A epiplaquina é um membro da família de proteínas plaquinas envolvidas na organização do citoesqueleto, mas seu papel nos cânceres de pele ainda é pouco compreendido. Este estudo teve como objetivo avaliar a expressão da epiplaquina em lesões cutâneas e investigar sua associação com marcadores de transição epitélio‐mesenquimal e progressão tumoral.
MétodosForam analisadas retrospectivamente amostras de pele de carcinomas de células escamosas, carcinomas basocelulares e nevos intradérmicos benignos coletadas entre 2021 e 2025. As características histopatológicas foram avaliadas e foi realizada análise imuno‐histoquímica de epiplaquina, E‐caderina e N‐caderina. A expressão da epiplaquina foi quantificada e correlacionada com os níveis de caderina e a espessura de Breslow. As redes de interação proteína‐proteína da família das plaquinas foram analisadas usando o enriquecimento funcional de vias KEGG e GO.
ResultadosA análise da rede de interação proteína‐proteína demonstrou que os membros da família das plaquinas estão associados a múltiplas vias relacionadas ao câncer, com enriquecimento proeminente na regulação da proliferação celular. A expressão de epiplaquina foi significantemente maior em carcinomas de células escamosas (389,94± 70,56) em comparação com carcinomas basocelulares (70,39±15,32) e nevos intradérmicos, enquanto os carcinomas basocelulares apresentaram diminuição significante em comparação com a pele normal (p <0,05). Em cânceres de pele não melanoma, a expressão de epiplaquina demonstrou forte correlação positiva com a E‐caderina (r=0,565, p <0,001) e correlação positiva fraca com a N‐caderina (r=0,329, p <0,05). Nenhuma correlação significante foi observada com a espessura de Breslow (p >0,05).
Limitações do estudoDesenho retrospectivo e ausência de casos de carcinoma de células escamosas de alto grau na população estudada.
ConclusõesEste é o primeiro estudo a avaliar a expressão de epiplaquina em cânceres cutâneos epiteliais. A epiplaquina parece estar associada à transição epitélio‐mesenquimal e à progressão tumoral precoce, e seu padrão de expressão diferencial pode fornecer utilidade diagnóstica.
A carcinogênese é processo biológico complexo que envolve proliferação celular, invasão e alterações na adesão, com o citoesqueleto desempenhando papel fundamental na manutenção da forma, polaridade e estabilidade mecânica das células. Entre as proteínas que ancoram elementos do citoesqueleto – como microfilamentos, filamentos intermediários e microtúbulos – às junções celulares, a família das plaquinas emergiu como essencial tanto para a integridade tecidual quanto para a biologia tumoral. Membros dessa família, incluindo desmoplaquina (DSP), envoplaquina (EVPL), periplaquina (PPL), plectina (PLEC) e antígeno‐1 do penfigoide bolhoso (BPAG1), fornecem ligações estruturais entre os filamentos do citoesqueleto e complexos juncionais, como desmossomos e hemidesmossomos.1 Alterações em sua expressão ou localização têm sido associadas a vários tipos de câncer, e algumas plaquinas foram propostas como potenciais biomarcadores. Por exemplo, níveis elevados de autoanticorpos anti‐BPAG1 no soro foram relatados em pacientes com melanoma em comparação com indivíduos saudáveis, embora esses achados não tenham sido replicados de modo consistente em todos os estudos.2,3 Além disso, estudos em câncer de mama mostraram que a diminuição dos níveis de plaquinas acompanha a desorganização precoce do citoesqueleto. Sua expressão reduzida leva ao mau posicionamento do centrossomo e ao enfraquecimento das junções intercelulares – alterações que refletem a perda da polaridade epitelial e são características da transição epitélio‐mesenquimal (TEM).4
A epiplaquina (EPPK1) representa um membro menos caracterizado da família das plaquinas, distinguindo‐se por seu arranjo único de domínios de repetição de plaquina em tandem. Diferente de outras plaquinas, a EPPK1 não apresenta repetições de espectrina e domínio claro de ligação à actina, sugerindo papel estrutural e funcional divergente. Embora seja expressa em múltiplos tecidos epiteliais, sua contribuição para a tumorigênese permanece incompletamente compreendida, e os estudos sobre seu envolvimento no câncer ainda são limitados.1 Os dados do GEPIA2 indicam que os níveis de mRNA de EPPK1 estão reduzidos no melanoma cutâneo, enquanto os conjuntos de dados proteômicos baseados no UALCAN mostram que as alterações no nível da proteína permanecem obscuras.5,6 Dado que os melanócitos e os queratinócitos estão interconectados por meio de junções baseadas em caderina, proteínas plaquinas como a EPPK1 podem contribuir para a estabilização desses complexos de adesão. Esclarecer se a expressão de EPPK1 varia entre lesões cutâneas benignas e malignas pode oferecer valor diagnóstico.7 Apesar dessa relevância potencial, estudos sistemáticos que examinam a expressão de EPPK1 em diversas malignidades cutâneas – como o carcinoma de células escamosas (CCE) e o carcinoma basocelular (CBC) – são atualmente escassos, e seu perfil de expressão em lesões benignas, como nevos intradérmicos, também não foi caracterizado.
