4%), e as mais baixas na União Europeia (2,5%) e no Oriente Médio (0,8%), regiões com regulamentação mais restritiva ao seu uso.45 Esses dados reforçam a importância de manter a neomicina como componente da série padrão.

A bacitracina, antibiótico de uso tópico, está disponível em nosso meio apenas em associação com a neomicina. A bacitracina pode causar DCA, urticária de contato e até anafilaxia.46 Foi positiva em 2,5% (14 casos), frequência superior à observada em estudos europeus, mas inferior à registrada nos EUA (6,4%–8,3%), onde a bacitracina é vendida livremente, assim como no Brasil.47 Não há dados comparativos nacionais, já que a substância não era incluída em séries de alérgenos anteriormente utilizadas no país.

O cetoconazol, antifúngico imidazólico indicado para o tratamento de micoses superficiais, tem uso amplamente difundido em nosso meio; está presente em associações com corticosteroides em cremes e pomadas (comercializadas sem prescrição), em xampus e também é um dos poucos antifúngicos disponíveis no sistema público de saúde. Essa maior exposição torna‐o um alérgeno mais relevante no Brasil em comparação a outros países. No presente estudo, a frequência de testes positivos foi de 3,2% (18 casos), valor superior ao observado em estudo brasileiro prévio, realizado em único centro hospitalar entre 2010 e 2017, que encontrou positividade de 2,3%.48 Esses dados sustentam sua inclusão na série padrão para avaliação em diferentes regiões do país.

Os anestésicos tópicos são amplamente utilizados em diversas áreas da saúde, disponíveis em apresentações como cremes, pomadas, colírios, gotas otológicas, pastilhas e sprays. São empregados em dermatologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, proctologia, ginecologia, urologia e odontologia, além de serem encontrados em produtos de venda livre para pequenas queimaduras. A absorção é favorecida quando aplicados em mucosas ou sobre pele previamente lesada. A benzocaína sempre foi considerada marcador de DC por anestésicos tópicos; entretanto, sua eficácia começou a ser questionada na década de 1980.16 Em 2019, a série europeia incorporou a mistura de caínas, por apresentar maior taxa de positividade do que a benzocaína isolada, especialmente pela presença da dibucaína.16,47 Já a série americana mantém a testagem separada da lidocaína e da benzocaína.14 O grupo de especialistas deste estudo optou pela caína mix, que inclui benzocaína, tetracaína e dibucaína (cinchocaína). Obtivemos frequência de 2,8% (16 casos), superior à média observada em estudos europeus (1,56%),16 possivelmente relacionada a diferenças nos hábitos de prescrição.

A prometazina, derivada da fenotiazínica, com propriedades anti‐histamínicas, é utilizada em nosso meio principalmente na forma tópica, mas também por via intramuscular em serviços de urgência. Pode ainda compor formulações orais combinadas com analgésicos (p. ex., Lisador®). A substância pode causar DC, DC fotoalérgica e reações de fotossensibilidade após uso sistêmico (farmacodermia).49,50 Embora a frequência de testes positivos tenha sido baixa no presente estudo (0,7%), o grupo de especialistas recomendou sua manutenção na bateria, por se tratar de produto de uso frequente em nosso meio e potencialmente associado a reações graves, cujo diagnóstico não deve ser negligenciado.

Alérgenos da borracha

Os alérgenos da borracha têm papel importante na investigação da DCA, sobretudo em contextos ocupacionais. As manifestações acometem principalmente mãos (uso de luvas) e pés (calçados).51 No estudo presente, mãos e pés foram afetados em 39,7% e 20,1% dos pacientes, respectivamente. Observou‐se que 21% trabalhavam em serviços de limpeza/serviços do lar; 6,9% eram profissionais de saúde e 5,1% atuavam na construção civil; 32,5% pertenciam a ocupações com elevada exposição à borracha.

