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Vol. 96. Núm. 1.
Páginas 85-87 (01 Janeiro 2021)
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Vol. 96. Núm. 1.
Páginas 85-87 (01 Janeiro 2021)
Dermatologia Tropical/Infectoparasitária
Open Access
Rash cutâneo difuso em regiões tropicais: dengue ou COVID‐19?
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Isabelle Pastor Bandeiraa,
Autor para correspondência
isabellepbandeira@gmail.com

Autor para correspondência.
, Beatriz Sordi Charaa, Giovani Meneguzzi de Carvalhob, Marcus Vinícius Magno Gonçalvesc
a Departamento de Medicina, Universidade da Região de Joinville, Joinville, SC, Brasil
b Departamento de Medicina, Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, Joinville, SC, Brasil
c Departamento de Neurologia, Universidade da Região de Joinville, Joinville, SC, Brasil
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Resumo

Diversas manifestações clínicas estão associadas à infecção pelo SARS‐CoV‐2, incluindo sinais e sintomas dermatológicos. Neste artigo, relatamos o caso de um paciente previamente hígido com COVID‐19, que foi erroneamente diagnosticado como dengue por causa do aparecimento de erupções cutâneas. Até o início da investigação de nosso paciente, Joinville (Santa Catarina, Brasil) apresentava cerca de 5.000 casos confirmados de dengue e 1.700 casos de COVID‐19 no ano de 2020. Assim, destacamos que em regiões endêmicas para dengue e COVID‐19, as duas enfermidades devem ser consideradas até que se prove o contrário. Por fim, alertamos para a possibilidade de coinfecção desses dois vírus em regiões que estão enfrentando as duas epidemias concomitamente.

Palavras‐chave:
Betacoronavírus
Dengue
Exantema
Infecções por coronavírus
Texto Completo

Paciente do sexo masculino, 26 anos de idade, deu entrada no pronto‐socorro (PS) com queixa de febre, tosse, mialgia e dispneia leve havia sete dias. O paciente não tinha história médica pregressa e não fazia uso de nenhum medicamento. O exame físico revelou frequência cardíaca de 79 bpm, frequência respiratória de 18rpm, pressão arterial sistólica de 137mmHg, saturação de oxigênio de 99%, temperatura de 36°C e IMC 26,53 (sobrepeso). Considerando a pandemia de coronavírus, iniciamos o protocolo para COVID‐19: tratamento sintomático, coleta de amostra de nasofaringe para SARS‐CoV‐2 RT‐PCR e isolamento social por 14 dias a partir do início dos sintomas. Dois dias depois, o paciente retornou ao PS com erupção cutânea pruriginosa maculopapular confluente no pescoço, tórax, membros superiores e inferiores (fig. 1). Nesse momento, o paciente foi diagnosticado como dengue – infecção viral endêmica de regiões tropicais, que também se manifesta com sintomas semelhantes aos da gripe, com aparecimento de erupção cutânea difusa entre 3‐6 dias após o início da febre.1 Mesmo assim, ressaltamos que o paciente permaneceu em isolamento social até a disponibilização do resultado do exame para COVID‐19.

Figura 1.

Erupção cutânea confluente apresentada pelo paciente nove dias após o início dos sintomas respiratórios. As lesões cutâneas permaneceram por três dias, e o prurido melhorou com o uso de anti‐histamínicos. (A), As lesões no antebraço foram as primeiras a aparecer, com características maculares; (B), nos membros inferiores, as lesões eram maculopapulares, com formação de placas semelhantes à urticária. *As fotos foram tiradas pelo próprio paciente devido ao isolamento social.

(0,06MB).

Curiosamente, no dia seguinte (D3), recebemos o laudo de RT‐PCR, o qual mostrou resultado positivo para SARS‐CoV‐2. Nesse ponto, concluímos que o paciente foi erroneamente diagnosticado com dengue, e estávamos diante de uma erupção cutânea por SARS‐CoV‐2. Após 20 dias de ausência do trabalho e atividades sociais, as sorologias virais mostraram testes rápidos reagentes para SARS‐CoV‐2 IgM e IgG, e dengue IgM e IgG quantitativos não reagentes (0,2 e 0,3, respectivamente) – confirmando não se tratar de uma coinfecção viral, mas sim rash maculopapular de COVID‐19.