Estudos anteriores associaram a EPPK1 ao desenvolvimento de vários tipos de câncer, incluindo carcinomas hepatocelulares, cervicais, colorretais, uroteliais da bexiga e de células escamosas do esôfago.8–12 Dado que as plaquinas contribuem para a ancoragem do citoesqueleto e a estabilidade juncional, a expressão alterada da EPPK1 pode influenciar vias relacionadas à adesão que também se refletem na dinâmica das caderinas. Como o equilíbrio entre E‐caderina e N‐caderina é importante indicador de perda de adesão e potencial invasivo, avaliar sua relação com a expressão da EPPK1 pode ajudar a esclarecer se essa plaquina participa da remodelação da adesão em tumores de pele. O presente estudo visa avaliar a expressão imuno‐histoquímica de EPPK1 juntamente com E‐caderina e N‐caderina em CCE, CBC, nevos intradérmicos e amostras de pele normal. Os níveis de expressão são comparados entre os tipos de lesão, e as correlações com a espessura de Breslow são analisadas para explorar associações com a invasividade tumoral. Amostras de pele normal servem como controles. Os resultados deste estudo podem fornecer novas informações sobre o significado diagnóstico de EPPK1 e sua potencial interação com a adesão mediada por caderina em lesões cutâneas. Além da avaliação imuno‐histoquímica, este estudo também visa investigar a rede de interação molecular das proteínas da família das plaquinas e identificar sua sobreposição com as redes de proteínas associadas ao CCE. Além disso, análises de enriquecimento de GO e KEGG são conduzidas para identificar processos biológicos e vias de sinalização significantemente enriquecidos associados às proteínas sobrepostas.
Materiais e métodosSujeitos e critérios de inclusão/exclusãoEste estudo retrospectivo analisou amostras de tecido cutâneo coletadas entre 2021 e 2025 dos arquivos do Departamento de Patologia do Bilecik Education and 83 Research Hospital. Um total de 24 nevos intradérmicos foram incluídos para permitir a comparação com 20 amostras de tecido normal correspondentes em análises imuno‐histoquímicas. Além disso, 40 lesões cutâneas malignas foram examinadas, compreendendo 20 CBC e 20 CCE.
Apenas neoplasias cutâneas primárias de pacientes que não haviam recebido radioterapia ou quimioterapia prévia foram incluídas. Tecidos benignos obtidos de pacientes com lesões malignas foram excluídos para evitar fatores de confusão. Para minimizar a influência de fatores externos na análise, indivíduos com doenças dermatológicas ou pulmonares preexistentes conhecidas foram excluídos, considerando evidências emergentes de que alterações em proteínas relacionadas à plaquina podem afetar a adesão de queratinócitos e estão implicadas em condições como a bronquiolite obliterante.12–14 Para garantir tecido adequado para avaliação imuno‐histoquímica, apenas lesões com tamanho ≥ 0,5mm foram incluídas. A aprovação ética para este estudo foi concedida pelo Comitê de Ética da Bilecik University (aprovação n° 2025/7‐12). Todos os procedimentos foram conduzidos de acordo com as diretrizes institucionais e os princípios descritos na Declaração de Helsinque.
Exame histopatológicoAs amostras de tecido foram fixadas em formalina tamponada neutra a 10% para preservar a integridade estrutural. Após a fixação, as amostras foram submetidas ao processamento histopatológico padrão, incluindo desidratação, clarificação e inclusão em parafina. Cortes de 4μm de espessura foram preparados a partir dos blocos de parafina e montados em lâminas de vidro. As lâminas foram desparafinadas em xileno e reidratadas por meio de uma série gradual de etanol (100%, 90%, 80%, 70%). Os cortes foram então corados com Hematoxilina & eosina (HE) para propiciar a visualização detalhada da morfologia celular e tecidual. Após a coloração, as lâminas foram cobertas com lamínulas usando Entellan.
A avaliação histopatológica foi realizada utilizando microscópio de campo claro Olympus CX23 equipado com câmera Olympus EP50 (1920×1080 pixels). As lesões foram categorizadas de acordo com critérios diagnósticos estabelecidos: nevos intradérmicos foram caracterizados por ninhos melanocíticos confinados à derme; CBC por ilhas tumorais basaloides com paliçada periférica e núcleos hipercromáticos; e CCE por atipia queratinocítica, pontes intercelulares e queratinização.15,16 Para a subtipagem do CBC, as variantes nodular, superficial, nodulocística e adenoide foram classificadas como formas não agressivas, enquanto os subtipos morfeiforme e infiltrativo foram considerados agressivos.17 A invasão tumoral foi avaliada pela medida da espessura de Breslow, definida como a distância perpendicular da camada granulosa da epiderme até o ponto mais profundo da extensão do tumor.18
Imuno‐histoquímicaBlocos de tecido fixados em formalina e incluídos em parafina foram seccionados com 4μm de espessura. Os cortes foram desparafinados em xileno e reidratados em série gradual de álcool. A recuperação antigênica foi realizada em tampão citrato (pH 6), seguida pelo bloqueio da atividade da peroxidase endógena com peróxido de hidrogênio a 3%.
Os cortes foram incubados à temperatura ambiente com os anticorpos primários: EPPK1 (1:100, PA5‐64412, Thermo Fisher Scientific, Waltham, MA, EUA), E‐caderina (1:250, sc‐8426, Santa Cruz Biotechnology, Dallas, TX, EUA) e N‐caderina (1:250, sc‐59987, Santa Cruz Biotechnology, Dallas, TX, EUA). Após incubação com o anticorpo secundário apropriado, a imunorreatividade foi visualizada utilizando o sistema de detecção estreptavidina‐HRP, com 3,3’‐diaminobenzidina (DAB) como cromógeno. As lâminas foram contracoradas, desidratadas e montadas para avaliação em microscópio óptico.
Análise quantitativa de imagem digitalA intensidade da coloração imuno‐histoquímica foi quantificada utilizando o software ImageJ (v1.53e, National Institutes of Health, EUA). Para cada caso, cinco regiões de interesse (ROI, do inglês regions of interest) foram capturadas aleatoriamente com ampliação de 400×usando microscópio de campo claro Olympus CX23 equipado com câmera Olympus EP50 (1920×1080 pixels). As imagens foram processadas usando o software ImageJ (versão 1.53e, National Institutes of Health, EUA). Para separar o sinal do cromógeno da contracoloração com hematoxilina, foi aplicada a deconvolução de cores e a imagem resultante foi convertida para escala de cinza de 8 bits para quantificação. Um limite de limiar fixo, determinado com base na coloração de controle para garantir a discriminação adequada do sinal positivo, foi aplicado a todas as imagens para manter a consistência entre as amostras. A imunorreatividade foi quantificada em termos de densidade óptica integrada (DOI), calculada como área×densidade óptica.19 Os valores médios de DOI obtidos de cada ROI foram calculados em média e normalizados (divididos por 106) antes da análise estatística.