Carba mix e tiuram mix são estruturalmente relacionados, podendo converter‐se entre si por reações de oxidação/redução e, frequentemente, são co‐positivos. Tiurans podem ser melhores marcadores de sensibilização a ditiocarbamatos do que os próprios carbamatos.16,52

O carba mix apresentou positividade de 2,8%, inferior à revisão sistemática brasileira (4,7%), mas levemente superior aos dados norte‐americanos (2,5%) e de países europeus que usam o True Test (2,4%), mas ele não é testado na bateria europeia.10,14,16

O tiuram mix apresentou 2,5% de positividade, semelhante aos testes com a bateria padrão europeia (2,34%) e no grupo norte‐americano (NACDG – 3%), mas com frequência menor nos países testados com o True Test (1,63%).10,14,16

Assim, os dados do estudo atual se mostraram bem semelhantes ao europeu e norte‐americano, com queda da frequência do carba mix, apesar dos carbamatos serem irritantes e causarem reações falso‐positivas.10,14,16,51

Os antioxidantes utilizados na fabricação da borracha preta compõem o PPD mix, incluído nas séries padrão. Na revisão sistemática brasileira, sua frequência foi de 4,3%, substancialmente maior que a observada no presente estudo (0,9%). Este último resultado, entretanto, foi semelhante aos dados norte‐americanos (0,4%) e aos obtidos na Europa (0,79% na bateria padrão e 0,88% no True Test).10,14,16

A parafenilenodiamina (PPDA) é o principal alérgeno presente em tinturas capilares permanentes, atuando como agente oxidante. Também pode estar presente em tatuagens de henna, maquiagens para cílios, elásticos e produtos de borracha.53 No presente estudo, a frequência de sensibilização foi de 6,4%, semelhante ao reportado na revisão sistemática brasileira (7,8%), mas ambos acima das revisões europeia (entre 3,6%–3,87%) e norte‐americana (5%). Em estudo nacional com 120 pacientes sensibilizados a borracha, 49 (40,8%) apresentaram positividade à PPDA, dos quais 27 casos estavam relacionados à tintura capilar. Esses achados confirmam a relevância da PPDA como um dos principais alérgenos cosméticos e sustentam sua manutenção nas séries padrão.10,14,16,51

O mercapto mix mostrou positividade de 0,9% neste estudo, aproximando‐se dos resultados europeus (0,72% na bateria padrão e 0,43% no True Test), mas inferior ao relatado pela revisão sistemática brasileira (1,8%).10 O grupo norte‐americano, por sua vez, não testa mercapto mix, incluindo apenas o mercaptobenzotiazol, considerado o verdadeiro hapteno representado na mistura.16,51

A etilenodiamina foi detectada em 0,9% dos pacientes, valor inferior ao descrito na revisão sistemática brasileira (4%).10 Em contrapartida, sua frequência foi semelhante à reportada pelo grupo norte‐americano (1,2%) e pelos estudos europeus com True Test (0,88%), e permanecerá na bateria brasileira.

A hidroquinona apresentou prevalência de 0,4% neste estudo, contrastando com os 2% da revisão brasileira. Não há menções a esse hapteno nos estudos europeu e norte‐americano.10,14,16 Assim, ela não constará da nova bateria brasileira.

Miscelânea

O disperse blue 106 é um corante utilizado em fibras sintéticas como nylon e poliéster, presente principalmente em tecidos de meias. Entre os corantes têxteis, é reconhecido como sensibilizante frequente. No presente estudo, a frequência de sensibilização foi de 5,1%. Na literatura internacional, os índices variam entre 3% e 6%.14,54,55 Trata‐se de um alérgeno que não integrava a bateria padrão brasileira, reforçando a importância de sua inclusão para avaliação mais ampla no país.

O hidroxietilmetacrilato (HEMA) foi incorporado à série europeia de testes de contato em 2019, sendo o principal agente implicado em casos de DCA por unhas artificiais e esmaltes de longa duração. Kocabas et al. (2024) relataram taxas de sensibilização de 3,9% em mulheres e 1,0% em homens.56 No presente estudo, a frequência observada foi de 2,1%. Estudos recentes do grupo norte‐americano também confirmam sua relevância.14 Esses dados reforçam a importância de se incluir o HEMA na série padrão para monitorar a crescente exposição associada a procedimentos estéticos.