A nova doença do coronavírus (COVID‐19) começou a se espalhar em dezembro de 2019 em Wuhan, China. Houve várias manifestações clínicas associadas à infecção por SARS‐CoV‐2 desde então, incluindo sinais e sintomas dermatológicos. Freeman et al., em um estudo com 171 pacientes, descreveram que as lesões cutâneas mais comuns têm sido as de morfologia morbiliforme (22%), eritema pérnio (18%), urticariforme (16%) e eritema macular (13%), as quais ocorreram após ou concomitantemente aos sintomas sistêmicos da COVID‐19.2 Além disso, outros artigos também documentaram enantema, vesículas semelhantes a varicela e lesões purpúricas como uma apresentação clínica de COVID‐19.3

O diagnóstico incorreto de outras doenças exantemáticas, como a dengue, em pacientes com manifestações cutâneas da COVID‐19, também já foi documentado anteriormente. Joob e Wiwanitkit relataram sua experiência na Tailândia com um paciente inicialmente diagnosticado com dengue por causa de uma erupção cutânea com petéquias e sintomas semelhantes aos da gripe, mas que após investigação adicional, a infecção por SARS‐CoV‐2 foi confirmada por RT‐PCR.4

Até o início da investigação de nosso paciente, em julho de 2020, Joinville (Santa Catarina, Brasil – 597.658 habitantes) apresentava cerca de 5.000 casos confirmados de dengue e 1.700 casos de COVID‐19. Assim, destacamos que em regiões endêmicas para dengue e COVID‐19, ambas as enfermidades devem ser consideradas até que se prove o contrário. Diferente das arboviroses, que requerem um vetor, o coronavírus se espalha muito rapidamente pelo ar, e o isolamento social auxilia no bloqueio da transmissão. Por fim, alertamos para a possibilidade de coinfecção desses dois vírus em regiões que estão enfrentando as duas epidemias ao mesmo tempo; é necessário iniciar uma pesquisa laboratorial precoce para ambas as doenças a fim de orientar o manejo clínico adequado ao quadro do paciente.

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Isabelle Pastor Bandeira: Aprovação da versão final do manuscrito; concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Beatriz Sordi Chara: Aprovação da versão final do manuscrito; concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Giovani Meneguzzi de Carvalho: Aprovação da versão final do manuscrito; concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Marcus Vinícius Magno Gonçalves: Aprovação da versão final do manuscrito; concepção e planejamento do estudo; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Conflito de interesses

Nenhum.

Referências
[1]
A.K. Mishra, A.A. George, K.P.P. Abhilash.
The relationship between skin rash and outcome in dengue.
J Vector Borne Dis., 55 (2018), pp. 310-314
[2]
E.E. Freeman, D.E. McMahon, J.B. Lipoff, M. Rosenbach, C. Jovarik, S.R. Dessari, et al.
The spectrum of COVID‐19 – associated dermatologic manifestations: An international registry of 716 patients from 31 countries.
J Am Acad Dermatol., 83 (2020), pp. 1118-1129
[3]
J. Jimenez-Cauhe, D. Ortega-Quijano, D. de Perosanz-Lobo, P. Burgos-Blasco, S. Vañó-Galván, M. Fernandez-Guarino, et al.
Enanthem in patients with COVID‐19 and skin rash.
JAMA Dermatol., 156 (2020), pp. 1134-1136
[4]
B. Joob, V. Wiwanitkit.
COVID‐19 can present with a rash and be mistaken for dengue.
J Am Acad Dermatol., 82 (2020), pp. e177

Como citar este artigo: Pastor Bandeira I, Sordi Chara B, Meneguzzi de Carvalho G, Magno Gonçalves MV. Diffuse skin rash in tropical areas: Dengue fever or COVID‐19? An Bras Dermatol. 2021;96:85–7.

Trabalho realizado na Universidade da Região de Joinville e Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, Joinville, SC, Brasil.

Copyright © 2020. Sociedade Brasileira de Dermatologia
Idiomas
Anais Brasileiros de Dermatologia (Portuguese)

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