Análise da rede de interação proteína‐proteínaUma rede de interação proteína‐proteína (IPP) foi construída para membros da família das plaquinas, incluindo EPPK1, DSP, EVPL, PPL, PLEC, BPAG1 e fator de ligação cruzada de actina de microtúbulos‐1 (MACF1), usando escore de confiança mínimo de 0,4 e incorporando 100 interatores adicionais. Da mesma maneira, uma rede associada à doença relacionada ao CCE (DOID:1749) foi gerada usando o mesmo limite de confiança de 0,4 e 200 interatores adicionais. Ambas as redes foram geradas e processadas no Cytoscape v3.10 (Cytoscape Consortium, San Diego, CA, EUA), onde a ferramenta Merge/Intersect foi utilizada para identificar interatores compartilhados. O conjunto de proteínas resultante da intersecção foi submetido à análise de enriquecimento funcional de vias KEGG e GO utilizando a plataforma online STRING v12. As dez principais vias significantemente enriquecidas (FDR <0,05) foram visualizadas como diagramas de caixa, indicando tanto a significância estatística quanto a magnitude do enriquecimento.20
Análise estatísticaTodas as análises estatísticas foram realizadas utilizando o SPSS Statistics v26 (IBM, Armonk, NY, EUA). A distribuição dos dados foi avaliada quanto à normalidade utilizando o teste de Shapiro‐Wilk. As diferenças nos níveis de expressão imuno‐histoquímica contínua entre os grupos foram analisadas utilizando o teste de Kruskal‐Wallis, seguido por comparações pareadas post hoc ajustadas por Bonferroni. As variáveis categóricas foram avaliadas utilizando o teste do Qui‐quadrado. As correlações entre os níveis de expressão proteica e a espessura de Breslow foram avaliadas por meio da análise de correlação de Spearman. Valor de p <0,05 foi considerado estatisticamente significante.
ResultadosCaracterísticas clinicopatológicas das amostras do estudoA avaliação histopatológica dos nevos intradérmicos demonstrou ninhos de células névicas redondas a ovais dispersos por toda a derme. As amostras de CBC exibiram ninhos de células basaloides que se estendiam até a derme, com paliçada periférica proeminente. Nas amostras de CCE, observaram‐se ninhos infiltrativos de células escamosas, apresentando graus variáveis de queratinização e formação ocasional de pérolas de queratina (fig. 1).
Histopatologia de lesões cutâneas não melanoma (coloração com Hematoxilina & eosina). (A) Nevo intradérmico, ninhos de células névicas redondas a ovais (seta preta) na derme. (B) CBC nodular, ninhos basaloides com paliçada periférica (seta vermelha). (C) CBC infiltrativo, cordões e feixes de células basaloides (seta vermelha) infiltrando a derme. (D) CCE bem diferenciado, ninhos escamosos com queratinização proeminente e pérolas de queratina (seta amarela). (E) CCE moderadamente diferenciado, ninhos escamosos com queratinização intermediária. Barras de escala: 100μm.
As características clinicopatológicas das amostras do estudo estão resumidas na tabela 1. A média de idade diferiu significantemente entre os grupos; os pacientes do grupo de nevo intradérmico eram mais jovens (41,33±10,33 anos) em comparação com os dos grupos de CCE (69,05±12,32 anos) e CBC (70,40±14,22 anos; p <0,05). A distribuição por sexo também variou significantemente (χ2=7,612, p <0,05), com predominância feminina no grupo de nevo intradérmico (66,7%) e predominância masculina no grupo de CBC (75%). A localização do tumor não diferiu significantemente entre os grupos (p> 0,05), com a maioria das lesões localizadas na cabeça e pescoço em todos os grupos. Nas amostras de CCE, a classificação histopatológica foi distribuída igualmente entre tumores de baixo grau (50%) e moderadamente diferenciados (50%). No CBC, a maioria dos casos foi classificada como não agressiva (75%), enquanto uma proporção menor foi considerada agressiva (25%). A espessura de Breslow não diferiu significantemente entre os grupos de CCE e CBC (4186,13±2512,96μm vs. 3534,26±2652,04μm, p> 0,05; tabela 1).
Parâmetros clinicopatológicos de nevos intradérmicos e cânceres de pele não melanoma
| Nevos intradérmicos | CCE | CBC | p‐valor | |
|---|---|---|---|---|
| Idade (anos) | 41,33±10,33 | 69,05±12,32 | 70,40±14,22 | 0,000a,c |
| Sexo | ||||
| Masculino (n) | 8 (33,3%) | 10 (50%) | 15 (75%) | 0,022b,c |
| Feminino (n) | 16 (66,7%) | 10 (50%) | 5 (25%) | |
| Total (%) | 24 (100%) | 20 (100%) | 20 (100%) | |
| Localização | ||||
| Cabeça, pescoço (n) | 21 (59,4%) | 18 (75%) | 18 (75%) | 0,953b |
| Tronco, extremidades (n) | 3 (40,6%) | 2 (25%) | 2 (25%) | |
| Total (%) | 24 (100%) | 184 (100%) | 184 (100%) | |
| Grau | ||||
| Baixo (n) | 10 (50%) | |||
| Médio (n) | 10 (50%) | |||
| Total (%) | 20 (100%) | |||
| Tipos | ||||
| Não agressivo (n) | 15 (75%) | |||
| Agressivo (n) | 5 (25%) | |||
| Total (%) | 20 (100%) | |||
| Breslow (μm) | 4186,13±2512,96 | 3534,26±2652,04 | 0,372a | |
Os dados são apresentados como média±desvio padrão ou número e porcentagem (%).