A resina epóxi é importante produto industrial, muito resistente, utilizado amplamente em variados contextos, compondo produtos para vedação e tintas para demarcações. Também pode ser importante na indústria elétrica e tecnológica, em placas de circuitos, no encapsulamento, em reforços de fibras de vidro, em revestimento de concreto, metais, madeiras e pisos. Ele foi mantido na nova bateria por sua importância na saúde ocupacional; é positivo acima de 1% na revisão sistemática brasileira publicada por Bueno et al.10

Este estudo apresenta algumas limitações. Apesar de ser multicêntrico, a amostra ainda pode não representar todas as regiões do país de maneira equitativa, pois foi realizado apenas no Sul e Sudeste do país. Além disso, a ausência de uma série ampliada de fragrâncias pode ter subestimado a prevalência real de sensibilização a alérgenos emergentes. A análise dos dados clínicos também pode estar sujeita a inconsistências na documentação de histórico ocupacional ou exposição a alérgenos pelo fato de ser multicêntrico. Por fim, a falta de acompanhamento prospectivo limita a avaliação da relevância clínica de algumas reações positivas, especialmente para alérgenos com baixa frequência de positividade.

Apesar das limitações, este trabalho apresenta pontos fortes relevantes. A amostra relativamente ampla (567 pacientes) e a participação de múltiplos centros permitem uma avaliação representativa do perfil de sensibilização no Brasil. A comparação com dados nacionais (particularmente com o estudo fundador da bateria atual e com a revisão sistemática de 2025) e internacionais possibilita contextualizar os achados, identificando tendências e diferenças regionais.9,10 A inclusão de alérgenos emergentes, como a cocamidopropilbetaína, a MI, alguns alérgenos de fragrâncias, HEMA e corantes têxteis, reforça a utilidade do estudo para a atualização da bateria padrão de testes epicutâneos. Além disso, a inclusão de marcadores de plantas como Compositae mix e sesquiterpeno lactona contempla a possibilidade de análise desse tópico, em um país de proporções continentais, com múltiplas vegetações e grande proporção de população rural.

A partir do seu uso na prática diária, haverá novos dados, e serão necessárias reavaliações mais frequentes da nova bateria padrão, para que não haja desatualização.

Conclusões

O estudo apontou para a necessidade de reformulação da atual série de 30 substâncias a serem testadas em bateria padrão brasileira de testes de contato, pois 11 substâncias foram avaliadas como defasadas.

O artigo propõe a manutenção de 19 substâncias da bateria vigente e a inclusão de 21 substâncias novas, baseando‐se nos critérios estatísticos do presente estudo e na análise da literatura, resultando em uma nova bateria padrão brasileira, com 40 substâncias.

ORCID ID:

Renan Rangel Bonamigo: 0000‐0003‐4792‐8466, Vitor Manoel Silva dos Reis: 0000‐0001‐5705‐4104, Dulcilea Ferraz Rodrigues: 0009‐0007‐3599‐0613, Rosana Lazzarini: 0000‐0002‐4893‐3593, Mario Cezar Pires: 0000‐0001‐7587‐8932, Renato Shintani Hikawa: 0000‐0003‐3319‐5994, Ana Elisa Kiszewski: 0000‐0002‐6287‐6302, Andrea Fernandes Eloy da Costa França: 0000‐0003‐1657‐4570, Renata Heck: 0000‐0003‐2352‐3915, Maria Antonieta Rios Scherrer: 0000‐0001‐7323‐4260, Luciana Paula Samorano: 0000‐0001‐7077‐8553, Isabella Campos Machado Cordeiro: 0009‐0003‐2663‐9208, Ida Alzira Duarte: 0000‐0001‐6554‐7005, Mariana de Figueiredo Silva Hafner: 0000‐0001‐8322‐3856, Renata Marli Gonçalves Pires: 0000‐0002‐6699‐0591, Lilith Sodré Eller: 0000‐0001‐6923‐134X, Juliana Barros Rodrigues: 0009‐0003‐9582‐1492, Daniela Benzano Bumaguin: 0000‐0001‐6293‐8684, Ruppert Ludwig Hahnstadt: 0000‐0002‐7440‐8549

Suporte financeiro

O presente estudo recebeu suporte da empresa FDA Allergenic (Rio de Janeiro, RJ), através do fornecimento de materiais para os Testes de Contato.