Os níveis de expressão de EPPK1 diferiram significantemente entre os grupos. O grupo de nevo intradérmico (27,08±3,82) apresentou expressão marcadamente menor em comparação com a pele normal (147,85±17,58, p <0,05) e o grupo CCE (392,66±55,24, p <0,05). Na pele normal, a imunorreatividade de EPPK1 foi predominantemente citoplasmática nas células do estrato granuloso, com expressão leve observada no estrato espinhoso. Não houve diferença significante na expressão de EPPK1 entre os grupos de nevo e CBC (70,39±15,32, p> 0,05). Em comparação com o tecido normal, as amostras de CBC apresentaram expressão de EPPK1 significantemente menor (p <0,05). Em contraste, as amostras de CCE demonstraram expressão de EPPK1 significantemente maior em relação às amostras de nevo e CBC (p <0,05), enquanto os níveis de expressão em CCE não foram significantemente diferentes do grupo normal (p> 0,05; fig. 2).
Imuno‐histoquímica para EPPK1 em amostras de pele. (A) Controle negativo. (B) Pele normal, expressão citoplasmática intensa de EPPK1 no estrato granuloso (seta preta) e leve no estrato espinhoso. (C) Nevo intradérmico, expressão citoplasmática muito baixa de EPPK1. (D) Carcinoma basocelular, expressão citoplasmática moderada de EPPK1. (E) Carcinoma de células escamosas, forte expressão citoplasmática de EPPK1, especialmente nas células ao redor das pérolas de queratina (seta vermelha). Barras de escala: A, inserções de 30μm, B–E 100μm. (F) Diagrama de caixa mostrando a densidade óptica de EPPK1 como mediana±IIQ; as linhas indicam mínimo‐máximo. Teste de Kruskal‐Wallis, *p <0,05; a, significantemente diferente da pele normal e do CCE; CBC, carcinoma basocelular; CCE, carcinoma de células escamosas; IIQ, intervalo interquartil.
A expressão de E‐caderina diferiu significantemente entre os grupos CBC e CCE. Na pele normal, a E‐caderina apresentou forte localização nas junções intercelulares, com leve coloração citoplasmática na camada escamosa. O grupo CBC exibiu densidade óptica média de E‐caderina de 147,54±38,26, enquanto o grupo CCE apresentou expressão marcadamente maior, de 389,94±70,56 (p <0,05), com algumas células exibindo aumento da coloração citoplasmática. Em contraste, a expressão de N‐caderina foi geralmente baixa tanto no grupo CBC (139,61±45,47) quanto no grupo CCE (216,37±59,83), sem diferença estatisticamente significante entre eles (p> 0,05; fig. 3).
Imuno‐histoquímica para detecção de E‐caderina e N‐caderina em amostras de pele. (A) Pele normal: E‐caderina predominantemente nas junções intercelulares com menor expressão citoplasmática. (B) CBC: expressão citoplasmática de E‐caderina. (C) CCE: expressão citoplasmática de E‐caderina, com aumento da intensidade em algumas células. (D) Pele normal: intensa expressão de N‐caderina nas paredes vasculares. (E) CBC, expressão citoplasmática de N‐caderina. (F) CCE, baixa expressão de N‐caderina. Barras de escala: A, D, inserções 30μm; B, C, E, F 100μm. (G) Diagrama de caixa da densidade óptica de E‐caderina (mediana±IIQ), CCE significantemente maior que CBC. (H) Diagrama de caixa da densidade óptica de N‐caderina (mediana±IIQ). As linhas indicam mínimo – máximo. Teste de Kruskal‐Wallis, *p <0,05. CBC, carcinoma basocelular; CCE, carcinoma de células escamosas; IIQ, intervalo interquartil.
Em amostras de CCE bem diferenciado, a imunorreatividade da E‐caderina permaneceu predominantemente nas junções intercelulares, enquanto a EPPK1 apresentou intensa expressão citoplasmática. Nas áreas onde algumas células tumorais exibiram aumento da E‐caderina citoplasmática, as seções correspondentes apresentaram regulação positiva citoplasmática generalizada da EPPK1 (fig. 4).
Imuno‐histoquímica de E‐caderina e EPPK1 em CCE. (A‐B) CCE bem diferenciado, com E‐caderina predominantemente nas junções intercelulares (seta preta) e região correspondente mostrando intensa expressão citoplasmática de EPPK1 (seta vermelha). (C‐D) Outra área do mesmo tumor de CCE, mostrando aumento regional de E‐caderina citoplasmática em algumas células tumorais (seta preta) e regulação positiva citoplasmática generalizada de EPPK1 na mesma região (seta vermelha). Barras de escala: 30μm.
A análise de correlação de Spearman demonstrou associações positivas significantes entre a expressão de EPPK1 e os níveis de caderina em cânceres de pele não melanoma. A EPPK1 exibiu forte correlação positiva com a E‐caderina (r=0,565, p <0,001) e correlação positiva moderada com a N‐caderina (r=0,329, p <0,05; tabela 2, fig. 5). Quando os subtipos tumorais foram analisados separadamente, a EPPK1 apresentou correlações positivas significantes com a E‐caderina e a N‐caderina no CBC. No CCE, a EPPK1 manteve‐se positivamente correlacionada com a E‐caderina e, adicionalmente, demonstrou correlação positiva moderada com a espessura de Breslow (p <0,05), enquanto nenhuma associação significante foi observada com a N‐caderina (tabela 2).
Análise de correlação da expressão de EPPK1 com caderinas e espessura de Breslow
| Cânceres de pele não melanoma | CBC | CCE | ||
|---|---|---|---|---|
| EPPK1 | EPPK1 | EPPK1 | ||
| E‐caderina | r | 0,565 | 0,375 | 0,327 |
| p | 0,0002a | 0,011a | 0,020a | |
| N‐caderina | r | 0,329 | 0,350 | 0,015 |
| p | 0,044a | 0,018a | 0,917 | |
| Espessura de Breslow | r | 0,134 | –0,224 | 0,338 |
| p | 0,409 | 0,145 | 0,015a |
Teste de correlação de Spearman. CBC, carcinoma basocelular; CCE, carcinoma de células escamosas; r, coeficiente de correlação.
A rede de IPP associada ao CCE (DOID:1749) foi construída utilizando escore de confiança mínimo de 0,4 e incluindo 200 interatores adicionais. A rede resultante consistiu em 246 nós e 8.258 arestas, com um grau médio de nó de 67,1 e coeficiente médio de agrupamento local de 0,692. Em comparação, uma rede aleatória do mesmo tamanho deveria conter 3.172 arestas, destacando a conectividade significantemente maior na rede observada (valor p de enriquecimento de IPP <1,0e‐16).
A intersecção da rede de proteínas da família plaquina com a rede associada ao CCE identificou um subconjunto de interatores compartilhados. A análise de enriquecimento de vias KEGG dessas proteínas sobrepostas mostrou enriquecimento significante (FDR <0,05) em múltiplas vias. As dez principais vias enriquecidas foram: microRNAs no câncer, câncer pancreático, câncer de bexiga, melanoma, resistência endócrina, proteoglicanos no câncer, câncer de próstata, resistência a inibidores da tirosina quinase do EGFR, infecção pelo herpesvírus associado ao sarcoma de Kaposi e câncer de pulmão de células não pequenas (tabela 3).
Análise de enriquecimento KEGG das proteínas compartilhadas entre a rede da família das plaquinas e a rede associada ao carcinoma de células escamosas (CCE, DOID:1749). As proteínas da família das plaquinas (EPPK1, DSP, EVPL, PPL, PLEC, BPAG1 e MACF1) foram integradas à rede IPP associada ao CCE, e as proteínas sobrepostas foram submetidas à análise de enriquecimento de vias KEGG utilizando o STRING v12. A tabela lista as 10 vias mais significantemente enriquecidas. Cada entrada de via também inclui o número de genes associados (nGenes) e o conjunto específico de genes da via identificado. Taxa de falsa descoberta (FDR, do inglês false discovery rate) <0,05
| FDR do enriquecimento | nGenes | Genes da via | Sinal | Vias |
|---|---|---|---|---|
| 2.20e‐37 | 42 | 159 | 5,54 | MicroRNAs em câncer |
| 1.19e‐27 | 27 | 71 | 5,25 | Câncer de pâncreas |
| 4.14e‐24 | 21 | 40 | 5,13 | Câncer de bexiga |
| 2.76e‐26 | 26 | 72 | 4,98 | Melanoma |
| 1.26e‐27 | 29 | 94 | 4,9 | Resistência endócrina |
| 1.81e‐34 | 42 | 194 | 4,82 | Proteoglicanos no câncer |
| 2.44e‐27 | 29 | 97 | 4,81 | Câncer de próstata |
| 9.41e‐26 | 26 | 77 | 4,81 | Resistência aos inibidores da tirosina quinase do EGFR |
| 1.10e‐32 | 40 | 187 | 4,66 | Infecção por herpesvírus associada ao sarcoma de Kaposi |
| 3.04e‐24 | 24 | 68 | 4,66 | Câncer de pulmão de células não pequenas |
EPPK1, epiplaquina; DSP, desmoplaquina; EVPL, envoplaquina; PPL, periplaquina; PLEC, plectina; BPAG1, antígeno‐1 do penfigoide bolhoso; MACF1, fator de ligação cruzada de actina de microtúbulos‐1.
A análise de enriquecimento de GO identificou sobrerrepresentação significante de vários processos biológicos. Os termos mais enriquecidos incluíram regulação da proliferação de células epiteliais (FDR=2,49E–21, 39 genes) e regulação positiva da proliferação da população celular (FDR=1,91E–34, 75 genes). Outros processos relacionados à proliferação também foram destacados, como a regulação da proliferação de fibroblastos (FDR=7,42E–14, 18 genes) e a regulação positiva da proliferação de células epiteliais (FDR=1,32E–16, 27 genes). As vias de organização do citoesqueleto apresentaram enriquecimento significante, incluindo a organização de filamentos intermediários do citoesqueleto (FDR=6,36E–14, 18 genes). Os processos associados à adesão mostraram enriquecimento significante, incluindo a regulação da adesão celular (FDR=1,65E–30, 65 genes) e a regulação negativa da adesão célula‐célula (FDR=3,15E–16, 26 genes). Outros termos enriquecidos incluíram a regulação negativa da sinalização apoptótica (FDR=1,71E–17, 29 genes), a regulação da ativação de células T (FDR=5,95E–21, 39 genes) e a regulação positiva da migração celular (FDR=9,71E–24, 48 genes; fig. 6).
Análise funcional GO de proteínas sobrepostas na interseção de proteínas da família das plaquinas e redes associadas ao carcinoma de células escamosas. As proteínas da família das plaquinas (EPPK1, DSP, EVPL, PPL, PLEC, BPAG1 e MACF1) foram interseccionadas com redes associadas ao CCE, e as proteínas compartilhadas foram submetidas à análise de enriquecimento de via KEGG. O diagrama de caixa exibe os dez processos biológicos mais significantemente enriquecidos (FDR <0,05). O gradiente de cores, do azul escuro ao verde claro, indica valores de FDR decrescentes, enquanto o tamanho de cada caixa reflete o número de genes que contribuem para o enriquecimento, representando o peso dessa via dentro do conjunto de dados interseccionados. EPPK1, epiplaquina; DSP, desmoplaquina; EVPL, envoplaquina; PPL, periplaquina; PLEC, plectina; BPAG1, antígeno‐1 do penfigoide bolhoso; MACF1, fator de ligação cruzada de actina de microtúbulos‐1.