Contribuição dos autores

Renan Rangel Bonamigo: Concepção e desenho do estudo; levantamento dos dados, ou análise e interpretação dos dados; análise estatística; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; aprovação final da versão final do manuscrito.

Vanessa Barreto Rocha: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Vitor Manoel Silva dos Reis: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Dulcilea Ferraz Rodrigues: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Rosana Lazzarini: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Mario Cezar Pires: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Renato Shintani Hikawa: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Ana Elisa Kiszewski: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Andreia Fernandes Eloy da Costa França: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Renata Heck: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Maria Antonieta Rios Scherrer: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Luciana Paula Samorano: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Isabella Campos Machado Cordeiro: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Mariana de Figueiredo Silva Hafner: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Renata Marli Gonçalves Pires: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Lilith Sodré Eller: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Juliana Barros Rodrigues: Levantamento e obtenção dos dados; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Ida Alzira Duarte: Concepção e desenho do estudo; redação do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual importante; aprovação final da versão final do manuscrito.

Daniela Benzano Bumaguin: Concepção e desenho do estudo; levantamento dos dados, ou análise e interpretação dos dados; análise estatística; aprovação final da versão final do manuscrito.

Ruppert Ludwig Hahnstadt: Concepção e desenho do estudo; análise e interpretação dos dados; aprovação final da versão final do manuscrito.

Disponibilidade de dados de pesquisa

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Conflito de interesses

Nenhum.

Editor

Sílvio Alencar Marques

Agradecimentos

Os autores agradecem aos integrantes das Diretorias da Sociedade Brasileira de Dermatologia das gestões 2021–2022 e 2023–2024 pelo indispensável apoio ao Projeto.