O citoesqueleto e seus complexos juncionais associados desempenham papel central na manutenção da integridade do tecido epitelial, regulando a adesão celular, a polaridade e a mecanotransdução – processos que são profundamente alterados durante a carcinogênese. As proteínas da família das plaquinas servem como pontes estruturais críticas, ligando os filamentos intermediários aos desmossomos e hemidesmossomos, estabilizando assim a arquitetura epitelial em condições fisiológicas.1 Evidências crescentes indicam que a ruptura da ancoragem citoesquelética mediada por plaquinas aumenta a plasticidade celular, promove a capacidade migratória e contribui para a progressão tumoral em diversas malignidades. Por exemplo, estudos em câncer de ovário mostraram que a diminuição da expressão de PLEC e PPL em tumores de alto grau coincide com a redução da estabilidade estrutural e mudança para um estado mais permissivo à invasão, mesmo na ausência de alterações evidentes nos marcadores de TEM. Essas observações sugerem que a perda de plaquinas pode representar desestabilização estrutural precoce, preparando as células tumorais para a migração ao enfraquecer a ancoragem epitelial.21 A análise da rede IPP dos membros da família das plaquinas no CCE revelou rede altamente interconectada composta por 246 nós e 8.258 arestas, com grau médio de nó de 67,1 e coeficiente de agrupamento de 0,692 (enriquecimento de IPP, p <1,0e‐16), destacando organização biologicamente significante. O enriquecimento de vias KEGG das proteínas sobrepostas destacou associações significantes com múltiplas vias relacionadas ao câncer, incluindo proteoglicanos (FDR <0,05). Esses resultados sugerem que as plaquinas funcionam não apenas como componentes estruturais, mas também podem participar de cascatas de sinalização do CCE que regulam o comportamento, a adesão e a migração das células tumorais. Evidências experimentais de células HeLa mostram que o knockdown de EPPK1 acelera a motilidade dos queratinócitos e induz rearranjos do citoesqueleto, enquanto a superexpressão suprime a motilidade.22
Entre as plaquinas, a EPPK1 se destaca por não apresentar repetições de espectrina nem um domínio de ligação à actina bem definido, e seu papel no câncer ainda é pouco compreendido.1,23 A pesquisa sobre a EPPK1 ainda é limitada, e seu envolvimento em neoplasias cutâneas ainda não foi totalmente elucidado. Estudos anteriores em CCE do esôfago relataram expressão de EPPK1 marcadamente elevada em comparação com controles normais, enquanto em adenocarcinomas colorretais, a expressão de EPPK1 estava diminuída, sugerindo papel dependente do contexto para essa proteína.10,12 Uma revisão recente sobre cânceres de cabeça e pescoço destacou que os componentes desmossômicos, incluindo as proteínas plaquinas, podem agir paradoxalmente, uma vez que sua expressão, localização e interações mudam dinamicamente durante a progressão do câncer.24 Da mesma maneira, embora a plectina seja frequentemente regulada positivamente em muitos tipos de tumores, sua regulação negativa foi relatada em certas malignidades, enfatizando padrão de expressão dual e ressaltando o papel fundamental das plaquinas na regulação da progressão tumoral, dependendo do contexto celular e tecidual.25 Essas observações sugerem que as consequências funcionais da expressão de EPPK1 podem variar de acordo com o contexto tecidual e o tipo de tumor, destacando a necessidade de mais investigações, particularmente em tumores cutâneos. Em cânceres cutâneos, níveis elevados de autoanticorpos anti‐BPAG1 no soro foram relatados em pacientes com melanoma em comparação com indivíduos saudáveis, indicando papel potencial, embora ainda incerto, das plaquinas como biomarcadores.2,3 No presente estudo, objetivou‐se avaliar sistematicamente a expressão imuno‐histoquímica de EPPK1 em nevos intradérmicos benignos, CBC e CCE para esclarecer seu papel potencial na biologia do tumor de pele. Os presentes achados demonstraram expressão significantemente maior de EPPK1 em CCE cutâneos (392,66±55,24) em comparação com CBC (70,39±15,32) e nevos intradérmicos benignos (27,08±3,82; p <0,05). Essa variação provavelmente reflete diferenças intrínsecas dependentes do tipo celular, visto que as células queratinocíticas do CCE apresentam arquitetura citoesquelética e características relacionadas à queratinização distintas em comparação com os CBC e lesões melanocíticas benignas, potencialmente contribuindo para a maior expressão de EPPK1. Dado esse padrão de expressão diferencial, a EPPK1 pode ter potencial utilidade diagnóstica em neoplasias cutâneas. Marcadores rotineiramente utilizados, como E‐caderina, p53 e certas metaloproteinases, têm sido sugeridos para auxiliar na diferenciação entre CCE e hiperplasia pseudocarcinomatosa. No entanto, uma limitação desses estudos foi que a expressão do marcador não foi analisada de acordo com o grau do tumor, e a diferenciação entre CCE bem diferenciado e hiperplasia pseudocarcinomatosa permaneceu um desafio.26 No presente estudo, a EPPK1 demonstrou padrão de expressão distinto em CCE de baixo a médio grau, sugerindo que ela pode fornecer valor diagnóstico adicional. Notavelmente, em regiões de CCE bem diferenciado, a imunorreatividade da E‐caderina permaneceu em grande parte nas junções intercelulares, enquanto a EPPK1 mostrou intensa expressão citoplasmática. Em áreas onde algumas células tumorais exibiram aumento da E‐caderina citoplasmática, a expressão de EPPK1 já estava disseminada, indicando que as alterações na EPPK1 podem preceder alterações detectáveis na localização da E‐caderina.
Na pele normal, a expressão de EPPK1 foi observada predominantemente nas camadas suprabasais da epiderme, com a imunorreatividade mais intensa localizada perto da camada granulosa, sugerindo papel na diferenciação tardia dos queratinócitos e na organização da barreira epidérmica. Em amostras de CCE, a expressão de EPPK1 foi particularmente proeminente em ninhos tumorais e mais intensa em células escamosas ao redor de pérolas de queratina. Essa distribuição espacial distinta pode indicar que a expressão de EPPK1 no CCE está associada a áreas de queratinização e diferenciação escamosa. Esses padrões espaciais estão alinhados com as descobertas de modelos epiteliais que mostram que os filamentos intermediários de queratina e as proteínas de ligação citoesquelética da família das plaquinas estabilizam cooperativamente as estruturas de superfície ricas em queratina, apoiando a ideia de que as plaquinas podem influenciar a dinâmica da queratinização em lesões epidérmicas humanas.27 Além da malignidade, a EPPK1 também foi implicada na regulação da barreira epitelial. Na psoríase, a EPPK1 é especificamente regulada negativamente de maneira dependente de interferon‐γ, e sua deficiência tem sido associada à adesão epitelial e à expressão prejudicadas de genes relacionados à barreira, apoiando o papel para a EPPK1 na manutenção da estabilidade epitelial.28 Consistente com esse conceito, no presente grupo de câncer de pele não melanoma, a expressão de EPPK1 mostrou correlação positiva significante com a E‐caderina, sugerindo que a EPPK1 pode estar funcionalmente ligada à dinâmica de adesão mediada por caderina em lesões epiteliais cutâneas.
Os membros da família das plaquinas podem exercer efeitos distintos e, às vezes, opostos na biologia tumoral. Notavelmente, a DSP exibe padrão consistente de supressão tumoral, com reduções acentuadas observadas em carcinomas orais e pulmonares. Essa perda tem sido associada a piores resultados clínicos, e dados experimentais demonstram que a depleção de DSP aumenta a proliferação de queratinócitos e ativa a sinalização pró‐sobrevivência de ERK/Akt, enquanto sua superexpressão suprime o crescimento de células de câncer de pulmão por meio da modulação de mediadores da via Wnt. Em contraste, a proteína relacionada à plaquina MACF1 exibe perfil mais oncogênico, e é altamente expressa em glioblastoma; seu knockdown reduz a proliferação e a migração, além de regular negativamente os componentes da via Wnt.23 Em relação à EPPK1, estudos anteriores em CCE esofágico relataram experimentos de knockdown funcional revelando reduções na proliferação, formação de colônias, migração e invasão celular.10 Do mesmo modo, em adenocarcinomas, como o câncer colorretal, a expressão de EPPK1 foi positivamente correlacionada com Ki67, sugerindo um papel na proliferação celular.12 Em consonância com esses achados, as presentes análises de enriquecimento funcional de GO demonstraram que a rede proteica compartilhada formada por membros da família das plaquinas no CCE estava predominantemente associada a processos relacionados à proliferação celular, incluindo “regulação da proliferação de células epiteliais”, “regulação positiva da proliferação da população celular” e “regulação da proliferação de fibroblastos”, todos enriquecidos com valores de FDR altamente significantes (FDR <0,05). Além da sinalização proliferativa, a rede também apresentou fortes associações com a organização do citoesqueleto, especialmente “organização do citoesqueleto de filamentos intermediários”, consistente com os papéis estruturais canônicos das plaquinas. Curiosamente, refletindo as funções duais e, por vezes, opostas conhecidas das proteínas plaquinas, a análise de GO revelou que as proteínas sobrepostas estavam enriquecidas tanto na regulação positiva quanto na negativa da adesão celular, destacando sua contribuição dependente do contexto para a estabilidade ou afrouxamento das junções. Além disso, o enriquecimento em “regulação positiva da migração celular” e processos ligados à sinalização apoptótica destaca possível envolvimento das plaquinas em vias que facilitam a motilidade e a sobrevivência das células tumorais durante a carcinogênese. No contexto do presente estudo, essas assinaturas funcionais orientaram a investigação da expressão de EPPK1 em neoplasias cutâneas, levando ao exame de suas associações com marcadores de TEM e espessura de Breslow para melhor compreender sua potencial contribuição para a progressão tumoral.
A TEM envolve a perda de junções célula‐célula e polaridade epitelial, incluindo junções aderentes. As caderinas, como moléculas de adesão, também podem atuar como mediadores de sinalização, influenciando comportamentos celulares como migração, proliferação, apoptose e diferenciação.29 Pogorzelska‐Dyrbuś et al. relataram expressões significantemente maiores de E‐caderina e N‐caderina em CCE, com níveis de N‐caderina significantemente elevados em comparação com CBC, o que foi associado a potencial metastático relativamente maior.30 De modo semelhante, Kim et al. observaram aumento na expressão de vimentina em CCE.31 No presente estudo, embora as amostras de CCE tenham apresentado níveis mais elevados de N‐caderina (216,37±59,83), a diferença em comparação com o CBC (139,61±45,47) não foi estatisticamente significante (p> 0,05), provavelmente em vitude da predominância de CCEs de baixo e médio grau nessa coorte. Suiqing et al. relataram que a expressão de E‐caderina é marcadamente menor em CCEs pouco diferenciados em comparação com tumores bem diferenciados.32 De maneira consistente, no presente estudo, a E‐caderina apresentou intensa imunorreatividade citoplasmática em casos de CCE (389,94±70,56, p <0,05). Na literatura, essa translocação de caderinas da membrana celular para o citoplasma é frequentemente interpretada como perda funcional dessas moléculas de adesão, potencialmente comprometendo a integridade celular e facilitando a transformação maligna e a metástase durante a TEM.29 Curiosamente, a EPPK1, que apresentou correlação positiva com a E‐caderina nas amostras de câncer de pele não melanoma no presente estudo, pode estar envolvida de maneira semelhante em processos celulares relacionados à TEM ou outros processos, incluindo a proliferação. Sua localização imunorreativa com expressão citoplasmática aumentada foi observada particularmente em ninhos de células escamosas ao redor de pérolas de queratina. A correlação positiva moderada entre a expressão de EPPK1 e a espessura de Breslow no CCE pode refletir, em parte, o aumento da queratinização e a formação mais proeminente de pérolas de queratina em tumores mais espessos, dada a associação estrutural da EPPK1 com a rede citoesquelética.