Referências
[1]
L.E. Martins, V.M. Reis.
Immunopathology of allergic contact dermatitis.
An Bras Dermatol., 86 (2011), pp. 419-433
[2]
M.C. Silvestre, M.N. Sato, V.M.S.D. Reis.
Innate immunity and effector and regulatory mechanisms involved in allergic contact dermatitis.
An Bras Dermatol., 93 (2018), pp. 242-250
[3]
J.P. Thyssen, A. Linneberg, T. Menné, J.D. Johansen.
The epidemiology of contact allergy in the general population – prevalence and main findings.
Contact Dermatitis., 57 (2007), pp. 287-299
[4]
L. Fonacier, I. Noor.
Contact dermatitis and patch testing for the allergist.
Ann Allergy Asthma Immunol., 120 (2018), pp. 592-598
[5]
L. Fonacier.
A practical guide to patch testing.
J Allergy Clin Immunol Pract., 3 (2015), pp. 669-675
[6]
J.G. DeKoven, E.M. Warshaw, M.J. Reeder, A.R. Atwater, J.I. Silverberg, D.V. Belsito, et al.
North american contact dermatitis group patch test results: 2019–2020.
Dermatitis., 34 (2023), pp. 90-104
[7]
V. Garg, B. Brod, A.A. Gaspari.
Patch testing: uses, systems, risks/benefits, and its role in managing the patient with contact dermatitis.
Clin Dermatol., 39 (2021), pp. 580-590
[8]
S. Ghosh.
Patch testing: broadened spectrum of indications.
Indian J Dermatol., 51 (2006), pp. 283-285
[9]
Grupo Brasileiro de Estudo em Dermatite de Contato G.
Estudo multicêntrico para elaboração de uma bateria‐padrão brasileira de teste de contato.
An Bras Dermatol., 75 (2000), pp. 147-156
[10]
A.L.A. Bueno, N.H.G. Aguzzoli, R.R. Bonamigo.
Prevalence of reactive allergens in contact patch testing studies using the Brazilian standard battery: A systematic review.
An Bras Dermatol., 100 (2025),
[11]
D.P. Bruynzeel, T.L. Diepgen, K.E. Andersen, F.M. Brandão, M. Bruze, P.J. Frosch, et al.
Monitoring the European standard series in 10 centres 199–62000.
Contact Dermatitis., 53 (2005), pp. 146-149
[12]
I.A.G. Duarte.
Síndrome da pele excitada: Revisão da literatura.
An Bras Dermatol., 70 (1994), pp. 153-162
[13]
J.P. Thyssen, K. Engkilde, M.D. Lundov, B.C. Carlsen, T. Menné, J.D. Johansen.
Temporal trends of preservative allergy in Denmark (1985–2008).
Contact Dermatitis., 62 (2010), pp. 102-108
[14]
M.C. Houle, J.G. DeKoven, A.R. Atwater, M.J. Reeder, E.M. Warshaw, M.D. Pratt, et al.
North American Contact Dermatitis Group patch test results: 2021‐2022.
Dermatitis., 36 (2025), pp. 464-476
[15]
D. Hilewitz, A. Trattner, A. Hackett, A. Raviv, Y. Noyman, S. Endelman, et al.
Epidemiology of sensitivity to nickel, cobalt and chromium in Israel: a retrospective cohort study.
Contact Dermatitis., 93 (2025), pp. 204-213
[16]
W. Uter, S.M. Wilkinson, O. Aerts, A. Bauer, L. Borrego, R. Brans, Patch test results with the European baseline series, 2019/20‐joint european results of the ESSCA and the EBS working groups of the ESCD, and the GEIDAC, et al.
Contact Dermatitis,, 87 (2022), pp. 343-355
[17]
Z.C. Venables, J.F. Bourke, D.A. Buckley, F. Campbell, M.M.U. Chowdhury, S. Abdul-Ghaffar, et al.
Has the epidemic of allergic contact dermatitis due to methylisothiazolinone reached its peak?.
Br J Dermatol., 177 (2017), pp. 276-278
[18]
M. Gonçalo, A. Goossens.
Whilst Rome burns: the epidemic of contact allergy to methylisothiazolinone.
Contact Dermatitis., 68 (2013), pp. 257-258
[19]
M.J. Reeder, E. Warshaw, S. Aravamuthan, D.V. Belsito, J. Geier, M. Wilkinson, et al.
Trends in the prevalence of methylchloroisothiazolinone/methylisothiazolinone contact allergy in North America and Europe.
JAMA Dermatol., 159 (2023), pp. 267-274
[20]
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR).
Resolução de diretoria colegiada – RDC n̊ 528, de 4 de agosto de 2021. Brasília (DF): ANVISA, (2021),
[21]
M. Bruze, M. Engfeldt, M. Gonçalo, A. Goossens, Recommendation to include methylisothiazolinone in the European baseline patch test series‐on behalf of the European Cociety of Contact Dermatitis and the European Environmental and Contact Dermatitis Research Group.
Contact Dermatitis, 69 (2013), pp. 263-270
[22]
S.H. Yu, A. Sood, J.S. Taylor.
Patch testing for methylisothiazolinone and methylchloroisothiazolinone‐methylisothiazolinone contact allergy.
JAMA Dermatol., 152 (2016), pp. 67-72
[23]
T. Barreto, F. Weffort, S. Frattini, G. Pinto, P. Damasco, D. Melo.
Straight to the point: what do we know so far on hair straightening?.
Skin Appendage Disord., 7 (2021), pp. 265-271
[24]
J.N. Hatsbach de Paula, F.M.A. Basílio, F.A. Mulinari-Brenner.
Effects of chemical straighteners on the hair shaft and scalp.
An Bras Dermatol., 97 (2022), pp. 193-203
[25]
S. Lee, D. Maor, A. Palmer, R.L. Nixon.
Declining prevalence of allergic contact dermatitis caused by toslyamide/formaldehyde in nail polish.
Contact Dermatitis., 79 (2018), pp. 184-185
[26]
R. Lazzarini, B.B. Masselli, M.F.D.S. Hafner.
Allergic contact dermatitis to toluene‐sulfonamide‐formaldehyde resin: still relevant?.
An Bras Dermatol., 99 (2024), pp. 436-438
[27]
L. Cegolon, A. Badalini, F. Larese Filon.
Epidemiological and occupational pattern of patch‐test reactions to p‐Tert‐butylphenol‐formaldehyde resin in north‐eastern Italy, 1997‐2021.
Life (Basel)., 15 (2025), pp. 698
[28]
E.M. Warshaw, M. Buonomo, J.G. DeKoven, J.S. Taylor, D.V. Belsito, H.I. Maibach, et al.
Patch testing to methyldibromoglutaronitrile/phenoxyethanol: North American Contact Dermatitis group experience, 1994‐2018.
Dermatitis., 32 (2021), pp. 256-266
[29]
A.J. Seine, E.A. Baird, L. Chan, A. Davis, D. Greig, L.E. Judd, et al.
A baseline patch test series for New Zealand.
Australas J Dermatol., 62 (2021), pp. 489-495
[30]
S.E. Jacob, A. Scheman, M.A. McGowan.
Propylene glycol.
[31]
M.A. McGowan, A. Scheman, S.E. Jacob.
Propylene glycol in contact dermatitis: A systematic review.
Dermatitis., 29 (2018), pp. 6-12
[32]
A.F. Fransway, P.J. Fransway, D.V. Belsito, E.M. Warshaw, D. Sasseville, J.F. Fowler, et al.
Parabens. Dermatitis, 30 (2019), pp. 3-31
[33]
I.G. Nunes, M. Relvas, M. Gonçalo.
Should paraben mix be removed from the European baseline series.
Acta Dermatovenerol Croat., 29 (2021), pp. 171-172
[34]
J. Knijp, D.P. Bruynzeel, T. Rustemeyer.
Diagnosing lanolin contact allergy with lanolin alcohol and Amerchol L101.
Contact Dermatitis., 80 (2019), pp. 298-303
[35]
D.F. Rodrigues, D.R. Neves, J.M. Pinto, M.F. Alves, A.C. Fulgêncio.
Results of patch‐tests from Santa Casa de Belo Horizonte Dermatology Clinic, Belo Horizonte Brazil, from 2003 to 2010.
An Bras Dermatol., 87 (2012), pp. 800-803
[36]
A.L.C.F. Villarinho, M.D.G.M. Melo, L.R. Teixeira.
Application of the Brazilian patch test panel in the diagnosis of allergic contact dermatitis to cosmetics.
An Bras Dermatol., 97 (2022), pp. 656-660
[37]
E.A. Silva, M.R. Bosco, E. Mozer.
Study of the frequency of allergens in cosmetics components in patients with suspected allergic contact dermatitis.
An Bras Dermatol., 87 (2012), pp. 263-268
[38]
S. Kanokrungsee, J. Leysen, O. Aerts, E. Dendooven.
Frequent positive patch test reactions to glucosides in children: A call for caution?.
Contact Dermatitis., 93 (2025), pp. 148-158
[39]
A.F. Monteiro, M. Paulino, A. Máquina, C. Amaro, I. Viana.
Allergic contact dermatitis to decyl glucoside: Still an important allergen in tinosorb M.
Contact Dermatitis., 82 (2020), pp. 126-128
[40]
J.F. Fowler, K.M. Zug, J.S. Taylor, F.J. Storrs, E.A. Sherertz, D.A. Sasseville, et al.