Em adenocarcinoma pulmonar, a redução da expressão de EPPK1 levou ao aumento da expressão de E‐caderina e à diminuição concomitante dos níveis de vimentina, sugerindo papel na modulação das características epiteliais‐mesenquimais.33 Em modelos de cicatrização de feridas epiteliais da córnea, a deficiência de EPPK1 foi associada à diminuição da expressão de E‐caderina, queratina‐6 e vimentina, indicando papel na regulação do citoesqueleto e potencialmente facilitando a migração celular durante o reparo tecidual.34 No presente estudo, a expressão de EPPK1 em cânceres de pele não melanoma mostrou forte correlação positiva com E‐caderina (r=0,565, p <0,001) e correlação positiva moderada com N‐caderina (r=0,329, p <0,05). Lopes et al. relataram correlação positiva entre N‐caderina e E‐caderina em melanoma, interpretada como estado TEM parcial com perfil de expressão de caderina híbrido.35 Venza et al. descobriram que a redução da E‐caderina no melanoma cutâneo não se correlacionava significantemente com o estágio clínico ou a espessura de Breslow, e sugeriram que sua regulação negativa pode estar mais intimamente associada à regulação da proliferação de células de melanoma.36 Nas amostras de câncer de pele não melanoma do presente estudo, a baixa correlação entre EPPK1 e N‐caderina, juntamente com a ausência de correlação significante com a espessura de Breslow, indica que a EPPK1 sozinha pode não servir como marcador de invasão confiável, embora possa desempenhar papel nos estágios iniciais da TEM.
Epidemiologicamente, os nevos intradérmicos são predominantemente observados em pacientes do sexo feminino, com 80,46% dos casos relatados em mulheres.37 Uma análise retrospectiva de casos diagnosticados entre 2010 e 2018 confirmou de modo semelhante essa predominância feminina, com 1.973 mulheres e 667 homens afetados.38 Em contraste, o CBC e o CCE afetam principalmente adultos mais velhos, com a idade de início mais frequente em torno de 70 a 85 anos.39 Especificamente, o CCE cutâneo geralmente se apresenta por volta dos 70 anos, com mais de 80% dos casos ocorrendo em indivíduos com 60 anos ou mais.40 De maneira consistente, no presente estudo, os grupos de CCE e CBC exibiram proporção maior de homens e idade média aumentada em comparação com o grupo de nevo intradérmico, refletindo tendências epidemiológicas conhecidas.
O presente estudo representa a primeira avaliação sistemática da expressão de EPPK1 no contexto da progressão da malignidade cutânea. Embora limitado por seu desenho retrospectivo, os achados fornecem informações valiosas sobre o papel potencial da EPPK1, particularmente em relação aos processos de TEM. Notavelmente, a expressão de EPPK1 foi significantemente maior no CCE bem diferenciado em comparação com o CBC e nevos intradérmicos benignos, e demonstrou correlação positiva com a E‐caderina, sugerindo um papel na dinâmica da TEM e potencialmente em outros processos iniciais relacionados ao tumor.
Em conclusão, a EPPK1 parece atuar como molécula dependente do contexto associada à TEM, mostrando expressão elevada no CCE queratinocítico. Seu padrão de expressão diferencial e correlação com marcadores de adesão importantes destacam sua potencial utilidade como biomarcador diagnóstico para neoplasias cutâneas. Estudos futuros com coortes maiores, incluindo CCE de alto grau, são necessários para esclarecer ainda mais o significado prognóstico da EPPK1.
Declaração do Comitê de Ética em PesquisaA aprovação ética foi obtida junto ao Comitê de Ética da Universidade Bilecik (número de aprovação: 2025/7‐12, data: 04 de agosto de 2025). Todos os métodos foram conduzidos de acordo com os padrões éticos do Comitê de Pesquisa institucional e com a Declaração de Helsinque.
O consentimento informado formal por escrito não foi exigido em virtude do desenho retrospectivo do estudo, conforme dispensado pelo Comitê de Ética competente.
ORCID IDÖzlem Türelik: 0000‐0001‐6057‐9171
Suporte financeiroNenhum.
Contribuição dos autoresDamla Gül Fındık: Concepção e planejamento do estudo; obtenção, análise e interpretação dos dados; análise estatística; elaboração e redação do manuscrito; aprovação da versão final do manuscrito.
Özlem Türelik: Obtenção, análise e interpretação dos dados; elaboração e redação do manuscrito; aprovação da versão final do manuscrito.
Disponibilidade de dados de pesquisaTodo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
Conflito de interessesNenhum.
EditorNeusa Yuriko Sakai Valente
Como citar este artigo: Findik DG, Türelik O. Epiplakin expression in non‐melanoma skin cancer: associations with epithelial‐mesenchymal transition markers and tumor invasion. An Bras Dermatol. 2026;101:501350.
Trabalho realizado na Bilecik Şeyh Edebali University, Faculdade de Medicina e Bilecik Training and Research Hospital, Bilecik, Turquia.