Allergy to cocamidopropyl betaine and amidoamine in North America.
Dermatitis., 15 (2004), pp. 5-6
[41]
M.P. Arribas, P. Soro, J.F. Silvestre.
Allergic contact dermatitis to fragrances Part 1.
Actas Dermosifiliogr., 103 (2012), pp. 874-879
[42]
S. Botvid, N.H. Bennike, A.B. Simonsen, J.D. Johansen, W. Uter.
Contact sensitization to fragrance mix I and fragrance mix II among European dermatitis patients: a systematic review.
Contact Dermatitis., 91 (2024), pp. 177-185
[43]
T. Sukakul, M. Bruze, C. Svedman.
Fragrance contact allergy – a review focusing on patch testing.
Acta Derm Venereol., 104 (2024),
[44]
M.A.R. Scherrer, É. Abreu, V.B. Rocha.
Neomycin: sources of contact and sensitization evaluation in 1162 patients treated at a tertiary service.
An Bras Dermatol., 98 (2023), pp. 487-492
[45]
M.B. Jensen, D. Isufi, C.K. Larsen, J.F.B. Schwensen, F. Alinaghi, J.D. Johansen.
Prevalence of contact allergy to neomycin in dermatitis patients: A systematic review and meta‐analysis.
Contact Dermatitis., 93 (2025), pp. 1-15
[46]
A. Sood, J.S. Taylor, Bacitracin:.
Allergen of the year.
Am J Contact Dermat., 14 (2003), pp. 3-4
[47]
A. de Groot.
Allergic contact dermatitis from topical drugs: An overview.
Dermatitis., 32 (2021), pp. 197-213
[48]
R. Lazzarini, M.F.S. Hafner, B.A.F. Miguel, N.T. Kawakami, B.H.Y. Nakagome.
Allergic contact dermatitis caused by topical ketoconazole: A relevant issue?. review of ketoconazole‐positive patch tests.
Contact Dermatitis., 78 (2018), pp. 234-236
[49]
C. Cariou, C. Droitcourt, M.N. Osmont, M.C. Marguery, H. Dutartre, J. Delaunay, et al.
Photodermatitis from topical phenothiazines: A case series.
Contact Dermatitis., 83 (2020), pp. 19-24
[50]
C. Codeço, P.B. Alves, A.C. Figueiredo, D. Flor, M. Gonçalo.
Shedding a light on the importance of photopatch testing: A 12‐year experience in a dermatology unit.
Contact Dermatitis., 88 (2023), pp. 438-445
[51]
M.A.R. Scherrer, E.P. Abreu, V.B. Rocha.
Sensitization to rubber allergens among 1,162 patients tested with the Brazilian standard battery.
An Bras Dermatol., 98 (2023), pp. 105-107
[52]
Y.W. Yang, J.A. Yiannias, M.M. Voss, M.R. Hall, M.J. Youssef, M.D.P. Davis, et al.
Systematic identification of copositivity groups in standard series patch testing through hierarchical clustering.
JAMA Dermatol., 159 (2023), pp. 945-952
[53]
I. Duarte, M. Fusaro, R. Lazzarini.
Etiology of para‐phenylenediamine sensitization: hair dye and other products.
Dermatitis., 19 (2008), pp. 342
[54]
A. Boyvat, I. Kalay Yildizhan.
Patch test results of the European baseline series among 1309 patients in Turkey between 2013 and 2019.
Contact Dermatitis., 84 (2021), pp. 15-23
[55]
C.P. Hernández Fernández, L. Borrego, A.M. Giménez Arnau, V. Zaragoza Ninet, T. Sanz Sánchez, F.J. Miquel Miquel, et al.
Sensitization to textile dyes in Spain: Epidemiological situation (2019‐2022).
Contact Dermatitis., 90 (2024), pp. 486-494
[56]
G. Kocabas, I.M. Steunebrink, A. de Groot, T. Rustemeyer.
Results of patch testing 2‐hydroxyethyl methacrylate (HEMA) in the European baseline series: A 4‐year retrospective study.
Contact Dermatitis., 90 (2024), pp. 466-469

Como citar este artigo: Bonamigo RR, Rocha VB, Reis VMS, Rodrigues DF, Lazzarini R, Pires MC, et al. A multicenter study by the Brazilian Society of Dermatology on a new standard patch test series. An Bras Dermatol. 2026;101:501327.

Trabalho realizado no Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais, Sociedade Brasileira de Dermatologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Baixar PDF
Idiomas
Anais Brasileiros de Dermatologia (Portuguese)
Opções de artigo
Ferramentas